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Mercedes C 180 x BMW 320i Active Flex

Até o início de 2015, BMW 320i e Mercedes-Benz C 180 serão fabricados no Brasil. Mas o primeiro combate acontece agora

Por Péricles Malheiros 11 nov 2014, 17h47
comparativos

Eis os donos do pedaço no mercado de luxo no Brasil: Mercedes Classe C e BMW Série 3. Rivais antigos, eles poderiam estar na companhia de outro alemão, o Audi A4. Mas, atualmente, a marca das quatro argolas está centrando fogo em outro campo, o A3 sedã, cujos correspondentes diretos são o Mercedes CLA e a futura versão sedã do BMW Série 1. Ou seja, o Fla-Flu do segmento de luxo ainda é o mesmo. E os escalados são as versões que jogam melhor: 320i Active Flex e C 180. Ambos estão prestes a ganhar cidadania brasileira, o BMW até novembro, segundo uma fonte ligada à marca, e o Mercedes no primeiro trimestre de 2015.

A Classe C, cuja nova geração acaba de estrear no mercado brasileiro, até tem a versão C 200, com motor 2.0 turbo, a mesma receita adotada no 320i – ambos com 184 cv. Mas sua participação no mix de vendas é baixa, assim como a da topo de linha, C 250, com 211 cv. A BMW, por sua vez, tem o 316i, que, como o C 180, tem motor 1.6 Turbo. Mas a explicação para o comparativo com modelos de motorização diferente passa por um ponto crucial: preço.

O C 180 e o 320i considerados neste confronto custam, respectivamente, R$ 138 900 e R$ 134 950 – no caso do BMW, o valor pode subir, dependendo do conteúdo, para R$ 143 950 ou R$ 164 950. Feitas as apresentações, que comece o jogo.

Mercedes C 180

A geração anterior da Classe C já era boa de briga no mercado. Porém, para entender melhor a nova, é preciso passar uma borracha na que ficou para trás. Está tudo completamente novo. A começar do estilo. Na dianteira, a grade que remete ao esportivo SLS sintoniza o carro com a nova identidade visual da marca. Os faróis com uma onda de leds de uso diurno dão o toque de modernidade. No perfil, as portas vincadas causam impressão de dinamismo. Sem invadir a tampa do porta-malas, a lanterna, apesar dos leds, dá o tom mais austero – para não abrir mão de vez da elegância em nome da esportividade.

Na cabine, a tela que mais parece um tablete fixado sobre as saídas centrais de ventilação destoa do painel. O C 180 será vendido com duas opções de padrão de acabamento interno: madeira na Exclusive e preto brilhante na Avantgarde.

Se a Audi se firmou como marca premium por adotar um perfil jovem, vanguardista e tecnológico, a Mercedes, sem abandonar suas raízes, contra-atacou com a nova Classe C. De um grafismo mais dinâmico no painel de instrumentos ao touch-pad (espécie de mouse fixo sensível ao toque dos dedos) no console central. Itens incompatíveis com a marca da estrela até pouco tempo atrás.

Na pista, deu a lógica. O BMW 320i, com seu motor maior e mais potente, promoveu um massacre nas provas de aceleração de 0 a 100 km/h (7,1 ante 9,2 segundos) e retomadas de velocidade (5,1 contra 6,4 segundos na prova de 80 a 120 km/h). O troco do C 180 veio em algo cada vez mais valorizado pelo consumidor, mesmo os de carros de luxo. No circuito urbano, o Mercedes roda 2 km a mais que o BMW com 1 litro de gasolina: 12,5 ante 10,5 km. E faz isso com mais conforto, uma vez que sua suspensão tem acerto menos esportivo que a do rival.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

Suspensão e direção trabalham com suavidade, sem desconectar o carro do piloto.

MOTOR E CÂMBIO

Casado com o câmbio automático de sete marchas, o 1.6 turbo confere baixo consumo de gasolina ao C 180.

CARROCERIA

A Classe C conseguiu se modernizar sem perder o estilo clássico.

VIDA A BORDO

Ajuste manual de distância do banco do motorista e falta de sensor de ré são faltas graves no C 180.

SEGURANÇA

Airbags frontais, laterais, do tipo cortina e até de joelho para o motorista, detector de sonolência, controles de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa. Tudo de série.

SEU BOLSO

Quase empata com o rival em preço, perde em desempenho e dá uma lavada em consumo

320i Active Flex

Uma das principais diferenças do BMW está no nome: ele é flex. E, como o Mercedes, tem injeção direta de combustível e turbo. Fontes ligadas à marca da estrela, aliás, garantem que a versão nacional do C 180 será flex.

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Os sedãs da Série 3 vivem situação oposta aos da Classe C. A atual geração (F30) foi lançada em 2012. Nem é tão antiga assim, mas a questão é que ela nasceu muito parecida com a anterior (E90), de 2005, o que causa a impressão de que o modelo atual começa a ficar datado – sensação agravada quando o novíssimo Classe C está parado ao lado. Mas é preciso ser justo: os para-lamas alargados, o perfil com linhas ascendentes e, principalmente, os “angel eyes” (olhos de anjo) dos faróis continuam atraentes. A cabine, porém, não disfarça mais a idade. Da disposição e do layout dos comandos no volante às teclas do sistema de som e do ar-condicionado, quase tudo no interior é mais obsoleto do que no Mercedes – ou passa essa impressão.

A fama de ter dirigibilidade mais quente que a do Classe C se mantém. O controle de estabilidade é

menos conservador: dá para sentir a traseira do sedã querendo escapar. A sensação de força é mais presente no 320i e a resposta ao volante, mais imediata. O C não é sonolento. O 3 é que é esquentadinho.

Quanto ao espaço interno, ambos se equivalem, mas há um pouco mais de conforto para quem viaja atrás no Mercedes: o encosto é mais inclinado e o túnel central, um pouco mais baixo.

O perfil do comprador de automóveis mudou muito nos últimos anos. Com o preço do etanol em alta, o 320i flex perde o que poderia ser um bom argumento de venda para conquistar quem põe o consumo de combustível no topo da lista de prioridades. E perde também o comparativo. O Mercedes leva a melhor e deixa uma lição. Não basta ser moderno. É preciso parecer moderno.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

A suspensão tem ajuste firme, em sintonia com a proposta mais esportiva da Série 3 diante da Classe C.

MOTOR E CÂMBIO

Com uma marcha a mais, o câmbio de oito velocidades tem trocas rápidas, mas faltam as borboletas no volante.

CARROCERIA

Perto do rival, o 320i parece estar uma geração atrás. E está.

VIDA A BORDO

A cabine é completa, mas o layout conservador do painel e do quadro de instrumentos deixa o clima melancólico.

SEGURANÇA

Tem sensor de ré, que o C 180 não tem. Mas o airbag de joelho, que no rival protege o motorista, ficou de fora no 320i.

SEU BOLSO

Está longe de ser um poupador de combustível. Em troca, é uma das melhores compras para quem gosta de dirigir esportivamente.

VEREDICTO

Se o bom comportamento em condição de dirigibilidade esportiva está no topo da sua lista de prioridades na hora de comprar carro, inverta o resultado do comparativo e vá de 328i. O C 180 atende ao perfil da maioria, que tem foco em equipamentos, modernidades e consumo.

Confira a ficha técnica dos modelos

Confira o desempenho dos modelos

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