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Carros elétricos serão mais baratos que os movidos a gasolina até 2027

Europa verá essa mudança em seis anos, mas no Brasil são os híbridos que estão fazendo a transição para os carros eletrificados

Por Pedro Henrique Oliveira Atualizado em 13 Maio 2021, 21h48 - Publicado em 14 Maio 2021, 08h00
Chevrolet Bolt, Nissan Leaf e Renault Zoe vistos de frente
Bolt, Leaf e Zoe são três modelos elétricos já presentes no Brasil Christian Castanho/Quatro Rodas

Até 2027 os carros elétricos serão mais baratos quando comparados àqueles que utilizam combustíveis fósseis. Pelo menos é isso que aponta um levantamento feito pela BloombergNEF (New Energy Finance) para o Transport & Environment (T&E).

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Este, possivelmente, seria o resultado do impulso dado pelas grandes potências mundiais que, na corrida para reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera, já colocaram data para o fim da comercialização de carros com motor a combustão com o objetivo de reduzir a emissão de poluentes.

Os hatches e sedã médios (segmentos C e D), e SUVs elétricos serão mais baratos que carros movidos a gasolina já em 2026, enquanto, de acordo com o estudo, veículos menores (segmento B) atingirão esse patamar em 2027.

A pesquisa mostra ainda que as vans elétricas leves serão mais baratas que as movidas a diesel em 2025, enquanto as mais pesadas só alcançarão esse nível em 2026. 

Três gráficos que mostram a redução dos preços dos veículos elétricos até 2027.
Gráfico mostra mudança no cenário de preços dos veículos elétricos na Europa BloombergNEF via Transport & Environment/Divulgação

O motivo da redução no preço se dá por conta da previsão de queda do valor das baterias em 58% até 2030. Além disso, a nova arquitetura dos carros elétricos e as linhas de produção dedicadas a eles farão com que os EVs tornem-se mais baratos para os consumidores. 

A pesquisa relata que, caso as agências legislativas da Europa atuem para aumentar as metas de redução de emissões de CO2 junto a medidas de incentivo aos carros elétricos, como instalação de mais postos de carregamento, os veículos movidos a bateria podem atingir 100% de novas vendas em 2035.

A diretora sênior da T&E, Julia Poliscanova, fez uma projeção para a próxima década. “Os veículos elétricos serão uma realidade para novos compradores dentro de seis anos. Eles não são apenas melhores para o clima e para a liderança industrial da Europa, mas também para a economia”, afirma.

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E no Brasil?

A transformação do mercado europeu é uma realidade, mas no Brasil o cenário é outro. Apesar do início de 2021 ter sido o melhor da série histórica, com 7.290 veículos eletrificados (elétricos e híbridos) emplacados, o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Adalberto Maluf, afirma que há como melhorar.

Chevrolet Bolt, Jaguar i-Pace, Nissan Leaf e Renault Zoe vistos de trás
Chevrolet Bolt, Jaguar i-Pace, Nissan Leaf e Renault Zoe são alguns elétricos do mercado nacional Alexandre Battibugli/Quatro Rodas

“Infelizmente, a gente está um pouco desconectado do resto do mundo. Quando falamos que, ano passado, a média mundial de participação dos elétricos nas vendas foi de 4,6%, aqui no Brasil, a participação de veículos elétricos puros foi de 0,3% do total”, explica.

De acordo com o presidente da ABVE, o principal fator que atrasa o mercado interno é a tributação sobre os automóveis movidos a bateria. Ele explica que o regime automotivo brasileiro utiliza “metodologias do século passado ao cobrar por cilindrada e por peso” e, por consequência, penaliza novas tecnologias e a eficiência energética.  

A infraestrutura não é o problema. Em 2019, o país contava com 350 postos de recarga para os veículos. Hoje, de acordo com a ABVE, o número está próximo a 600. Mesmo assim, Adalberto Maluf cita que não há uma “visão de futuro” em relação ao setor automotivo no Brasil.

Veículos elétricos carregando vistos de baixo para cima
O Brasil avançou em 2020 na instalação de postos de carregamento de veículos elétricos, diz a ABVE Alexandre Battibugli/Quatro Rodas

O presidente reforça que falta incentivo para fomentar o setor. “Cada vez mais os governos vêm subsidiando novas tecnologias para fazer essa transição e reduzir a emissão de poluentes. No Brasil, como nós não temos o governo federal induzindo esse processo, o setor não se vê motivado para investir”, disse. 

Embora a ABVE não faça a previsão de quando os automóveis elétricos serão mais baratos do que os movidos a combustíveis fósseis no Brasil, o presidente da Associação diz que o país não ficará para trás. “Acredito que chegue no Brasil um ou dois anos depois por conta da nossa distorção tributária”. 

Toyota Corolla Cross XRX Hybrid flex 2022
Dos 7.290 eletrificados vendidos em 2021, 46% foram fabricados pela Toyota em Indaiatuba e Sorocaba (SP) Fernando Pires/Quatro Rodas

Apesar das possibilidades de melhoria, o setor dos eletrificados apresentou 20% de aumento no primeiro quadrimestre de 2021 quando comparado ao mesmo período do ano anterior. A previsão é de que o mercado nacional deva ultrapassar a marca de 28.000 eletrificados vendidos em 2021. Atualmente há mais de 49.000 veículos desse tipo em território nacional.

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Capa Quatro Rodas Abril
Arte/Quatro Rodas
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