Para adicionar mais potência e torque a um veículo, normalmente usamos motores maiores. O turbo é útil, mas, uma vez instalado, ganhos extras vêm à base de mais cilindros, mais peso, menos consumo e por aí vai.
Os motores elétricos dispensam essa lógica: a sacada é utilizar supercomputadores que consideram o campo eletromagnético, dando aos projetistas o formato exato que os materiais condutores devem ser enrolados. E a britânica Helix mostra bem o potencial desse método.
A fabricante de propulsores a eletricidade apresentou o SPX177. É o nome do motor elétrico de impressionantes 952 cv, ainda que caiba em uma mochila comum e, incluindo inversores e outras partes de conexão a bateria, pesa só 41 kg.
Ele foi feito para um hiperesportivo inédito, de montadora ainda secreta. Nesse segmento, tração integral é regra, então é provável que haja dois motores no carro, podendo levá-lo a surreais 1.700 cv.
Mas as aplicações desses propulsores também atraem os fabricantes de aviões: o SPX242 é mais leve (31 kg) e tem “só” 517 cv, mas foi pensado nas aeronaves híbridas, que já ganham os céus.
Uma opção é usar o SPX242 em série com o propulsor convencional, dando potência extra a fim de permitir voos mais rápidos e/ou em altitudes maiores. Outra opção é usar o motor a gasolina como gerador.
Operando em faixas mais limitadas de rotação, ele consome menos e fornece eletricidade à nova tecnologia. As modificações da Helix preveem acoplamento mecânico para ambos os casos e, segundo a empresa, seus produtos também servirão aos eVTOLs, a opção mais parecida com os carros voadores que teremos e que, inclusive, serão feitos pela Embraer no Brasil.
Utilidade inesperada
Motores elétricos de altíssima performance vêm dando vida a hiperesportivos que banalizam os 1.000 cv. Mas, agora, também servem ao plano de termos aeronaves mais sustentáveis
Calma nessa hora
Os engenheiros da Helix tiveram grandes desafios para evitar que a monstruosa força magnética de seus motores gerasse calor excessivo. Materiais usados por espaçonaves serviram, ainda, para garantir força centrípeta adequada às partes giratórias, que poderiam explodir.
Solução equilibrada
Aviões elétricos ainda estão longe de solucionar o problema de peso das baterias. O Cessna Grand Caravan da Azul, porém, tem baterias pequenas, já que une o motor elétrico (à direita) ao 18.0 turbo com mais de 700 cv. Cada um deles opera quando é mais conveniente e, dessa forma, o consumo de combustível fica 70% menor.
Em breve no brasil
A Azul foi uma das primeiras empresas a contratar a Ampaire, que desenvolve versões híbridas do Cessna Grand Caravan. Eles devem estrear nos céus brasileiros ainda em 2024 e, com combustível de origem renovável, terão pegada de carbono quase neutra.