Quais os números de venda dos carros esportivos nacionais?

208 GT, Sandero R.S. e Golf GTI arrancam suspiros dos aficionados, mas suas vendas não projetam um bom futuro para os esportivos no Brasil

Peugeot 208 GT x Renault Sandero R.S.

Sandero R.S. e 208 GT: dupla francesa tem prestígio, mas pouco público (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Quando falamos de esportivos, dois sentimentos exalam dos entusiastas brasileiros: a exaltação dos nacionais e a revolta por não termos mais opções por aqui.

Para agradar à quem adere ao primeiro, algumas marcas arriscam e trazem modelos específicos – alguns, porém, não duram muito pelo baixo número de vendas, caso do Civic Si, que praticamente não vendeu em sua última encarnação (cupê) disponível por aqui.

Atualmente, três hot hatches derivados de modelos comuns representam os esportivos nacionais: Peugeot 208 GT, Renault Sandero R.S. e VW Golf GTI. Os números de vendas foram compilados pela consultoria Jato Dynamics.

Será que eles vão bem? De cara, os dois franceses já mostram que não.

Primeiro modelo da divisão Renault Sport fabricado fora da França, o Sandero tem belas credenciais: motor 2.0 16V aspirado de até 150 cv e  20,9 mkgf, sempre com câmbio manual de seis marchas, e ajustes de suspensão e direção bastante elogiados.

Tudo isso por uma relação custo-benefício imbatível no país dos preços exorbitantes: R$ 63.600 iniciais – o mesmo valor de um Hyundai HB20 hatch topo de linha.

Renault Sandero R.S.

Motor 2.0 aspirado com ronco encorpado e suspensão adequada para track-days são os chamarizes do Sandero R.S. (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Mesmo assim, suas vendas ficam bem abaixo do esperado pela marca, que declarou a expectativa de até 200 unidades mensais do modelo na época do lançamento.

De acordo com números disponibilizados pela Jato, o Sandero R.S. vendeu apenas 410 unidades de janeiro a junho. Ou seja, cerca de 68 unidades por mês. Com isso, no acumulado, ele representa 1% das vendas de toda a linha Sandero – foram 39.267 exemplares emplacados no mesmo período.

Peugeot 208 GT

O 208 GT tem um moderno motor 1.6 turbo de até 173 cv e maior refinamento que o Sandero R.S. (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Já o 208 GT tem receita mais moderna e utiliza o eficiente motor 1.6 turbo de até 173 cv e 24,5 mkgf, também com transmissão manual de seis marchas. Em nossos testes, ele levou 8,2 segundos para ir até os 100 km/h a partir da inércia. Mais potente, ele também é mais sofisticado e equipado do que o Sandero, mas também mais caro: parte de R$ 83.990.

Os números do Peugeot são ainda mais tímidos em relação ao Renault, com 120 unidades vendidas no primeiro semestre do ano. A participação na linha 208 é de 2,3%. Isso por causa das vendas menores do 208. No total, entre janeiro e junho, foram emplacados 5.129 exemplares de todas as versões do hatch francês.

Volkswagen Golf GTI

Golf GTI é o esportivo nacional mais caro, mas também o mais vendido (Uli Sonntag/Quatro Rodas)

O Golf GTI, contudo, surpreende. Dos 2.458 Golf vendidos no período da apuração, 315 foram da versão GTI, equipada com um motor 2.0 turbo de 220 cv e 35,7 mkgf, sempre com transmissão automática DSG de seis velocidades. O preço inicial do modelo assusta: R$ 132.250. Com todos os opcionais e pintura perolizada, o valor chega a R$ 161.724!

Peugeot 208 Renault Sandero VW Golf
Esportivo 120 (2,3%) 410 (1%) 315 (12,8%)
Demais versões 5.009 (97,7%) 38.857 (99%) 2.143 (87,2%)
Total 5.129 39.267 2.458

Conclusão: de nada adianta o público implorar por mais esportivos de verdade (e não esportivados) se pouquíssimas pessoas se arriscam a comprá-los. As montadoras, claro, já sabem bem disso.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

  1. Gustavo Melo

    Exatamente. Comprei meu Golf GTI com pacote Exclusive e teto panorâmico em novembro do ano passado e recebi em março desse ano (4 meses depois), o fabricante sabe que a demanda é diferenciada (cerca de 12%). Infelizmente a alta demanda por SUVs de shopping está matando também esse segmento especial. Melhor para entusiastas como eu que terão modelos “exclusivos” com desempenho verdadeiramente “esportivo”, e não falso como algumas versões da Toyota e Hyundai para enganar trouxa. Viajar com o Golf GTI é diversão PURA, a pegada é outra!

  2. Gabriel Medeiros

    Problema é que Brasileiro fica pedindo esportivo mas todo mundo quer comprar usado a preço de banana, ninguém se arrisca a comprar zero, aí dá nisso.

  3. Fabiano Negreiros

    O brasileiro não quer pagar o valor pornográfico que se pede por um carro compacto ou médio ao preço de carros Premiums com motores tão poderosos quanto (senão mais), com muito mais luxo e requinte. Pagar 130.000,00 num Golf? Absurdo.

  4. spam atrapalha

  5. Gabriel Medeiros

    Realmente o Golf é o pior exemplo, por 130 mil se compra um Fusion com motor mais potente e o mesmo 0-100. Mas o 208GT por exemplo, custa o mesmo que um sedã médio ou “SUV” na versão mais básica.

  6. Adriano Rodrigues

    Absurdo um Golf GTI a 132.000,00 e o que me falam de um Corola custa 116.990,00? Fusion anda mais que Golf? Oi? Fora que um Fusion Turbo já custa 125.990,00 e chega 157.290,00 fora que estamos falando de carros esportivos… por favor não falem besteira..

  7. Ricardo Silveira Leite

    Além dos preços, tem os seguros proibitivos, etc… …a verdade, é que no caso do Golf, ele entra na concorrência com marcas Premium (inclusive Audi, da própria VW) e os brasileiros valorizam isso, os que tem grana para pagar, claro.

  8. O mundo está mudando e as pessoas estão cada vez menos interessadas em carros e mais e meio de transporte. Como tal, vemos cada vez mais valorizados ítens como transmissões automáticas e outros ítens de eletrônica. Preferem uma suspensão confortável a uma suspensão competente e com direção precisa. Nos anos 90, a F-40 era o sonho de multidões, hoje seria o pesadelo de milhões.