JAC T5 CVT: o custo é bom, mas os benefícios são medianos

Mesmo automático e com bom custo-benefício, o T5 ainda sofre com os "poréns"

O T5 tem boa aparência com traços modernos, mas ainda fica evidente o excesso de cromados e a desproporção entre as rodas e a carroceria

O T5 agrada, mas ainda precisa evoluir para incomodar os SUVs compactos (Pedro Bicudo)

Quem se lembra das aulas de português da escola talvez se recorde das temidas conjunções adversativas. São palavras que ligam duas orações expressando a ideia de contraste, que é o caso de “mas”, “porém”, “entretanto” e “todavia”, termos que na maior parte do tempo podemos usar para definir o JAC T5 CVT.

Mesmo com predicados que mostram a evolução da marca nos últimos anos, o SUV ainda tem contras que farão muitos torcerem o nariz.

Tudo começa no visual. O T5 tem boa aparência com traços modernos e leds nos faróis. No entanto, ainda fica evidente a inspiração em modelos coreanos mais antigos (Hyundai ix35), o excesso de cromados e a desproporcionalidade entre as rodas aro 16 e a carroceria. Em relação às versões manuais, a única diferença visual do T5 está na inscrição CVT na traseira.

A única diferença visual do T5 automático é a inscrição CVT na traseira

Traseira tem cromados por toda parte e dupla saída de escape falsa (Pedro Bicudo)

Os “poréns” continuam na parte de dentro. O desenho do painel até tem certa personalidade e boa disposição dos comandos, mas peca por (novamente) ainda ter elementos inspirados demais em outras marcas e volante muito grande.

Pecado ainda maior está nos materiais utilizados, de baixa qualidade e toque rígido, além do característico cheiro forte de plástico. No espaço, entretanto, ele se destaca: leva cinco pessoas confortáveis e tem porta-malas de 600 litros, mais do que os rivais HR-V (437), Renegade (273), Kicks (432), EcoSport (362) e Duster (475).

Painel traz materiais de toque rígido

Painel traz materiais de toque rígido (Pedro Bicudo)

De série, ele traz ar-condicionado digital, leds diurnos, bancos de couro, sensores de estacionamento, câmera de ré, Isofix, assistente de partida em rampas, controles de estabilidade e tração. Porém, há apenas dois airbags. A central multimídia é completa (com USB, Bluetooth e espelhamento de smartphones), entretanto nada intuitiva – fora o brilho excessivo da tela e os sons estridentes das respostas dos toques. Conectar um smartphone por Bluetooth, então, é quase impossível.

Central multimídia é completa, mas difícil de operar. Tela de 8 polegadas tem brilho excessivo

Central multimídia é completa, mas difícil de operar. Tela de 8 polegadas tem brilho excessivo (Pedro Bicudo/Quatro Rodas)

Com a transmissão CVT (com seis marchas pré-programadas), além de dar folga à perna esquerda do motorista, o T5 ganhou desempenho e economia. No nosso teste, levou 13 segundos para ir de 0 a 100 km/h e 9,9 na retomada de 80 a 120 km/h. Na versão manual, fez 14 e 31,1, respectivamente. O consumo também melhorou: 10,6/14 km/l em ciclo urbano/rodo­viá­rio, contra 9,3/11,3 do manual.

Câmbio CVT tem seis marchas simuladas

Câmbio CVT tem seis marchas simuladas (Pedro Bicudo/Quatro Rodas)

Entretanto, não se anime com a palavra “desempenho”. A letargia do motor 1.5 de 125/127 cv e 15,5/15,7 mkgf com gasolina/etanol, o mesmo que equipa o hatch J3 e o sedã J5, incomoda. As saídas são lentas e o motor, em conjunto com o câmbio, grita em retomadas e velocidades constantes acima de 100 km/h.

Motor 1.5 de até 127 cv e 15,7 mkgf é fraco, mas o câmbio CT proporciona números melhores que a versão manual

Motor 1.5 de até 127 cv e 15,7 mkgf é fraco, mas o câmbio CT proporciona números melhores que a versão manual (Pedro Bicudo/Quatro Rodas)

O comportamento combina com o da suspensão. Focada no conforto, ela é macia até demais. Se na cidade filtra bem as imperfeições do solo, em rodovias e curvas mais acentuadas a carroceria inclina a ponto de causar insegurança nos ocupantes.

Custo-benefício continua sendo o lema dos JAC – o T5 automático custa R$ 71.490, ou apenas R$ 1.500 a mais em relação ao manual. Como referência, a versão de entrada LX do Honda HR-V com câmbio CVT custa R$ 86.800. Num patamar abaixo, o Ford EcoSport SE 1.6 automático sai por R$ 79.300.

Ou seja: ele continua custanto bem menos que os concorrentes. Os “mas” e “poréns”, contudo, mostram que ele ainda tem de evoluir.

Veredicto

Agora com câmbio automático e preço atraente, o JAC T5 teria tudo para fazer sucesso no Brasil se não fossem os tantos “poréns”.

 

Teste de pista (com gasolina)

  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 13 s
  • Aceleração de 0 a 1.000 m: 34,9 s – 149,4 km/h
  • Velocidade máxima: 194 km/h
  • Retomada de 40 a 80 km/h (em D): 5,9 s
  • Retomada de 60 a 100 km/h (em D): 7,3 s
  • Retomada de 80 a 120 km/h (em D): 9,9 s
  • Frenagens de 60 / 80 / 120 km/h a 0: 16,4 / 28,4 / 65,6 m
  • Consumo urbano: 10,6 km/l
  • Consumo rodoviário: 14 km/l

Ficha técnica – JAC T5 CVT

  • Preço: R$ 71.490
  • Motor: flex, diant., transv., 4 cil., 1.499 cm3; 16V, 127/125 cv a 6.000 rpm, 15,5/15,7 mkgf a 4.000 rpm
    Câmbio: automático, 6 marchas, tração dianteira
  • Suspensão: McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)
  • Freios: discos ventilados (diant.) / sólidos (tras.)
  • Direção: elétrica
  • Rodas e pneus: liga leve, 205/55 R16
  • Dimensões: comprimento, 432,5 cm; altura, 162,5 cm; largura, 176,5 cm; entre-eixos, 256 cm; peso, 1.210 kg; tanque, 45 l; porta-malas, 600 l
  • Equipamentos de série: ar digital, assist. de partida em rampas, piloto aut., ESP, controle de tração e central multimídia
Comentários
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  1. Edinei Meneses Conceição

    a verdade é única, se o T5 fosse da honda, Jeep, hyundai, Toyota, Chevrolet, Fiat, Ford, Volks, seria o maior sucesso entre os Suv compacto, como é da marca chinesa, então ele precisa ser de luxo para provar que é um carro igual ao dessas marcas que citei, que vendem esses Suv’s por quase 100 mil e levamos mais marca do que carro para a nossa garagem, será que os Suv compacto da honda, Jeep, hyundai, Chevrolet, Ford, Renault, Nissan valem mais de 72 mil ? pensem

  2. Andre Maruska

    Exatamente o que penso. Se tivesse outro símbolo no capô seria um sucesso conta ótimos reviews mas por ser chinês é porcaria. Até oferece que hrv tem plásticos tão melhores assim custando quase 20k a mais. Único que ode falar em acabamento é renegade. De resto, tudo igual este aí.

  3. Felipe Ramos De Miranda

    A matéria tem tudo pra ser Boa e imparcial, porém a revista ainda tem um pensamento um tanto quanto atrasado.

  4. Eu uso AdBlock por não querer ver publicidade na internet.
    A abril impede a navegação até que você desabilite o recurso nos seus domínios.
    OK, eu desabilito, mas, deixo de consumir produtos e serviços dos anunciantes desses domínios.
    Quem sabe se assim eu rebebo o respeito que mereço.
    Publicidade vê quem quer, tenho o direito de mudar de canal durante os intervalos publicitários, bem como não assistir programas jornalísticos que exibem matérias pagas ou ler artigos com o mesmo princípio.

  5. Jefferson Barra

    Não tem um benefício nesse LIXO!!!

  6. Enfim: um carro ruim. Esses chineses infelizmente ainda continuam apostando no “xing-ling” depois de 10 anos em nosso mercado.

  7. NéllioeCris Guerra Fontes

    Plástico em excesso? Relação motor/câmbio fraco? Alguém já viu o 2.4 do Toro? O cheiro é textura dos tantos plásticos dos “defendidos” pela 4 rodas? Realmente os toscos brasileiros continuarão a comer na mão da 1/2 dúzia? Pagar 80 a 120 mil em marcas que não são diferentes é coisa de sem juízo ou mente fraca. Talvez, quem sabe se a Jac voltar a abrir a carteira pra globo como na época das propagandas, a coisa de falar verdades sobre eles mudem bastante. Pague, jacmotors. Eu fiz o test drive, vcs merecem.

  8. Paulo Augusto Gomes Monteiro

    Acho que meu comentário anterior não entrou. Here I go again. Discordo completamente da reportagem. Explico: 1) design – inspirado no ATUAL ix35 (bocão na frente) e não no “antigo coreano”. Isto não é um “porém”. 2) excesso de plástico. Ué, os Honda não são assim???? 3) tela multimídia brilhando demais. Isto não é um porém. 4) carroceria macia demais – nas nossas ruas esburacadas é uma benção!!!!! Sou pai de família, não corro, então risco zero para mim. Quer correr compra um esportivo. Para concluir, tirando os falsos “poréns”, é um ótimo produto. Tem defeitos, lógico. Todavia, contudo e entretanto, acho que vale no mínimo um test-drive. Achei a análise da revista muito equivocada. E é capaz de eu gostar do carro e comprar. A ver.

  9. eu ainda nao arriscaria….. iria de semi-novo. carro chines eu acho que vai demorar muito a pegar no brasil, os franceses com sua fama ruim so agora que estao começando a deslanchar…

  10. Vamos aos poréns.
    As versões de entrada das grandes marcas são melhores opções de compras, corem sempre falta alguma coisinha, como.
    Ar digital.
    Freio a disco nas 4
    Um câmbio automático descente.
    Assistente de subida em rampa.
    Controle de estabilidade e tração.
    Multimídia.
    Porém …