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Clássicos: Monza Hatch iniciou a melhor fase da Chevrolet no Brasil

Símbolo de modernidade, ele quebrou tabus e foi a grande cartada da GM nos anos 1980: marcou o início da fase de carros alinhados com a Opel

Por Sérgio Berezovsky Atualizado em 3 out 2020, 21h07 - Publicado em 4 out 2020, 09h00
Marco de Bari/Quatro Rodas

Publicado originalmente em janeiro de 2005

Desde o fim da década de 1970 se falava num novo GM. Um Opala com motor transversal e tração dianteira chegou a ser anunciado por QUATRO RODAS. Ele faria parte de uma nova estratégia mundial da General Motors.

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A ordem era produzir carros menores, com características semelhantes em várias de suas fábricas espalhadas pelo mundo, política inaugurada pelo Chevette.

  • Quando os automóveis compactos de tração dianteira chegarem às lojas, uma nova etapa estará começando, afirmava Karl Ludwigsen, correspondente da revista nos Estados Unidos àquela época. O tal Opala não existiu, mas as previsões estavam corretas.

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    Em novembro de 1979, foi feita uma pesquisa no Clube Pinheiros (SP). Entre os Opala e Chevette da linha 1980, lá estava o Projeto J, embrião do futuro Monza. A expressão carro mundial – um mesmo modelo produzido em várias partes do mundo – era o assunto em pauta.

    Por aqui, a Ford acelerava a implantação da linha de produção do Escort, e a GM, em 1980, já testava o Projeto J no campo de provas de Indaiatuba. Seria o início do fim da defasagem dos carros brasileiros.

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    “Revolução sobre rodas.” Foi sob esse título que a matéria publicada na seção Economia e Negócios da edição do dia 21 de abril de 1982 da revista VEJA noticiava o lançamento do Monza.

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    A reportagem anunciava o carro mundial da GM, fruto de um investimento de 500 milhões de dólares e que teve como base o Opel Ascona alemão. Os alvos primários do hatch da GM eram o VW Passat e o veterano Corcel, que mostrava sinais de exaustão. Mas, para defender seu terreno, a Ford já tinha seu mundial quase pronto: o Escort chegaria no ano seguinte.

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    Em maio de 1982, o aguardado Monza chegava às lojas. Com motor 1.6 de 73 cv e câmbio japonês da Isuzu, estava só alguns meses defasado em relação ao modelo na Europa. Era o segundo nacional com motor transversal (antes dele havia o Fiat 147) e tinha tração dianteira, características inéditas entre os GM nacionais.

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    Exatamente como o carro do advogado Rui Pacheco Bastos, um dos sócios-fundadores do Monza Clube do Brasil. Trata-se de um modelo SLE 1983, exemplar de uma fase em que retrovisor direito ainda era opcional.

    Mesmo dono do projeto mais moderno, o desempenho do Monza não chegou a impressionar no comparativo publicado na edição de julho de 1982. Confrontado com Passat e Corcel, teve as piores marcas nas provas de aceleração e velocidade máxima: fez de 0 a 100 km/h em 17 segundos e ficou nos 147,5 km/h. A indolência demonstrada pelo motor 1.6 acelerou a estreia do 1.8 com 86 cv, já na linha 1983.

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    No tempo em que era chique ter carro a álcool, o bom desempenho dos 96 cv, alimentados pelo combustível preferido pela maioria dos motoristas da época, ajudou o Monza a manter por três anos consecutivos um título inédito para um carro de sua categoria: foi o mais vendido de 1984 a 1986, desbancando o irmão Chevette (campeão em 1983), que por sua vez havia posto fim à hegemonia do Fusca.

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    Nessa fase, o Hatch já contava com a companhia dos irmãos de três volumes, duas e quatro portas.

    Em setembro de 1985, uma versão esportiva do Monza chegava às lojas. O S/R aproveitava as formas do Hatch e incorporava elementos como spoiler, rodas de aro 14 (eram 13 nas outras versões), pintura preta na parte inferior da carroceria e luz de neblina traseira.

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    No interior, os bancos Recaro e a alavanca de câmbio curta envolviam o motorista num clima de esportividade. Tinha suspensão mais dura e motor 1.8 a álcool com tempero especial: carburador de corpo duplo e coletor de admissão e escapamento especiais. Com isso, ganhava 10 cv.

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    A combinação do câmbio com relações mais curtas e diferencial mais longo produziu desempenho interessante. O S/R chegava a 180 km/h e fazia de 0 a 100 km/h em 11 segundos. Em 1987, a chegada do 2.0 à linha Monza alcançou também o S/R, que deixou de ter o privilégio do veneno no motor.

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    O esportivo, o último dos hatches, saiu de cena em 1989. Resistiu bem mais que os hatches SL e SL/E, que foram fabricados até 1986.

    Chevrolet Monza

    Teste – QUATRO RODAS julho de 1982

    Aceleração 0 a 100 km/h – 17 s
    Velocidade máxima – 147,5 km/h
    Frenagem 80 km/h a 0 – 32,3 m
    Consumo – 8,4 km/l (cidade); 13,1 km/l (estrada)

    Preço

    Julho de 1982 – Cr$ 2.196.000
    Atualizado – R$ 169.376 (IGP-DI/FGV)

    Ficha técnica

    Motor: dianteiro, transversal, 4 ciindros, carburador de corpo simples, 1598 cm3 Potência: 75 cv a 5600 rpm Torque: 12,4 kgfm a 3000 rpm
    Câmbio: manual de 4 marchas, tração dianteira

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