Lavagem de motos

Lavar a moto é parte da manutenção básica, mas há detalhes que precisam ser observados

Lavagem de motos Lavagem de motos

Lavagem de motos (/)

Não existe moto velha nem moto feia: o que assusta é moto suja. Além de refletir o cuidado de seu proprietário, a limpeza da moto ajuda a identificar problemas como vazamentos em juntas e mangueiras, por exemplo, e também a evitar o acúmulo de lama, graxa e poeira, que podem acelerar atrito e corrosão (quando também retêm salinidade e umidade) e prejudicar peças móveis.

O ideal seria você mesmo lavar sua moto, com pouca água e muito carinho, mas nem sempre é possível. Muitos motociclistas não têm condições e espaço. Aqueles que moram em apartamento, por exemplo, estão restritos às regras de condomínio. Ao delegar essa tarefa a terceiros, é bom ficar de olho para verificar se o trabalho é feito corretamente, o que evita problemas.

Moto, em geral, deixa as partes íntimas delicadas, como filtros, fios e componentes elétricos, muito expostas. Aquele festival de jato de alta pressão na moto inteira, ainda que ela tenha sido feita para suportar as intempéries, requer atenção. A umidade pode penetrar no chicote elétrico e provocar curtos-circuitos. Se esse problema chegar à central eletrônica, a coisa pode tornar-se tragicamente cara.

Foi o que aconteceu com o empresário Alexandre Silva, 36 anos. Sua Ducati Multistrada 1100 resolveu não pegar, sem causa aparente. “Meu mecânico resolveu abrir a tampa do lado esquerdo do motor para ver a bobina inferior. Uma água suja, cheia de ferrugem, caiu no chão e todos os fios estavam enferrujados. O mecânico perguntou se eu lavava muito a moto. Disse que sim, todo sábado!”

Borracha Ressecada

Muitos componentes móveis da moto são protegidos por anéis de borracha (os chamados O-rings), presentes na corrente e em juntas como links de balança, pedal de câmbio e outros. Ao mandar um jato de querosene por cima dessas borrachas (ou de qualquer outro solvente muito forte), elas sofrem ações químicas que as levam ao ressecamento e podem vir a rachar, perdendo a capacidade de vedar a entrada de sujeira ou de evitar o vazamento de óleo.

Segundo o belga Gui Tilkens, ex- campeão de motocross da década de 70 e representante da Karcher (lavadoras de alta pressão) no Brasil, é um erro imaginar que pressão de água é a melhor solução. Segundo Tilkens, é mais importante prover alto volume de água, especialmente nas partes mais “melecadas”, e de preferência quente. Quão quente? Por volta de 70°C. A explicação é simples: qualquer tipo de solvente químico é ácido demais e pode agredir a pintura depois de um certo tempo. Muitos lava-rápido e oficinas e utilizam óleo diesel para retirar esse tipo de graxa da balança da suspensão, da parte baixa do motor e das rodas. Além de ser poluente, o processo deixa, em geral, uma camada oleosa, que volta a atrair sujeira aderente.

Lubrificantes em spray deixam a motocicleta brilhante, mas atenção: evite que atinja os discos de freio. Se a pastilha ficar impregnada com um desses produtos – e você ainda estiver vivo depois que perceber que está sem freio -, vai ter que desmontar as pastilhas e lixar o material abrasivo para retirar completamente o material gorduroso.

O policial civil Eric Moura, 35 anos, correu um risco sério ao limpar a moto com um desses óleos, o conhecido WD-40. “Comprei uma lata e gastei ela inteira na minha XT 660R. Aí só passei um pano e a moto ficou uma beleza. Saí para dar uma volta e quando fui frear no farol… Passei reto. Quase morri: a moto não tinha freio. Fiquei uma semana andando freado para ver se limpava. Passei jornal, pano úmido, alvejante nos discos e nada. O freio nunca mais ficou igual. Só depois que troquei as pastilhas voltou ao normal.”

Até pode-se utilizar solventes como querosene e óleo diesel, mas deve-se dilui-los bastante com água e aplicar com um pincel macio nos locais requeridos. Há produtos em spray para utilizar em áreas que ficam mais oleosas e que não agridem a pintura. São geral- mente caros e difíceis de encontrar.

Eduardo Silva Carceroni, 38 anos, piloto comercial da TAM, teve um sério problema com a pintura de sua Harley- Davidson XL 883R laranja. Acostumado a deixar a moto na garagem, surpreendeu-se com a brincadeira dos amigos acerca da delicada cor-de-rosa de sua moto. “A moto tinha seis meses de uso, no primeiro instante nem caiu a ficha que a culpa era do lava-rápido, que usava Solupan (um solvente muito forte e popular, não indicado para a pintura). Quando voltei até o lava-rápido para resolver a questão, a empresa já era de outro dono. Ele disse que não usava mais Solupan, pelos problemas que o antigo dono havia tido.”

Sabão Neutro

Sabão neutro e água abundante são as soluções mais recomendadas. Utilize um pano limpo. Tome cuidado com a saída de escapamento. Se você não quiser tampar com um pano, recorra a tampas de silicone apropriadas para colocar na ponteira no momento da lavagem, existentes em lojas especializadas. Além do pano limpo nas partes plásticas e no tanque, o uso de uma pistola de ar é bem-vindo, principalmente na fiação e nos botões dos punhos.

Sobre o famoso “pneu pretinho” é necessário tomar cuidado para que ele não atinja a banda de rodagem, pois pode tornar-se escorregadio. É também preciso cuidado com o tipo de produto que se aplica – os melhores são à base de silicone. Alguns deles, principalmente fórmulas caseiras (algumas se valem até de açúcar), fazem a sujeira grudar de volta mais rapidamente do que se não tivessem sido usados.

Finalmente, para uma limpeza que ultrapassa os limites de sua motocicleta, confira para onde está indo a água suja, contaminada com óleo. Um bom lava-moto conta com um sistema de esgoto que separa a gordura da água. Além de ser proibido por lei despejar efluentes derivados de petróleo no ambiente, você não ia querer deixar sua moto limpinha para passear em um mundo sujo, não é?

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