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Renault Duster Dynamique 1.6 16V

Modelo ganha um tapa no visual à espera de novos rivais

Por Vitor Matsubara 22 abr 2015, 14h16
testes

Preço sempre foi um dos argumentos mais convincentes para comprar um Duster. Desde 2011 o SUV oferece espaço digno de modelos maiores com valores abaixo de seu então principal (e único) concorrente, o Ford EcoSport. Foi assim que ele chegou a liderar o segmento em seu primeiro ano de vida e continuou incomodando seu até então solitário rival. Só que agora a brincadeira ficou séria com o lançamento dos badalados Honda HR-V, Peugeot 2008 e Jeep Renegade. A Renault viu, então, que precisava se mexer.

As mudanças não foram tão profundas, mas renovaram a aparência cansada do Duster. Assim como seu antecessor não era uma fotocópia do projeto original romeno da Dacia (que mudou no fim de 2013), o SUV ganhou detalhes exclusivos para o Brasil. É o caso da grade, que trocou as barras cromadas por um filete único com acabamento preto brilhante – a mesma substituição aconteceu na régua da tampa do porta-malas. Os faróis ganharam leds e as lanternas também foram projetadas pelo Centro de Design da Renault América Latina, tendo como referência o carro- conceito D-Cross, apresentado no Salão do Automóvel de 2012.

Se por fora a plástica é perceptível, por dentro é difícil notar evoluções. O console central ficou mais alto e agora divide o painel ao meio, destacando- se do conjunto. Além do preto brilhante, o marrom marca presença em saídas de ar, nos bancos (de tecido ou couro) e no painel da versão 4×4. Os fãs de tecnologia vão gostar do Media NAV Evolution (que continua vindo de série a partir da versão Dynamique), nova geração da central com acesso a rádios online e aplicativos, além de poder ser sincronizado com o recurso de assistência pessoal Siri, caso você tenha um iPhone.

Já o GPS utiliza ondas de rádio em vez da conexão com internet móvel para obter informações de trânsito inicialmente em oito capitais (a Honda oferece uma tecnologia semelhante no HR-V, mas limitada a três cidades). Apesar dessas alterações, algumas características do projeto continuam lá, incluindo os botões dos vidros elétricos improvisados nas laterais das portas e a péssima posição do controle dos espelhos retrovisores, sob a alavanca do freio de mão.

Os motores são os velhos conhecidos 1.6 16V e 2.0 16V, que praticamente não sofreram alterações – a Renault diz que houve um discreto ganho de 0,4 mkgf no torque do motor 1.6 abastecido com etanol. Assim como Logan e Sandero, o Duster ganhou a função Eco-Mode, que limita o torque do motor e o funcionamento do ar-condicionado em nome da economia de combustível. Quem já dirigiu um Duster vai se sentir em casa, notando até uma diminuição no nível de ruído, fruto da redução no barulho do motor a 3 000 rpm e da melhoria do isolamento acústico nas guarnições das portas.

Durante a apresentação à imprensa, a Renault sugeriu que não pretende bater de frente com Renegade e HR-V – esse papel caberia ao Captur, modelo que já esteve no planos da Renault para o país, suspensos tem porariamente devido à alta do dólar. Talvez por isso é que a empresa não tenha mexido na gama de versões do Duster (Expression e Dynamique), oferecendo ar-condicionado, direção elétrica, travas e vidros elétricos e rádio CD com USB de série. A versão Dynamique, aliás, pode vir com piloto automático, câmera de ré e bancos revestidos parcialmente de material que imita o couro.

Até o fechamento desta edição os novos preços não havia sido divulgados, mas a marca antecipava que os valores serão os mesmos praticados atualmente – ou seja, entre R$ 63 490 e R$ 78 490 em março. Escolhendo esse caminho, a Renault reage de forma prudente à chegada dos rivais, evitando o confronto direto com modelos mais modernos e requintados. Quer se firmar no andar de baixo dos SUVs compactos, oferecendo a aparência robusta e a sensação de segurança tão apreciadas neste segmento, mas cobrando menos. Resta saber apenas se o mercado brasileiro também vai enxergar assim.

AVALIAÇÃO

MOTOR E CÂMBIO

Nada mudou no conjunto, que manteve o câmbio de engates imprecisos.

★★★

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DIRIGIBILIDADE

Direção continua pesada, como na maioria dos modelos Renault.

★★★

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SEGURANÇA

Nada de controles de estabilidade ou de tração: apenas os obrigatórios airbag e ABS.★★★

SEU BOLSO

O preço baixo faz dele uma das principais portas de entrada para a categoria.

★★★★

CONTEÚDO

A central multimídia ficou mais moderna: agora conversa melhor com o smartphone.

★★★★

VIDA A BORDO

Nenhum outro SUV do segmento entrega tanto espaço.★★★★ QUALIDADE

Isolamento acústico evoluiu, mas acabamento continua simples demais.

★★★

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VEREDICTO

Motor pouco eficiente e acabamento pobre são amenizados pelo preço baixo. O Duster é uma boa opção para quem não pode levar um SUV mais moderno.

★★★☆

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