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Salva-vidas do asfalto

Grupos de voluntários prestam o primeiro atendimento às vítimas de acidentes de trânsito

Por Isadora Carvalho - Atualizado em 9 nov 2016, 12h17 - Publicado em 21 fev 2013, 11h55
geral

Era sábado de Carnaval quando um grupo de seis amigos decidiu viajar para a praia de Guarapari, no Espírito Santo. Corria o ano de 2004 e eles haviam se conhecido no curso de resgate da CruzVermelha. Logo no início da viagem pela BR-381, que liga Belo Horizonte ao Espírito Santo, deram de cara com um acidente grave que acabara de acontecer. Pararam e imediatamente iniciaram o trabalho de resgate das vítimas, que ainda estavam nos carros. Já com os acidentados devidamente imobilizados, começaram a chegar as unidades de resgate. A partir do acontecido, o grupo constatou a utilidade de um serviço de primeiro atendimento voluntário, dando origem à ONG Anjos do Asfalto.

O trecho mineiro da BR-381, inaugurado há mais de 50 anos, não se modernizou e mantém até hoje o mesmo traçado sinuoso. Os números da Polícia Rodoviária Federal mostram que essa é uma das estradas mais perigosas do país. Foram 9 369 acidentes no ano de 2012, com 256 vítimas fatais. Conhecida como “rodovia da morte”, é o trecho com o maior número de acidentes graves do estado de Minas Gerais. Sua parte mais sinistra fica entre Belo Horizonte e o município de João Monlevade. Com 86 km de extensão, somou 119 vítimas fatais no ano passado. “São mais de 200 curvas que, combinadas à imprudência, dão origem à maioria dos acidentes graves,” diz o chefe da delegacia da Polícia Rodoviária Federal de Belo Horizonte, Denis Botelho.A Polícia Rodoviária apoia oficialmente o grupo voluntário e aprova com entusiasmo sua atuação. “O trabalho da ONG é exemplar e realmente salva vidas”, diz Botelho. O grupo de apoio estabeleceu seu posto na própria rodovia entre as duas cidades.”Como o posto fica em um lugar estratégico, eles chegam antes no local do acidente e, além de prestar o primeiro atendimento, informam aos grupos de resgate oficiais, SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) e Bombeiros se há casos graves que exigem o transporte de helicóptero”, afirma Botelho. A equipe de voluntários não apenas se ocupa de socorrer feridos, mas também de sinalizar a via e desobstruí-la para evitar outros acidentes e congestionamentos.

Atualmente, o grupo conta com 17 voluntários que se revezam para atender os acidentados todos os domingos e feriados. O grupo é conhecido dos motoristas que usam a estrada e são comuns os acenos e buzinadas dos que passam. Tamanha popularidade se deve não só à presença nos sábados chuvosos, domingos e feriados – faça chuva ou faça sol – e dos vistosos uniformes amarelos na pista, mas também pelos mais de 1 000 atendimentos desde sua criação, segundo Marcus Campolina, presidente e fundador da ONG.

Com a popularização do projeto, aumenta o número de candidatos a fazer parte do grupo. “É necessário ter um curso de primeiros socorros de 40 horas e passar por um período de experiência”, diz Campolina, que afirma ter barrado candidatos por falta de estrutura emocional para enfrentar as situações de trauma dos acidentados.

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Os Anjos não recebem acompanhamento psicológico para lidar melhor com as situações não raramente dramáticas que têm que enfrentar. “Quando chegamos ao local do acidente, somos frios e calculistas. Estamos ali para salvar vidas”, diz Saulo Monteiro, vice-presidente da ONG. O grupo voluntário é mantido por meio de doações de empresas e os custos fixos são pagos com a contribuição dos próprios integrantes. Atualmente, eles contam com duas ambulâncias na frota.

Parceria público-privada

Na fronteira da área de atuação dos Anjos do Asfalto fica o município mineiro de João Monlevade. A cidade não tem atendimento de resgate, cobertura do SAMU, tampouco do Corpo de Bombeiros. Mas conta com a colaboração do Sevor (Serviço Voluntário de Resgate), que existe desde novembro de 2000. O Sevor não só atua nos mesmos moldes do serviço vizinho como também, em caso de necessidade, os dois grupos realizam operações em conjunto. “Ficamos de plantão 24 horas por dia e temos ao todo 50 voluntários”, diz Humberto Fernandes, presidente da ONG. A prefeitura cobre os gastos com combustível e doou uma das três ambulâncias da frota. “Por ter um médico no grupo, que sempre nos orienta, além de prestar os primeiros socorros nós transportamos a vítima até o hospital.” Pelo atendimento que presta à população o serviço é reconhecido como utilidade pública em âmbito estadual e municipal.

O mesmo reconhecimento teve o Anjos do Asfalto atuante no Rio Grande do Sul, mais especificamente nos municípios de Gravataí e Cachoerinha. O grupo conta com 70 voluntários e atua nas quartas e quintas-feiras à noite e também nos fins de semana. “O grupo surgiu em 2004 e vive graças à contribuição de empresas da região”, afirma Rodrigo Iparraguirre, vice-presidente da ONG.

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O trabalho da equipe consiste em oferecer atendimento pré-hospitalar. Mas a ONG também se preocupa em evitar os acidentes. “No ano passado, fizemos mais de 30 blitze educativas em parceria com agentes de trânsito e a Polícia Rodoviária”, diz Iparraguirre. A intenção é conscientizar sobre a importância da direção defensiva e segura.

SERVIÇO

Anjos do
 Asfalto / MG

Emergência:
 (31) 9888-0022

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Sevor: sevor.com.br/site

Anjos do Asfalto/ RS

Emergência: (51) 3421-1999

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