Carro de rali e de rua: mais semelhanças ou mais diferenças?

É claro que muita coisa é modificada em um carro para ele encarar trilhas insanas de off-road, certo? Saiba que não é exatamente assim que funciona

Participar de uma competição de rali é uma experiência única. Terra, poeira, sol, valetas e todos os obstáculos: a adrenalina está no auge. Agora pense no carro: gaiola de proteção, pneus maiores, suspensões reforçadíssimas. Você já imaginou quanta coisa deve ter sido alterada no veículo para que ele suportasse esse desafio? Na verdade, pode ser bem pouco.

A Mitsubishi L200 Triton ER, por exemplo, apresenta pouquíssimas mudanças em relação ao carro original de rua. Ela é baseada na L200 Triton Flex e disputa a Mitsubishi Cup. Ou seja, esse carro robusto que você vê sendo testado ao extremo nos ralis não é muito diferente daquele que está na sua garagem. Isso é resultado de décadas de experiência da marca em provas off-road – que já conquistou 11 títulos no Rally dos Sertões –, que funcionam como um verdadeiro laboratório.

Mudanças no interior

As transformações mais perceptíveis são no interior do veículo, com a adição dos itens de segurança obrigatórios descritos no regulamento da competição, como extintor de incêndio e gaiola de proteção para os ocupantes. Além disso, são removidos bancos, cintos de segurança originais e forrações. No lugar, entram assentos tipo concha e cintos de cinco pontos. Mas o ar-condicionado fica.

Redução de peso

Normalmente, a carroceria permanece a mesma. “Por vezes, temos a troca de algumas peças por outras feitas de fibra de vidro, como capô, portas e caçamba, no caso de picapes. Há ainda a possibilidade de trocar os vidros laterais e o traseiro por acrílico para reduzir o peso”, afirma Guilherme Spinelli, piloto cinco vezes campeão do Rally dos Sertões e um dos fundadores da Spinelli Racing, empresa que atua nos projetos de carros de competição da Mitsubishi Motors.

Suspensão

Ocorre ainda a substituição de molas e amortecedores originais do conjunto da suspensão por peças mais robustas adequadas ao uso extremo. Também são adicionadas chapas na parte de baixo do veículo para proteger componentes como motor e transmissão.

No rali, dependendo da estrada ou da irregularidade do terreno, pode haver maior demanda do sistema de refrigeração ou das suspensões. “O nível de exigência em um rali é ilimitado, incluindo saltos que podem comprometer a transmissão e a suspensão no impacto com o solo”, relata Spinelli.

Por isso, para atuar em uma competição off-road, o carro de rua é avaliado para analisar melhorias e reforços necessários. “Nos carros da Mitsubishi, ainda que tenham sido projetados para ser usados em condições bem menos agressivas do que em um rali extremo, há um nível de resistência impressionante. Na nova L200 Triton Sport, por exemplo, não foi preciso trocar nenhuma peça para que ela fizesse parte das competições”, aponta o piloto.

Freios e direção

Mesmo os freios a disco ventilados na dianteira e a tambor na traseira, além da caixa de direção hidráulica, são de fábrica. “Na L200 Triton, é tudo 100% original. Em alguns outros modelos, no máximo, são trocadas as pastilhas de freio”, completa. Quanto à direção, Spinelli relata que, às vezes, é adicionada uma peça para reduzir a quantidade de voltas no volante. “Isso não tem nenhuma relação com durabilidade. É apenas uma facilidade para o piloto”, explica.

Os modelos de rali são mais parecidos com os de rua do que se imagina

Os modelos de rali são mais parecidos com os de rua do que se imagina (La Carretera/La Carretera)

Rodas e pneus

Para as competições mais intensas, os pneus são substituídos por modelos com desenho e composição da borracha diferentes, além de mais reforços nas laterais e perfil maior. Se os pneus precisam ser alterados, as rodas também são trocadas. Por outro lado, a L200 Triton ER de rali mantém a medida de 16 polegadas com pneus 235/75.

Powertrain

Bloco, peças e toda a parte mecânica do motor também é 100% original. Nem as relações de marcha são alteradas. A L200 Triton ER possui câmbio manual de cinco marchas e propulsor 3.5 V6 flex 24V, que rende 240 cv de potência e 38 kgfm de torque a 3 500 rpm – os números originais são 205 cv e 33,5 kgfm. Então o que mudou?

“Trocamos apenas a central eletrônica [ECU] por um modelo específico para competição, que oferece melhor leitura das medições. Com isso, conseguimos fazer o remapeamento do motor para entregar mais potência e torque. Mas mecanicamente é tudo igual”, aponta Spinelli. E se o rali envolver travessia de trechos alagados, outra modificação necessária será na entrada de ar, com o uso de snorkel.

Do rali para as ruas

Os carros de rua atualmente já incorporam muitas tecnologias vindas do automobilismo. Dos ralis, os modelos herdam principalmente reforços que ajudam na segurança. Spinelli se lembra de um caso concreto: “Houve uma série especial da L200 no passado que adotava dois amortecedores em cada roda, uma inovação vinda do carro de rali.”

O alto nível de esforço a que os carros são submetidos em uma competição off-road serve também como parâmetro para os modelos que vão para a concessionária. Um imprevisto que possa surgir na competição, por exemplo, é estudado e, se necessárias, as alterações vão também para o carro de rua. Isso significa que não apenas o carro que você usa diariamente está apto a encarar os desafios das pistas, como também foi testado na prática nas condições mais adversas.

Além de ser um extenso campo de testes para a marca, a Mitsubishi Cup, claro, é o rali cross-country mais tradicional do Brasil. Serão sete etapas, totalizando 19 provas em 2018, sendo que as duplas formadas por pilotos e navegadores competirão provas de rallycross (mesclam piso de asfalto e terra), provas de endurance, disputas de tempo e até uma prova noturna. Você pode acompanhar todos os detalhes das etapas pelas redes sociais de QUATRO RODAS e da Mitsubishi Motors. Fique de olho!

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