As mais incríveis histórias de golpes contra seguradoras

Os casos mais engraçados e curiosos dos malandros que tentam enganar o seguro

Mais do que mentir no perfil do motorista ou alterar o endereço de pernoite para pagar menos no seguro, algumas pessoas planejam as maiores loucuras para conseguir uma indenização fraudulenta. Tem de tudo: quem inverte a culpa em um acidente de trânsito, os que forjam problemas mecânicos e até segurados que incendeiam, capotam e enterram o próprio carro.

Habituados às mentiras que alguns clientes contam, profissionais das companhias seguradoras concordaram em revelar alguns dos casos mais engraçados e inusitados, desde que os envolvidos fossem mantidos em sigilo. Detalhe: todos eles foram descobertos.

Martelão de ouro

Golpes contra seguradoras

São comuns nas seguradoras os casos de capotamento intencional. Mas o dono de um BMW 330i resolveu inovar. Ele jogou o sedã barranco abaixo, mas o carro não capotou. A solução parecia simples: pegar uma marreta e destruir a lataria.

Não foi difícil para os investigadores descobrirem duas coisas: as marcas não combinavam com as de um acidente e a carroceria estava totalmente limpa e sem arranhões.

 

O efeito borboleta

(Paulo Ito/Quatro Rodas)

Para solucionar uma fraude, a equipe de peritos da seguradora não poupa esforços nem recursos. Nessas situações, vale contratar até especialistas externos para ajudar numa investigação.

O dono de um Mercedes Classe C usado queria receber o prêmio do seguro e achou que a maneira mais simples de executar (e a mais difícil de ser descoberta) seria bater contra um poste e dizer que havia sido um acidente de trânsito. Os investigadores acharam o caso muito suspeito. Durante a análise do veículo, encontraram um casulo de borboleta no sistema de escape.

A equipe levou a um especialista em insetos, que deu seu parecer: como o bicho ainda estava vivo, não poderia ter sido submetido às altas temperaturas do motor ligado. A conclusão era que o carro já não rodava havia pelo menos dois meses.

 

Desconstrutor de Ferrari

(Paulo Ito/Quatro Rodas)

A característica número 1 de um golpista é a frieza e o autocontrole na hora de contar sua história. Mas o dono de uma rede de oficinas mecânicas pode ser considerado o campeão entre os caras de pau. Ele comprou uma Ferrari F430 já pensando em aplicar a fraude na seguradora.

Após alguns meses de uso, o comerciante desmontou o esportivo inteiro, revendeu as peças separadamente e informou à companhia que o veículo foi furtado. Depois era só receber a indenização total. Com o dinheiro, porém, ele comprou outra F430 e repetiu todo o processo. Acabou sendo pego porque abusou demais da cara de pau: o esquema foi descoberto quando ele tentava receber a quarta Ferrari “furtada”.

 

Tinha uma pedra no meio do caminho

(Paulo Ito/Quatro Rodas)

O dono de um Chevrolet Classic nunca trocava o óleo até que o motor fundiu. Como o seguro não cobre negligência, ele aceitou a ideia dada por um amigo: furou o cárter e disse que passou por cima de uma pedra na rua. A fraude foi descoberta após entrevistas com os vizinhos, que falaram do seu comportamento suspeito, e pela falta de comprovantes das trocas de óleo que ela jurava ter feito.

 

O funeral do Uno

(Paulo Ito/Quatro Rodas)

Natural de Minas Gerais, um cliente fez valer a fama de “come-quieto” que ganhou entre os peritos. Ele enterrou seu Fiat Uno 2000 no quintal de casa e relatou à seguradora que fora roubado. De acordo com os investigadores, esse tipo de fraude é raro e ainda muito difícil de ser descoberto.

O caso só foi solucionado graças a uma denúncia anônima e a contradições entre o depoimento à polícia e aquele dado à seguradora. Os investigadores tiveram de escavar todo o quintal até encontrar o Uno, por sinal em perfeito estado de conservação. Só depois de o carro ser desenterrado é que o dono assumiu a fraude.

 

Ácido, incêndio e mentiras

(Paulo Ito/Quatro Rodas)

Com dificuldade para vender o Volkswagen Gol 2000 e pagar as 38 prestações restantes do financiamento, a dona bolou um plano que parecia brilhante: incendiar seu próprio carro. Só que no meio da ação suas pernas acabaram sendo queimadas.

Para tentar acobertar o fato e livrar-se de qualquer suspeita, a proprietária contou que foi um vândalo que ateou fogo ao veículo e jogou ácido nas suas pernas quando ela tentou detê-lo. Pouco versada nos limites da ciência forense, a fraudadora não imaginou que um exame de corpo de delito comprovaria que suas queimaduras foram provocadas por fogo e não por ácido.

 

A curva da fraude

(Paulo Ito/Quatro Rodas)

Você sabia que há um tipo de fraudador chamado de “capotador profissional”? Ele não simula: ele assume o volante e acidenta o carro de verdade. A fraude é bastante usada em importados adquiridos em leilões já sinistrados (batidos).

Nesse caso, a preferência é por uma curva na rodovia Régis Bittencourt (que liga São Paulo a Curitiba), na qual capota-se o carro numa velocidade calculada para não ferir o motorista e causando danos que resultem na perda total. Só há um problema: quando um veículo se acidenta lá, a seguradora já sabe que deve ser golpe.

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