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Comparativo: Hyundai Santa Fe x Land Rover Discovery Sport x Jeep Grand Cherokee

SUVs de escolas distintas para quem quer fugir do ensino alemão

Por Ulisses Cavalcante 20 Maio 2015, 13h26
comparativos

Sou um entusiasta de carros alemães. Eles são quase perfeitos. É difícil encontrar uma peça sem função ou um botão fora do lugar em que deveria estar. Vem da Alemanha a ideia de não submeter a engenharia ao design. Não é à toa que os automóveis germânicos são os mais eficientes do mundo. Mercedes-Benz GLK, Audi Q5 e BMW X3 representam a potência europeia entre os SUVs médios de luxo, mas ainda há terreno para explorar. É nessa brecha que entra o recém-chegado Land Rover Discovery Sport, em cuja categoria também orbitam Santa Fe e Grand Cherokee. Eles representam escolas diferentes para fugir da cartilha germânica. Enquanto o coreano mimetiza a maciez americana e aposta no preço inferior, o Cherokee ainda aposta na máxima daquele país: quanto mais potência, melhor. Isso explica seu V6 3.6 de 286 cv. Já os ingleses, por sua vez, elevam a nota de corte na qualidade de acabamento e no uso de materiais nobres. Os três são provas vivas de que a cultura alemã merece respeito, mas nem por isso é uma escolha tão óbvia.

3º Jeep Grand Cherokee

Ele já foi referência da categoria, mas perdeu força perante os novos rivais. Ainda assim, preserva qualidades inegáveis: espaço, conforto e muitos itens de série

Embora tenha o motor mais forte do trio (um V6 3.6 de 286 cv), o Grand Cherokee pesa mais de 2 toneladas (2 211 kg). E é o mais beberrão da turma – três características que o consumidor está reconsiderando. Dos três, só o Jeep não dispõe de sete lugares. Mas leva cinco aonde os rivais não vão. Com ângulo de entrada (26,3 graus) e de saída (26,5) acentuados, e tração 4×4 em tempo integral com reduzida, detecta sozinho o nível de aderência das rodas e distribui a força entre os eixos. O recurso Selec Terrain permite que o condutor altere o comportamento do carro escolhendo o tipo de terreno (areia, lama, neve ou pedra).

No ano passado, a Jeep substituiu a transmissão de cinco marchas pela de oito. A mudança melhorou a aceleração (de 10,2 para 9 segundos na prova de 0 a 100 km/h), mas causou pouco impacto nas retomadas. O consumo quase não mudou: melhorou de 7,1 para 7,4 km/l na cidade e de 9,5 para 9,6 km/l na estrada.

Por dentro, é o mais espaçoso e confortável da trinca. Tem assentos largos, superfícies agradáveis ao toque e um quadro de instrumentos configurável com tela de 7 polegadas. No centro do painel, o monitor touch é quase um tablet: tem 8,4 polegadas. O sistema de entretenimento traz leitor de Blu-ray e duas telas traseiras de alta definição de nove polegadas, com entradas auxiliares HDMI e RCA.

Para a quinta geração do Grand Cherokee (que deve ser lançada em 2017 e chega ao Brasil apenas no começo do ano seguinte), a Jeep também precisará ficar mais atenta: o jipão aí das fotos já passou por seis recalls desde 2010.

2º Hyundai Santa Fe

Coreano carrega sete, é atraente, conta com um bom pacote de equipamentos e custa menos. Mas não tem o mesmo requinte dos adversários e peca nos detalhes

A Hyundai é uma especialista em mercado americano. Estudou o país, arrumou emprego e hoje tem até visto permanente: seus sedãs inundaram as garagens daquele país. E o currículo do Santa Fe mostra competências para trilhar o mesmo caminho, já que esse coreano parece ser mais americano que o Jeep. Tem suspensão macia, direção elétrica excessivamente leve e motor V6 silencioso. Mas seus 270 cv garantem agilidade suficiente para levar os 1 773 kg como se fosse um carro menor.

Outro mérito curricular é o 4×4 sob demanda. A tração é prioritariamente dianteira, mas até 50% da força pode ser enviada para o eixo traseiro conforme o tipo de terreno. E, ao comando do motorista, um botão no painel permite o bloqueio do diferencial – recurso útil em pisos de baixa aderência e em uso off-road.

Quando chegou ao mercado, o Santa Fe aposentou o Veracruz, ganhando versões de cinco e sete lugares. Nas fotos, vê-se a segunda opção, cujo porta-malas cai de 585 para meros 178 litros com a última fileira levantada. Por R$ 176990, ainda que seja o mais barato do trio, não chega a ser a melhor compra. O Grand Santa Fe é maior (491,5 cm ante 469), tem 10 cm a mais de entre-eixos e custa R$ 189 990 – ainda menos que as versões top do Jeep e Land Rover. Se você não precisa carregar tanta gente, mire na configuração de cinco lugares. Parte de R$ 157 990, valor que inclui airbags laterais, bancos de couro com aquecedor, teto solar, faróis de xenônio, bancos elétricos, assistente de descida e sistema de navegação com tela de 8 polegadas. Tudo isso torna o Hyundai uma quase pechincha perto dos rivais de língua inglesa.

1º Land Rover Discovery Sport

Dono de um acabamento impecável e adepto do downsizing (é o único com motor 2.0 turbo), esse inglês representa uma nova geração de SUVs de luxo

O clima na Land Rover deve ser de apreensão. Na esteira do sucesso do Evoque, o novo Discovery Sport tem uma missão ainda mais difícil: substituir o Freelander – o veículo mais vendido da marca.

No limiar entre a opulência do Range Rover e o arrojo do Evoque, o Sport é o SUV compacto mais atualizado do momento. Abre mão do tradicional V6 por um quatrocilindros sem comprometer o desempenho (tem 240 cv) e carrega sete em meros 459,9 cm de comprimento – quase 10 cm a menos que o Santa Fe. Também é relativamente econômico: faz 7,5 e 11 km/l na cidade e estrada, preservando o desempenho equivalente ao do rival coreano e seu V6 3.3.

O trunfo está debaixo do capô: um 2.0 turbo, que trabalha em conjunto com uma caixa automática de nove marchas e tração 4×4. Dotado da tecnologia Terrain Response, conta com os mesmos programas de terreno dos irmãos maiores (grama, cascalho, neve, lama e areia). Mas é pouco provável que o dono de um Discovery Sport vá se arriscar na lama. Tanto é que, ainda este ano, uma versão 4×2 chegará às lojas. Urbano, este Land é pequeno, ágil para manobrar e bemequipado. O visual do interior é minimalista, mas os poucos comandos escondem funções que a maioria dos rivais não tem, como o Park Assist.

Avaliamos a versão top (HSE Luxury), que parte de R$ 232 000. Vem com faróis de xenônio, rodas aro 19, ar de duas zonas, bancos de couro legítimo e GPS. Mas é a versão de entrada (SE) que deve conquistar os interessados em um Santa Fe ou um modelo alemão. Por R$ 179 900, é a melhor alternativa para quem não quer estudar no Instituto Goethe.

AVALIAÇÃO DO EDITOR

MOTOR E CÂMBIO

Não dá para negar a eficiência do motor 2.0 do Land Rover, mas o prazer ao guiar um V6 é também inegável. Nove ou oito marchas fazem bonito na ficha técnica. No entanto, o câmbio de seis velocidades do Hyundai é igualmente competente.

DISCOVERY: ★★★★☆

SANTA FE: ★★★★

G. CHEROKEE: ★★★★

DIRIGIBILIDADE

O Santa Fe não sofre com falta de estabilidade, mas a forte inclinação da carroceria nas curvas desagradou alguns na redação. O Discovery é o que mais se aproxima de um carro comum. O Jeep surpreende por oscilar menos do que se espera de um modelo americano.

DISCOVERY: ★★★★

SANTA FE: ★★★☆

G. CHEROKEE: ★★★☆

SEGURANÇA

O Land Rover oferece cinco airbags. O Hyundai vem com faróis de xenônio direcionais e encostos de cabeça ativos. Todos têm controle de tração e estabilidade, com assistente de rampa e freios ABS com EBD.

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DISCOVERY: ★★★★☆

SANTA FE: ★★★★☆

G. CHEROKEE: ★★★★

SEU BOLSO

Nenhum custa pouco. Mas o coreano é o que oferece mais por cada real gasto. O inglês tem ar de novidade e também oferece alto nível de conforto pelo que custa.

DISCOVERY: ★★★☆

SANTA FE: ★★★★

G. CHEROKEE: ★★★

CONTEÚDO

O inglês e o americano dosam a quantidade de equipamentos em versões. O Santa Fe vem em versão única – sem opcionais.

DISCOVERY: ★★★★☆

SANTA FE: ★★★★☆

G. CHEROKEE: ★★★★☆

VIDA A BORDO

O Grand Cherokee sabe agradar os ocupantes. Focado em conforto e silêncio ao rodar, tem até vidros laterais laminados. Já o Discovery preza pela comodidade: ergonomia impecável, poucos botões e recursos para facilitar a vida do motorista, como o Park Assist. O Hyundai tenta convencer pelo visual ousado.

DISCOVERY: ★★★★☆

SANTA FE: ★★★★

G. CHEROKEE: ★★★★☆

QUALIDADE

Neste quesito, a ordem de posições se inverte. O Santa Fe fica para trás por causa do excesso de plásticos duros na cabine. É o oposto do Cherokee e Land Rover – sobretudo o inglês. Enquanto o Jeep abusa das superfícies macias e telas de alta resolução, o britânico aposta na escolha de materiais nobres e encaixes impecáveis.

DISCOVERY: ★★★★☆

SANTA FE: ★★★★

G. CHEROKEE: ★★★★☆

VEREDICTO

A concepção moderna do Land Rover definiu a vitória, mas os motores V6 têm seu valor: são muito agradáveis para dirigir. E ainda não é mau negócio resistir aos novos tempos. Isso faz do Hyundai uma compra interessante, sobretudo pelo menor preço. Mas, se quiser um Jeep, melhor esperar o ano que vem.

DISCOVERY: ★★★★

SANTA FE: ★★★★

G. CHEROKEE: ★★★★

Confira a ficha técnica dos modelos

Confira o quadro comparativo de testes

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