Perfil: o mecânico especialista em restaurar caminhões militares

Fascinado pela história das Forças Armadas, Marcio Ferreira repara caminhões militares e os coloca para rodar o Brasil

Os preferidos: Mercedes 1977 e o Jeep Kaiser M35A12 1969

Os preferidos: Mercedes 1977 e o Jeep Kaiser M35A12 1969 (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

O mecânico paulista Marcio Ferreira, 52 anos, não quer saber de vida mansa. O negócio dele é dirigir caminhão. De preferência aqueles rústicos dos anos 70, sem ar-condicionado nem direção hidráulica.

E isso nem é o pior: ele já chegou a percorrer 5.000 km ao volante de um desses brutamontes e conseguiu a façanha de trazer um modelo russo sem freios de Goiás até São Paulo. “Tive que ir bem devagar, só usando o freio motor e o freio de mão”, relembra Marcio.

O russo Ural 1979 6×6 sendo preparado para viagem de 12.000 km à Amazônia

O russo Ural 1979 6×6 sendo preparado para viagem de 12.000 km à Amazônia (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Atualmente, ele tem sete caminhões militares e três jipes. “Faz 30 anos que tenho essa paixão. Meu pai era soldado e sempre adorei esse tipo de veículo. Juntei minha fascinação pelas Forças Armadas com meu encantamento por motores e pesados.”

Ele acabou de comprar um russo Ural 1979 6×6, que está na sua lista de preferidos ao lado de um caminhão americano Studebaker US6 1942.

“É um dos modelos mais raros que tenho. É por isso que sua restauração já está demorando mais de oito anos.” Entre os outros queridinhos também estão o americano Jeep Kaiser 1969 e o nacional Mercedes 1519 1977.

Marcio repara um motor de 6 cilindros de 400 cv de um guindaste militar para 5 toneladas

Marcio repara um motor de 6 cilindros de 400 cv de um guindaste militar para 5 toneladas (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Por falar de restauração, ele gosta de dizer que faz questão de colocar a mão na massa na sua oficina. E, quando não encontra a peça original, ele mesmo fabrica o que precisa.

Além do prazer de ver esses caminhões antigos ganharem vida, Marcio adora dirigi-los em passeios com um grupo de amigos. Como todos compartilham a mesma paixão, decidiram criar a equipe Adventure Truck Brasil.

O tcheco Tatra que correu o Rali Paris-Dakar 2007

O tcheco Tatra que correu o Rali Paris-Dakar 2007 (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Ao lado deles, Marcio já fez diversas viagens em comboio, cujo recorde foi com 25 caminhões. “É maravilhoso ver todos aqueles pesados 6×6 passando pelos obstáculos da trilha”, diz.

Sua próxima expedição será a maior: 12.000 km na Transamazônica. “O desafio é grande, mas estamos a bordo de modelos aptos a ir à guerra. Nada pode ser mais desafiador do que isso”, diz o mecânico.

Dos dez veículos, só ele e outros dois vão rodando de São Paulo até o destino final. “O resto do grupo vai de avião e encontrará seus caminhões lá, no início da trilha. Mas eu prefiro enfrentar a viagem no lugar que mais gosto de estar: na boleia dos nossos militares de estimação”, brinca Ferreira.

Quando não encontra as peças de reposição, ele recorre ao seu torno mecânico para construir um a partir do zero

Quando não encontra as peças de reposição, ele recorre ao seu torno mecânico para construir um a partir do zero (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s