Novas tecnologias: a reinvenção dos motores a combustão

Tecnologicamente mais avançados, os modelos a combustão interna não têm data para se aposentar

O novo motor M256 da Mercedes: seis cilindros e gasolina, mas com muita tecnologia para melhorar a eficiência O novo motor M256 da Mercedes: seis cilindros e gasolina, mas com muita tecnologia para melhorar a eficiência

O novo motor M256 da Mercedes: seis cilindros e gasolina, mas com muita tecnologia para melhorar a eficiência (reprodução/Mercedes-Benz)

Virou lugar-comum dizer que o futuro da mobilidade passa pela eletrificação, o que é a mais pura verdade. Mas isso não significa o fim dos motores a combustão interna.

Ao que tudo indica, os veículos elétricos terão papel importante nos próximos anos, mas daí a substituírem os motores a combustão existe uma longa distância, especialmente nos países emergentes.

Perguntamos a profissionais da indústria qual a expectativa de vida dos motores a combustão e todos foram unânimes em dizer que esses motores ainda serão usados por muito tempo. A maioria não se arriscou a apontar um número de anos.

“Quem sabe?, perguntou o diretor de pesquisa e desenvolvimento da fabricante de autopeças Schaeffler, Claudio Castro. “Acho que eles (motores elétricos e a combustão interna) seguem juntos por um longo período”, diz. “Por isso, continuamos a investir nos dois tipos de tecnologia.”

A concorrente Bosch também adotou essa estratégia de dividir-se entre as duas frentes.

Segundo o gerente de desenvolvimento de produto, Fábio Ferreira, a Bosch estudou cinco cenários possíveis para o comportamento do mercado e somente um deles considera a mudança radical, rápida e massificada, de uma tecnologia para outra.

Os outros cenários contemplam a evolução gradual do mercado mundial.

Para Marco Mammetti, gerente de motores da empresa de engenharia Idiada, as mudanças devem ser cadenciadas porque, por um lado, a eletrificação está em implementação (requer desenvolvimento de vias, formas de geração de energia e infraestrutura para recarga) e, por outro, a indústria automobilística está toda fundamentada na produção dos veículos de combustão interna.

“Isso implica milhares de empregos” (segundo a organização mundial de fabricantes  – Oica, na sigla em inglês –, são mais de 8 milhões de postos diretos, no mundo). 

O aumento da oferta de modelos elétricos e as restrições legais que os países estão impondo aos motores a explosão são vistos como algo relativo pelos especialistas, uma vez que ainda existem aplicações em que os elétricos não conseguem substituir os movidos a gasolina, etanol ou diesel.

É o caso dos veículos usados no transporte de cargas e de longas distâncias. “Isso porque as baterias ainda pesam muito e têm pouca autonomia”, explica Mauro Simões, gerente sênior de engenharia da MAN Latin America.

De acordo com os engenheiros, antes de o motor a combustão interna se aposentar, ele ainda vai evoluir bastante, ficando mais limpo e eficiente. Ao lado, reunimos 12 soluções apontadas pelos profissionais, que deverão estar nos motores nos próximos anos.

Escala evolutiva

Individualmente ou combinadas, soluções técnicas inovadoras vão tornar os motores a combustão interna ainda mais limpos e eficientes que os padrões atuais, prolongando assim sua aplicação nos diferentes tipos de veículos

moto

 (reprodução/Internet)

1- Injeção de GNV ou água junto com a gasolina para reduzir emissões.

2- Desativação de cilindros a partir do corte da alimentação para diminuir consumo e emissões.

3- Uso massificado de plástico, o que ajuda a baixar o peso dos componentes, minimizando o esforço do motor.

4- Turbo variável permite ganhos de desempenho e eficiência nos diferentes regimes de funcionamento.

5- Taxa de compressão variável para aumentar a eficiência em todos os regimes.

6- Redução de atrito a partir do tratamento das peças e da diminuição do número de componentes.

7- Tratamento químico dos gases de escapamento (como já existe no diesel) para reduzir emissões.

8- Gestão de energia (com sistema de 48V e freios regenerativos) dispensando dispositivos como alternador e motor de partida (para redução de peso).

9- Híbridização tendo o motor elétrico como aliado na busca de eficiência.

10- Sistema elétrico robusto, responsável pelo acionamento dos diversos sistemas do carro, incluindo aqueles que hoje dependem do motor.

11- Ciclo variável alterando as durações dos tempos (admissão, compressão, explosão e escape) para diminuir consumo e emissões.

12- Gestão térmica com recursos como o aquecimento do combustível para encurtar a fase fria de funcionamento e, assim, reduzir emissões.

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  1. Daniel Oliveira

    Queremos carros elétricos, e os CHINESES entenderam bem a proposta…espero q a concorrência tenha combinado com eles (chineses) em manter o velho e ultrapassado motor a combustão!!!!

  2. Joao Siqueira

    Vai demorar muito para os carros serem elétricos, teremos ao menos 50 anos de carros endotérmicos, na melhor das hipóteses híbridos que levam sua termo elétrica para onde vão

  3. Francisco Beltrao

    O motor à combustão interna ideal é aquele que comprime por pistão e expande por sistema rotativo. vide invento de minha autoria, aprovado pelo WIPO. Vide https://patentscope.wipo.int/search/en/WO2014036626