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Por que adiar a compra do carro à espera das novidades

Lançamentos, versões repaginadas e mesmo a época do ano devem ser aguardados antes de se efetuar uma compra, dizem especialistas

Por Julia Wiltgen, da <a href="link" target="_blank">Exame.com</a> Atualizado em 9 nov 2016, 12h04 - Publicado em 28 set 2012, 16h31
geral

Quem almeja comprar um carro muitas vezes opta por adiar a aquisição para aguardar um lançamento no mesmo segmento ou mesmo a versão repaginada do modelo desejado. Nesta sexta-feira, por exemplo, chega às concessionárias o aguardado Toyota Etios, que custa a partir de 29.990 reais e será acompanhado no segmento de compactos pelo Hyundai HB20, previsto para outubro. Mas esperar um novo modelo ou mesmo a versão redesenhada do modelo desejado é a melhor opção para o bolso do comprador?

A resposta é sim, principalmente quando o fim do ano se aproxima. Em relação a esperar um modelo novo no segmento desejado – como é o caso do Etios e do HB20 no segmento de compactos entre 30.000 e 40.000 reais – a espera pode valer um test drive a mais e uma ajuda para os indecisos baterem o martelo. Segundo Mauro Figueira, gerente da Caltabiano Toyota, é isso que o consumidor brasileiro costuma fazer.

“O brasileiro hoje costuma aguardar qualquer tipo de lançamento, a despeito de sua renda e do valor do produto”, diz Figueira. Para o gerente de atendimento da consultoria Jato Dynamics, Milad Kalume Neto, vale a pena esperar pelo Toyota Etios e pelo Hyundai HB20, uma vez que eles entrarão na briga em um segmento com modelos já “cansados” e com menos equipamentos.

Os benefícios do aumento da concorrência, segundo ele, podem chegar ao bolso do consumidor. “Caso se concretize a grande procura por esses modelos, os modelos existentes terão reposicionamento de preços para baixo, e, eventualmente, melhores níveis de equipamentos. Volkswagen e Fiat já se mexem nesse sentido. Ninguém deseja perder participação de mercado”, diz o especialista.

Por esse e outros motivos, há quem acredite que, para comprar um modelo novo, o mais aconselhável seja esperar um pouco além da estreia para concretizar a compra. “Não há por que ser o primeiro da fila. Por mais confiável que seja a marca, é melhor deixar o mercado se assentar um pouco, avaliar seu comportamento e a reação dos primeiros compradores. Esperar um semestre não mata ninguém”, opina o especialista em indústria automotiva Giancarlo Pereira.

De fato comprar um modelo totalmente novo tem lá seus riscos. Por exemplo, não se tem noção da aceitação do veículo no mercado e, consequentemente, do quanto ele pode depreciar na hora da revenda. O exemplo dos carros chineses que desembarcaram no Brasil há pouco tempo, como o Chery QQ, é notável nesse sentido. Sua depreciação ao final do primeiro ano de uso foi relativamente alta, uma vez que a rejeição do público ao produto chinês ainda é significativa. A falta de referências também pode impactar negativamente no preço do seguro.

Por outro lado, um lançamento que chegue às lojas com um preço bastante competitivo pode, depois de certo tempo, sofrer um pequeno aumento de preço. Novamente, o Chery QQ é um exemplo recente: lançado como o carro mais barato do Brasil, tornou-se 1.000 reais mais caro quatro meses depois, permitindo ao Fiat Mille voltar à antiga posição de maior pechincha brasileira.

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Versões novas

Quando o comprador já definiu o modelo desejado e o fim do ano se aproxima, aguardar pela versão do próximo ano é uma ótima ideia. Em um mês como setembro, os estoques ainda estão repletos de modelos de carros versão 2013, mas produzidos em 2012 (2012/2013). De acordo com Giancarlo Pereira, daqui a dois meses já começam a chegar os modelos 2013/2013, e aí o comprador tem chance de planejar a melhor opção para seu bolso.

Se escolher comprar a versão 2013/2013, o preço do carro será um pouco mais alto, mas ele perderá menos valor na revenda em comparação à versão 2012/2013. É importante, porém, se certificar de que se trata de fato da versão mais nova, uma vez que os estoques ainda estarão repletos de modelos 2012/2013 e as diferenças entre as duas versões podem ser realmente sutis em alguns casos.

Já se preferir esperar o ano que vem para adquirir o modelo 2013 produzido em 2012, o comprador já poderá pleitear um desconto que, para Pereira, pode ser de 10%. Desconto esse que, hoje, seria mais difícil obter. “Essa é uma prática comum nos três primeiros meses do ano”, observa o especialista.

Modelos repaginados

Quando comparadas versões de anos diferentes – 2012 com 2013, por exemplo – certamente haverá diferença de valor na hora da revenda, com menor depreciação da versão mais nova. As mudanças nos modelos de um ano para o outro em geral são leves e superficiais. Mas quanto mais a repaginação mexer no visual, ainda que a mecânica permaneça a mesma, maior poderá ser a depreciação das versões mais antigas em relação à mais nova.

Essas mudanças mais radicais costumam acontecer a cada dois ou três anos. Alguns exemplos são o Novo Uno (que provocou até a mudança de nome da versão antiga para apenas Mille), o Novo Gol (Geração 5) e o Novo Voyage. “Para o próximo ano não são esperadas essas remodelagens mais radicais”, afirma Giancarlo Pereira.

A lógica da versão totalmente repaginada, portanto, acaba sendo a mesma das versões de produção datada em anos diferentes. Se o modelo pleiteado vai sofrer um “retrolift”, pode-se optar já pela versão renovada, ou então apenas aguardar sua chegada ao mercado para pleitear um desconto na versão antiga.

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