Embreagem deslizante

Saiba como funciona a embreagem antiblocante, que acaba com as travadas de roda

Reduções na tomada de curva sem risco de travar

Antes de tratar dessa nova tecnologia, vale reparar uma injustiça. A embreagem só é lembrada pela ausência, quando começa a patinar ou trepidar, já tomada pelo cansaço de vários milhares de trocas de marcha – sintomas de que não vai longe. Nas pistas, ou em uso superesportivo, ela também pode ser lembrada se uma redução forçada de marchas travar a roda traseira e fizer o piloto perder tempo…

A função da embreagem convencional é transferir progressivamente a força do motor para a roda traseira e interromper o fluxo de potência para facilitar a mudança de marchas e possibilitar que ele continue funcionando com a moto parada e a marcha engrenada.

Nos carros, é um disco que acopla e desacopla o movimento do platô a um disco com molas, acionado pelos pedais. Nas motos, pela necessidade de reduzir tamanho e peso, o disco único de embreagem foi substituído por uma série de discos pequenos, mais finos e leves, constantemente banhados por óleo – na maioria dos casos.

A grosso modo, funciona assim: quando você aperta o manete de embreagem, os discos se separam – isolando o eixo-piloto do câmbio do virabrequim e possibilitando que a marcha seja engatada sem tranco.

Quando você solta o manete de embreagem, o sistema de molas faz com que os discos de fricção deslizem até grudarem totalmente. Quando acoplados, todo o sistema vira junto, resultando na transmissão de força.

SLIPPER CLUTCH

A embreagem deslizante ou antiblocante nasceu da necessidade de não deixar a roda traseira travar em reduces rápidas e múltiplas, com a moto em alta velocidade ou altos giros.

Você já sabe como funciona uma embreagem. Imagine as consequências de reduzir de sexta para segunda marcha uma moto de mais de 170 cv chegando numa curva a 12 000 rpm e soltar o manete de embreagem? A roda traseira vai travar e derrapar como se o piloto tivesse pressionado o pedal de freio. É o chamado freio-motor. Essa redução, que até certo ponto pode ser benéfica por encurtar a distância de frenagem, pode desequilibrar a moto quando muito intensa. Ainda por cima sacrifica a vida útil do câmbio e da embreagem.

Antes da invenção da embreagem deslizante, os pilotos profissionais, principalmente de supermotard, evitavam o travamento da roda traseira apertando ou modulando o manete de embreagem nas entradas de curvas. Entrar em uma curva sem a tração do motor na roda traseira, por outro lado, também pode ser fatal.

A marca italiana STM foi precurssora no desenvolvimento de embreagens deslizantes de competição, mas logo foi seguida por muitas outras marcas. Hoje, os sistemas de embreagem deslizante são originais de fábrica para motos com características esportivas.

TAMPA DO REMÉDIO

Você já deve ter visto o sistema das tampas de remédio, aquelas que as crianças não podem abrir. Para impedilas de desenroscar as tampinhas, alguns frascos têm um truque simples. A tampa de rosca precisa ser pressionada para baixo e, então, uma superfície dentada acopla e solta a rosca. Se a tampa for torcida em sentido contrário, ela gira em falso e o frasco não abre.

Na moto é quase igual: a campana externa que abriga os discos é dividida em duas peças. A coroa que se conecta ao virabrequim está separada do corpo principal que envolve os discos, as molas e a campana interna.

Quando o conjunto está virando no mesmo sentido do eixo do virabrequim, tudo funciona normalmente, levando tração à roda traseira.

Quando, em uma reduzida violenta, a roda traseira exerce intensa força em sentido contrário ao que o sistema todo estava virando, o corpo principal escorrega para fora exatamente por esses planos inclinados, ou rampas, deixando a coroa ligada ao virabrequim imóvel. Um conjunto de molas diferentes das tradicionais trabalha de tal forma que quando o sistema se movimenta os discos se separam. Variando as molas internas, pode-se ter um sistema mais ou menos atuante.

O conjunto só desliza quando o eixo do câmbio trava e tenta desacelerar o virabrequim. Ao deslizar e desembrear, faz o trabalho que o piloto teria de fazer no manete, evitando a derrapagem da roda traseira. Nós não iríamos gostar se o sistema deslizasse também nas acelerações. Quando isso acontece, está na hora de trocar os discos e verificar a tensão da mola. E, certamente, você vai se lembrar da embreagem.

PATINAR É BOM

Embreagem deslizante, slipper clutch, desacopla ao enfrentar o tranco do câmbio.

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Acima, embreagem deslizante com discos a seco da Bimota DB7: a capa de fibra de carbono força a ventilação. Nas reduções intensas, a roda traseira pode girar o sistema na direção contrária à do movimento do motor. Nesse caso, a embreagem deslizante desacopla: as rampas afastam a coroa ligada ao virabrequim, afastando os discos na campana.

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