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Brasil exporta etanol de bagaço para deixar carro europeu menos poluente

Etanol de segunda geração, feito do bagaço da cana-de-açúcar, é exportado para abastecer carros na Europa e assim reduzir a emissão de CO2 por lá

Por Isadora Carvalho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 5 jul 2024, 17h49 - Publicado em 5 jul 2024, 17h48

Não é segredo que a solução para descarbonização não é apenas uma. E a eletrificação é só uma delas. É consenso entre os principais líderes mundiais que cada região encontrará um caminho particular para atingir as metas (cada vez mais rígidas) para a redução da emissão de CO2. Esse caminho, contudo, pode estar no Brasil. 

A Europa, em particular, parece ter chegado ao entendimento de que a pluralidade de soluções de descarbonização fará com que cada país atinja as metas de emissões. Esse entendimento faz com que os países europeus sejam os principais compradores do etanol de segunda geração (E2G), produzido no Brasil a partir do bagaço da cana-de-açúcar.

A empresa brasileira Raízen é pioneira e única empresa do mundo a comercializar o E2G em escala global. Exportaram, em junho, a primeira remessa de E2G produzido na planta de Bonfim em Guariba, interior de São Paulo. 

Esta fábrica é a segunda de etanol de bagaço e a primeira está localizada em Piracicaba, também no interior de São Paulo, que já produz 30 milhões de litros de E2G desde 2016. Juntando as duas unidades, podem produzir 112 milhões de litros por ano e todo esse montante já é vendido para 20 empresas da Europa.

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O destino são companhias de energia que usam o etanol para substituir combustíveis fósseis, ou seja, para misturar o etanol na gasolina – o mesmo processo que fazemos no Brasil. Mas enquanto lá a mistura é cerca de 5% de E2G na gasolina por aqui é 27% e ocorre com o etanol de primeira geração.

“O E2G permite uma redução de 80% da emissão de CO2 a cada litro de combustível em comparação com a gasolina, portanto a mistura com o etanol já promove uma redução significativa de emissão de carbono”, diz Raphael Nascimento, diretor de Novos Negócios de Trading na Raízen, em entrevista exclusiva a QUATRO RODAS.

“Criamos um combustível com as mesmas propriedades e utilizações do etanol de primeira geração a partir de materiais que eram descartados e essa é a grande conquista.”

Bomba de abastecimento de etanol.

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Questionado do porque desse interesse das empresas europeias no etanol E2G, Nascimento é categórico em dizer que há uma preocupação por parte dos líderes europeus sobre o uso da terra para geração de energia em detrimento do plantio de alimentos.

“Não é preciso plantar mais cana-de-açucar para produzir o E2G, portanto soluciona essa questão de usar uma terra agricultável para a produção apenas de etanol. E é essa característica que tanto agrada as empresas europeias, além do fato que o etanol de segunda geração tem uma pegada de carbono 30% menor quando comparado ao de primeira geração, que está presente nas bombas de combustível brasileiras”, afirma Nascimento.

O potencial do crescimento da demanda por esse tipo de combustível é exponencial segundo o executivo, pois, segundo ele, é possível aumentar a mistura de etanol na gasolina de 5% para 15% – e só essa mudança já aumentaria muito a necessidade de etanol E2G.

Projeções da própria Raízen apontam que o etanol de segunda geração poderá ser mais viável economicamente a partir de 2025 e se igualar a produção de etanol comum em 2030. É esperada uma ampliação do consumo mundial de etanol, sendo que o nível de aceitação do combustível do bagaço da cana está crescendo em diversos países. 

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O potencial de produção da companhia nos próximos anos será de 2 bilhões de litros de etanol de segunda geração. A empresa prevê um plano de expansão com 20 plantas para os próximos 10 anos. 

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