Força g nos carros da F1 chega a 6,5. Como isso afeta os pilotos?

Lewis Hamilton foi submetido a 6,5 g durante o GP da Austrália; especialista em medicina automobilística responde se há motivos para se preocupar

Pico de força g foi registrado durante volta de classificação do inglês

Pico de força g foi registrado durante volta de classificação do inglês (reprodução - F-1/Quatro Rodas)

Um episódio impressionante passou despercebido durante o treino oficial do GP da Austrália de Fórmula 1. Durante a volta rápida que lhe rendeu a pole position, Lewis Hamilton foi submetido a uma força g de surreais 6,5 g na curva 11 do circuito de rua de Melbourne. O gráfico comparativo da transmissão indicou um aumento de 1,2 g em relação ao pico registrado na mesma prova da temporada passada.

(para ver o vídeo abaixo, é necessário clicar e abri-lo em uma nova janela, por restrições do YouTube)

O incremento é resultado direto das inúmeras mudanças realizadas no regulamento da categoria, que adotou pneus mais largos e realizou alterações no desenho das peças, aumentando a pressão aerodinâmica e a velocidade dos monopostos em até 40 km/h dentro das curvas.

Diante disso, surgiu a dúvida: mesmo com tanto preparo físico, estariam os pilotos expostos a riscos (ainda) maiores à saúde por conta desse aumento na força g?

“A força G incide sobre o corpo do piloto em três eixos: longitudinal, lateral e vertical, representados pelas letras X, Y e Z. Não há muito problema na adaptação à força exercida nos dois primeiros eixos, mas no eixo Z (que responde pela força no plano vertical, ou seja, da cabeça aos pés) há uma preocupação maior por poder influenciar em fatores como a pressão arterial”, afirma o Dr. Dino Altmann, diretor-geral do GP Brasil de F-1 e cirurgião-geral do Hospital São Luiz.

Dr. Dino Altmann acumula quase 30 anos de experiência em atendimento nas pistas

Dr. Dino Altmann acumula quase 30 anos de experiência em atendimento nas pistas (divulgação/Quatro Rodas)

Pilotos de caças a jato precisam suportar forças de até 9 g por períodos sustentados de até 15 segundos, principalmente no temido eixo Z, quando o manche é puxado para trás ou empurrado para frente. Para que não percam os sentidos, eles vestem macacões anti-g que impedem que o sangue se acumule na parte inferior do corpo. No caso da Fórmula 1, a experiência dura menos, e (com raras exceções, como na Eau Rouge) atua apenas nos eixos longitudinal e lateral.

Mesmo assim, a força g pode ter consequências perigosas no automobilismo. Altmann lembrou da suspensão de uma prova da Fórmula Indy que seria realizada no Texas em 2001. Após ouvir queixas de fortes náuseas e tonturas por parte de todos os pilotos que participaram dos treinos, os médicos concluíram que a inclinação das curvas submetia os atletas a uma força de aproximadamente 5,5 g em 18 dos 22 segundos necessários para completar uma volta – 3 g por longos períodos é considerada o limite para preservar a saúde de um piloto nas provas.

A maioria deles sequer conseguiu completar 10 voltas rápidas em sequência no circuito. Até hoje a etapa do Texas foi a única da história da categoria a ser cancelada por apresentar riscos à saúde dos pilotos.

Veja abaixo (em inglês) a cobertura realizada à época pela ESPN sobre a etapa texana:

Mesmo assim, Dino não acredita que o episódio ocorrido com Hamilton possa ameaçar a integridade do inglês e dos outros pilotos da Fórmula 1.

“Algumas mudanças no regulamento desta temporada, especialmente a adoção de pneus mais largos e o aumento na pressão aerodinâmica dos carros, implicaram no aumento da força g incidida sobre os pilotos. Assim, todos eles precisaram melhorar seu preparo físico e ganhar massa muscular para suportar o desgaste físico durante as corridas. E foi justamente por isso que, apesar de 6,5 ser uma força g significativa, não vejo risco à saúde desses atletas”.

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