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BMW Active Tourer

Um BMW minivan, com tração dianteira e três cilindros? Sim, ele existe, mas é melhor do que você está pensando

Por Joaquim Oliveira Atualizado em 8 nov 2016, 17h23 - Publicado em 24 fev 2015, 17h42
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Os BMW sempre tiveram duas características marcantes: tração traseira e comportamento esportivo. Pense no que um fã dirá ao saber que a marca lançou pela primeira vez na sua história um veículo com tração dianteira, uma minivan e um motor de três cilindros. É pior ainda: as três novidades chegam juntas no mesmo carro, que atende pelo nome Active Tourer. Na teoria, nada podia estar mais longe do DNA da empresa do que esse modelo, que chega ao Brasil este ano. Isso pode parecer ainda mais estranho ao lembrarmos que o mercado está migrando das minivans para os SUVs. No caso dos alemães, não se trata de tirar o pé dos utilitários, mas sim de aumentar a oferta. Por quê? Segundo Frank Niederlander, diretor de veículos compactos, há um cliente desse segmento que nunca pensou num BMW. “É alguém que quer interior mais funcional e exterior compacto, mas aceita pagar pela imagem de marca, por sua qualidade superior e por uma boa experiência ao volante.”

O design do Active Tourer não seduz à primeira vista, nem parece que causará aquele desejo de ter um, como em qualquer BMW. A dianteira com a típica grade de duplo rim possui a cara da marca, mas a traseira destoa do conjunto. Parte da falta de personalidade vem da plataforma de tração dianteira, a mesma do novo Mini, que gerou um veículo de proporções diferentes dos irmãos de tração traseira. Ruim para o comportamento ao volante, ótimo para reduzir custos e otimizar espaço interno e porta-malas num veículo familiar de apenas 4,34 metros, o mesmo que um Renault Logan – a posição transversal do motor e a eliminação do diferencial traseiro ajudam a liberar espaço na cabine.

No interior, elogios para a qualidade de materiais, as soluções para os diversos porta-objetos e a

possibilidade de deitar o encosto do passageiro dianteiro. Já o porta-malas (468 litros) é menor que o dos rivais (486 no Mercedes Classe B e 500 no VW Golf Sportvan). Não chega a compensar o fato de poder ampliar o porta-malas avançando até 13 cm cada um dos três assentos traseiros – os outros fazem o mesmo e melhor (16 cm no Mercedes, 18 no VW). O Active Tourer permite rebater os encostos traseiros por inteiro ou em três partes (40/20/40), manualmente junto às portas traseiras ou eletricamente por um botão perto da tampa do porta-malas. Esta, por sua vez, tem acionamento elétrico e até pode abrir sozinha ao passarmos o pé sob o para-choque.

A minivan tem espaço para cinco, mas quatro é o ideal, pois o passageiro traseiro do meio sofre com o assento mais estreito e o túnel no piso. Além disso, os bancos de trás são mais altos que os da frente.

Ao volante, fica evidente certo ar de Mini. O sistema que projeta informações numa transparência sobre o painel (como no Peugeot 3008), a profusão de botões no meio do painel e até os comandos no teto não escondem sua origem. A posição de dirigir é alta (11,6 cm mais que no Série 1 e 3 cm mais que no X1), como é normal num monovolume, e garante visão privilegiada da estrada. A regulagem em altura do banco e em profundidade e altura da direção contribui para a ótima posição de dirigir. No lançamento internacional, na região do Tirol (Áustria), avaliamos o 225i Active Tourer, equipado com um motor 2.0 turbo de 231 cv – a versão de entrada será a 218i, com o novo 1.5 turbinado de três cilindros e 136 cv. Se você quer sentir um gostinho de BMW, deve selecionar o modo Sport ou Sport+, que na versão automática altera o câmbio, além do acelerador e da direção. O comportamento torna-se ainda mais ágil quando se escolhem os amortecedores adaptativos eletrônicos (opcionais), que em modo Sport tornam o Active Tourer bem mais estável nas curvas (e mais sensível ao asfalto ruim).

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A suspensão consegue dar à minivan um pouco do caráter dos BMW de tração traseira, apesar da

distribuição de peso ruim (58% na frente e 42% atrás). Ou seja, em certas condições dá para brincar

de arriscar uma leve saída de traseira na curvas. A direção direta e precisa tem ótimo desempenho e

quem quiser mais emoção pode escolher o opcional Servotronic, que varia a assistência em função da

velocidade, ou o sistema que altera a desmultiplicação (o volante dá mais voltas em uma baliza e menos em altas velocidades). Ao vermos os números de desempenho, percebemos que a minivan faz jus à estirpe: atinge 240 km/h e vai de 0 a 100 km/h em apenas 6,6 segundos, segundo a fábrica. O torque de 35,7 mkgf permite retomadas convincentes não só pelo turbo de duas fases como pelo excelente câmbio automático de oito marchas, com borboletas atrás do volante para garantir a diversão. É aqui que o Tourer prova que, apesar de destoar do restante dos irmãos, ainda faz parte da família BMW.

VEREDICTO

Ele agrada quem precisa do espaço e da funcionalidade de uma minivan, oferecendo ainda as excelentes direção e qualidade geral da BMW, além de uma suspensão que tem um quê de esportividade.

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