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Tecnologia embarcada aumenta chances de perda total em acidentes

Valor do reparo de airbags, sensores e faróis modernos pode inviabilizar o conserto

Por Henrique Rodriguez - Atualizado em 18 Maio 2017, 16h39 - Publicado em 18 Maio 2017, 12h44
Em carros modernos, custo de reparo de uma leve colisão pode superar o valor do carro Christian Castanho/Quatro Rodas

Em tempos de airbags frontais e freios ABS obrigatórios em carros novos, equipamentos como controles de estabilidade e tração, piloto automático adaptativo e câmeras de pontos cegos estão mais comuns. Nunca dirigimos carros tão seguros. Mas a probabilidade de perda total em acidentes nunca foi tão grande.

É o que diz a seguradora norte-americana Risk Theory. Hoje uma colisão frontal não afeta apenas carroceria, faróis e fura o radiador. Mesmo em carros de entrada também será necessário trocar airbags e sensores posicionados na frente do carro.

Há um paradoxo: quanto mais tecnologia o carro tem, mais seguro ele é – só que mais caro serão os reparos, a ponto de tornar o conserto desvantajoso para as seguradoras.

Para um carro ser seguro ele deve garantir a integridade do habitáculo. A tendência é que a frente absorva todo o impacto Divulgação/Volvo

Vice-presidente sênior da seguradora, Bob Tschippert explicou ao Automotive News que anos atrás, nos EUA, a troca dos airbags dianteiros não passava dos 1.000 dólares. Em carros de hoje, com mais de seis airbags, o custo da substituição passa dos 4.000 dólares.

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Airbags não são culpados sozinhos. Em carros mais sofisticados, com faróis de xênon ou led, câmeras de pontos cegos, piloto automático adaptativo (que depende de câmeras, sensores e radar) e quase uma dezena de airbags o valor do reparo ultrapassa facilmente os cinco dígitos.

Quer um exemplo? Um único farol do Volvo S90, um dos carros mais seguros da atualidade, integra conjunto de leds, motores elétricos e dissipadores de calor. Tudo isso tem um preço: 2.200 dólares, valores que se multiplicam no Brasil, onde o moderníssimo farol matrix led de um Audi pode ultrapassar os R$ 15 mil. 

Cada farol do Volvo S90 custa 2.200 dólares nos EUA Divulgação/Volvo

De acordo com a Risk Theory, quem vai se dar bem com esta tendência são os ferros velhos. Eles receberão os carros relativamente íntegros declarados como perda total pelas seguradoras. E tendem a ser a opção para manter estes carros mais sofisticados rodando por muitos anos – nos EUA, o número de leilões de veículos sinistrados nunca foi tão grande.

Quem tem ou teve um importado de luxo mais antigo sabe que é assim que as coisas já funcionam. 

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