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Peugeot 2008 1.6 VTi

Ele tem produção garantida no Brasil e mostra aptidão para brincar de off-road

Por Joaquim Oliveira Atualizado em 9 nov 2016, 01h35 - Publicado em 9 jul 2013, 18h49
impressoes

A produção do 208 no Brasil trouxe na bagagem outra vantagem ao mercado: como usa a mesma base do hatch, o SUV compacto 2008 será montado na fábrica de Porto Real (RJ) a partir do ano que vem, para concorrer com Ford EcoSport, Renault Duster e, no futuro, o Renault Captur. Aliás, a receita da Peugeot para criar seu novo 2008 não é diferente do que fez a Renault com o Captur (que também dirigimos nesta edição, na pág. 58). A altura do solo cresceu em 2,5 cm em relação ao 208, o que permite abordar com confiança asfalto acidentado ou estradas de terra leve.

Tal como o 208, este pequeno SUV é mais compacto: dispõe de menos 4 cm em comprimento do que o Captur e o Nissan Juke (que usam a mesma base rolante) e é 9 cm mais curto que o Chevrolet Tracker/Trax. Mas, em relação ao hatch que lhe dá origem, acrescenta 20 cm em comprimento e 10 cm em altura, enquanto mantém a largura inalterada. Essas medidas são fundamentais para criar a silhueta da moda e também estão na origem do aumento da capacidade do porta-bagagens, que supera em 19 litros o do 208 (passou de 319 para 338 litros) e em 39 litros o compartimento de carga do Captur.

Olhamos o 2008 e torna-se logo evidente que seu design é mais conservador e menos inspirado que o do Captur. Bastava contabilizar as cabeças que viravam ao passarmos nas ruas: mal dava para contá-las quando rodávamos com o Captur, enquanto no Peugeot poucas pessoas ao menos percebiam que se tratava de um carro novo, já que na parte dianteira ele é muito próximo dos outros modelos Peugeot. Sem o fator “uau” (muito importante neste segmento), o 2008 responde, porém, com outros argumentos.

A começar dos materiais utilizados no painel, com uma faixa transversal de revestimento suave e, no seu conjunto, melhores acabamentos e ligações mais sólidas entre as peças. Depois, voltamos a encontrar o minivolante que estreou no 208, que gera reações polarizantes – ou se adora por ser muito simples de manusear, ou se detesta por, em alguns casos, obstruir boa parte da instrumentação.

A altura é suficiente para quem tem até 1,85 metro, mas, se for necessário levar com frequência alguém maior, desaconselhamos a escolha do opcional teto panorâmico, que rouba centímetros preciosos no espaço para a cabeça. Comparado ao Captur, o banco traseiro perde ao não permitir regulagem da posição longitudinal, para aumentar o porta-malas ou o espaço das pernas. Mas ganha no encosto, que rebate ao mesmo tempo que os assentos descem, criando uma plataforma de carga totalmente plana.

Na cabine, agrada a posição de dirigir mais elevada que no 208, a nova alavanca do freio de mão de design estilizado e o efeito de anfiteatro gerado pelo banco traseiro mais alto que os dianteiros.

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Tal como plataforma, entre-eixos e arquitetura de suspensões, também a linha de motores é a mesma da linha 208. Em nosso test-drive na Alsácia, na França, dirigimos o 1.6 VTi de 120 cv, que se mostrou muito suave e progressivo desde as médias rotações, em parte porque o peso do 2008 é baixo, com 1 080 kg. O câmbio é rápido, mas poderia ser um pouco mais preciso, ao passo que o funcionamento da direção assegura a diversão ao volante.

Se há parâmetro em que o 2008 se destaca da concorrência direta, é no conjunto chassi/transmissão. O trabalho para endurecer as molas e os amortecedores foi feliz, pois o 2008 tem um comportamento muito firme em curvas, sem inclinações excessivas da carroceria, quase como se fosse um hatch, num comportamento muito semelhante ao do Renault. O diferencial está no controle de aderência, que é de série só nas versões topo de linha. Ele muda a personalidade do 2008, que deixa de ser um carro urbano para ganhar atributos de off-road moderado. O dispositivo aumenta a tração em terrenos de baixa aderência, adaptando o controle de tração e variando a distribuição de torque entre as rodas dianteiras, dentro de cinco ajustes: normal, neve, lama, areia e ESP desligado. O sistema implica sempre a opção pelo pneus do tipo lama/neve.

Em nossa avaliação, o conjunto permitiu que o 2008 passasse por terrenos contraindicados a veículos 4×2 e, nos trechos com muita lama ou mesmo água e areia, ele continuava a atravessar os obstáculos tranquilamente. Mas gostaríamos de ter experimentado o recurso sem o pneu lameiro, para saber de quem é o maior mérito. O recurso é idêntico ao do 3008 e flexibiliza muito o funcionamento do eixo dianteiro: em asfalto, intervém logo que sente que existe perda de tração, travando a roda que gira em falso. Na neve, as rodas podem patinar, mas é limitado o giro do motor, para não interromper o avanço do carro, aproveitando sua inércia, mas sem que as rotações excessivas provoquem instabilidade. Dirão os puristas que esse tipo de pneu pode prejudicar as frenagens em asfalto e limitar a aderência. Porém, em nosso test-drive, não sentimos grandes diferenças. Contudo, a marca admite que sua durabilidade é cerca de 15% mais curta que a dos pneus normais.

Em suma, a Peugeot desistiu de fazer uma perua 208 para mirar no segmento da moda. O 2008 é estilisticamente discreto, mas oferece mais qualidade no interior, funcionalidade equivalente, mais volume no porta-malas e uma condução até divertida. E ainda supera seus concorrentes quando precisa encarar um pouco de terra e lama.

VEREDICTO

Produzido no Brasil e compartilhando o ótimo conjunto do 208, o 2008 não terá problemas para cativar quem procura um SUV compacto que agrade no asfalto e na terra.

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