Perfil: Cris Rissanen

Jovem de Brasília muda-se para a Finlândia e tenta superar os 400 km/h sobre uma Hayabusa

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Perfil: Cris Rissanen (/)

Se você acha que chegar aos 366 km/h em apenas 1600 metros é um feito suficiente para impressionar qualquer mulher, provavelmente não conhece Cris Rissanen, uma brasiliense de 29 anos. Montada sobre uma Suzuki Hayabusa de 1580 cc, preparada pelo marido, com, entre outras modificações, duas garrafas de nitro e 420 cv de potência nos pneus, ela pretende superar essa marca no campeonato finlandês de arrancada em 2010. Conseguindo, terá a chance de ser escolhida pela equipe Team Force Major para ir a Bonneville, nos Estados Unidos, em 2012, para tentar atingir os 400 km/h em 1 milha.

Apaixonada por motos e carros, há dois anos Cris casou-se e mudou-se de mala e cuia para a Finlândia, país com pouco mais de 5 milhões de habitantes e parte de seu território no Círculo Polar Ártico. Nem mesmo o nascimento da pequena Linda Victoria, há um ano, arrefeceu o ânimo do casal quando se trata de acelerar forte. Enquanto a maioria das mulheres ganha flores ou joias no aniversário, Cris ganhou do maridão uma Suzuki Hayabusa.

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Para entender essa história, é preciso voltar duas décadas. “Desde os 7 anos eu admirava meu pai comandando a escolta presidencial de Harley-Davidson da Polícia do Exército, em Brasília”, afirma Cris, nascida em uma família de motociclistas, que incluía ainda o tio e o avô. O pai já faleceu, mas ela se recorda do tempo em que, ainda franzina, o acompanhava ao quartel, desde os treinamentos com armas e tiro até o adestramento dos cães de guarda. Mas a melhor parte era quando ele pilotava as imponentes Harley-Davidson, ano 1976, de 1200 cc. “Minha ansiedade aumentava ao final de um treinamento para um evento presidencial ou para a execução da pirâmide de 40 homens sobre a moto”, afirma. “Antes de guardar a moto na garagem, ele sempre me levava para uma voltinha na garupa e eu me emocionava ao sentir o prazer daquele vento na cara.”

PÉ NA ESTRADA Aos 18 anos, com a mochila nas costas, Cris mudou-se para Fortaleza para estudar e trabalhar. “Quando cheguei ao Ceará, notei a ausência de motociclistas. Era só CG 125, e ‘motoqueiro’, a única forma de tratamento”, diz ela, referindo-se à maneira pejorativa de referir-se a quem tem motocicleta.

Assim que pôde, ela comprou sua primeira moto. Apesar de sonhar com uma Bandit, a grana só deu mesmo para comprar uma Suzuki Intruder 125 “zerada” e equipá-la todinha ao estilo custom, com alforjes, sissybar…

A pequena Suzuki foi o meio para que participasse de vários encontros no Nordeste, apesar de a cilindrada limitar muito. “Eu era a única mulher, mas todo mundo me admirava e respeitava”, afirma ela. Mas tampouco era poupada quando sobrava para o final do pelotão durante as viagens, mesmo andando o tempo todo com o cabo de sua pequena Intruder torcido até o final.

CASANDO COM O ACASO Irrequieta, a estudante de jornalismo resolveu fechar mais uma vez as malas e em 2008 partiu para a Europa, com uma máquina fotográfica na mão e a firme ideia de escrever artigos sobre motos. A primeira parada foi em Portugal, onde acompanhou a Concentração de Faro, um dos maiores e mais importantes encontros motociclísticos da Europa, com mais de 40 mil motciclistas participantes. Cris logo fez amigos de vários lugares do mundo, inclusive da TFM – Team Force Major, equipe de engenheiros e amigos com hobby e objetivo comuns: construir motos cada vez mais velozes e potentes, quebrando recordes.

Com a finalidade de fazer uma matéria sobre a TFM, ela logo desembarcou na Finlândia, país apaixonado pela velocidade e berço de grandes pilotos de rali, motocross e F-1, como Nico e Keke Rosberg, Mika Hakkinen, Kimi Raikkonen e Heikki Kovalainen.

Sentiu-se em casa e conheceu o finlandês Jouni Rissanen, atualmente seu marido, fundador e patrocinador da TFM e colaborador de eventos e diversas competições que acontecem na Finlândia.

Como família que acelera unida permanece unida, com a Hayabusa ganha do marido como presente de aniversário, já na primeira competição ela cravou 11,3 segundos no quarto de milha (400 m) e cruzou a marca de 1 milha (1609 m) a 260 km/h, com a moto praticamente original.

Enquanto aguarda as próximas provas, Cris divide seu tempo entre amamentar a filha e montar e desmontar sua moto, inclusive o intrincado sistema de injeção de gás do nitro, criado artesanalmente pela equipe. “De quebra, faço fotos para o site da equipe e sirvo para ir buscar a pizza e o sanduba”, diz ela, entre largos sorrisos.

Ainda com bom humor, Cris Rissanen conclui: “Aprendi que podemos realizar todos os nossos desejos mesmo que eles pareçam muito difíceis ou distantes, pois melhor do que realizá-los é correr atrás deles, de preferência tão rápido como uma Hayabusa”.

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