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Essa Nissan Frontier quer se tornar o melhor caveirão do Brasil

O super-herói Predador chegou para combater o crime. Sua verdadeira identidade? Uma Nissan Frontier

Por Eduardo Passos Atualizado em 28 nov 2020, 11h49 - Publicado em 27 nov 2020, 20h05
A Frontier modificada e rebatizada de Predador pela Combat Armor Defense
A Frontier modificada e rebatizada de Predador pela Combat Armor Defense Ricardo Ribes/Combat Armor Defense

Não importa análise política ou social: é impossível negar que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo, com milhares de assassinatos por ano e cidades em espécie de guerra urbana.

Pensando nisso, uma empresa baseada em Vinhedo (SP) criou uma Nissan Frontier ultrablindada, capaz de levar forças policiais com segurança aos ambientes mais hostis. O Predador, como é chamado, está perto de estrear nas ruas e traz as ideias do seu inventor, que fez carreira na Guerra do Iraque.

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Osso duro de roer

Famosos por conta do filme “Tropa de Elite”, os caveirões são oficialmente chamados veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP). A Frontier da Combat Armor Defense é um desses, e foi construída sob normas e homologação do Exército Brasileiro.

A vista frontal destaca os sensores que permitem conduzir o Predador até sob escuridão completa
A vista frontal destaca os sensores que permitem conduzir o Predador até sob escuridão completa Ricardo Ribes/Combat Armor Defense

O CEO da empresa e mentor do projeto é Maurício Junot de Maria, que passou mais de uma década fornecendo soluções de blindagem às forças armadas dos EUA durante a Guerra do Iraque, dividindo seu tempo entre o Oriente Médio e Utah.

A 'gentil' munição 7.62 tem uso restrito, mas é contrabandeada
A ‘gentil’ munição 7.62 tem uso restrito, mas é contrabandeada Reprodução/Domínio Público

“Eu fui chamado ao Iraque e fiquei instalado na base de Camp Victory. Lá fiz alguns estudos e apresentei aos generais uma proposta de blindagem dos Humvees. O projeto foi aprovado e cheguei a produzir 300 unidades”, conta Maurício, que foi matéria do The New York Times por seu trabalho.

Com as eleições de 2018, o engenheiro mecânico previu novas políticas de segurança pública do Brasil; uma boa oportunidade de voltar e fornecer material às forças estaduais. A aposta foi acertada e a Portaria 94 do Exército, de agosto de 2019, facilitou o processo de blindagem de viaturas.

Sua Frontier, rebatizada de Predador, mistura um pouco do que aprendeu e viu na guerra com demandas das nossas cidades, e passou por intensas modificações a fim de aguentar as seis toneladas de peso bruto.

Os tripulantes têm liberdade de giro, evitando emboscadas
Os tripulantes têm liberdade de giro, evitando emboscadas Ricardo Ribes/Combat Armor Defense

A traseira, por exemplo, recebeu feixe de molas, enquanto a suspensão dianteira teve suas molas reforçadas. Além disso, houve troca das barras estabilizadora e uso de aço especial no chassi, que conta com longarinas duplas, além do sobreposto “duplo C” original da picape. Ainda há freios a disco nos dois eixos (na Frontier há tambor nas rodas traseiras) e contam com três pistões de travamento.

Há onze 'gunports' como esse, com sistema de precisão aprimorada
Há onze ‘gunports’ como esse, com sistema de precisão aprimorada Ricardo Ribes/Combat Armor Defense

O motor é o mesmo da Frontier original: 2.3 turbodiesel, mas com 250 cv de potência (60 cv a mais que o original) vindos do remapeamento da alimentação. Ainda que o torque se mantenha na casa dos 45,9 kgfm, o remap faz com que a sua queda em altas rotações seja atenuada.

Casca grossa

Mais do que modificações mecânicas, a Combat Armor Defense é especializada em blindagens, e é esse o destaque do Predador, que conta proteção balística nível III, segundo escala do Departamento de Justiça dos EUA. Isso significa que a carroceria é capaz de proteger a tripulação contra tiros de fuzil 7,62 mm a mais de 3.229 km/h, já que é revestida com aço especial com 4,8 mm de espessura. 

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Em casos extremos, até as janelas podem ser cobertas por placas de aço. Também há proteção contra arrombamento do blindado
Em casos extremos, até as janelas podem ser cobertas por placas de aço. Também há proteção contra arrombamento do blindado Ricardo Ribes/Combat Armor Defense

Apesar dos detalhes serem secretos, sabe-se que sua composição leva elementos como silício, níquel, cromo e molibdênio. Um tratamento é feito ao fim da fabricação, melhorando características como dureza, aderência às soldas e resistência à torção. Pontos sensíveis, como aqueles em que as portas são fixadas, são protegidos por um sistema de sobreposição de chapas metálicas, patenteado pelo próprio engenheiro.

Naturalmente vulneráveis, as juntas das portas foram reforçadas seguindo patente de Junot
Naturalmente vulneráveis, as juntas das portas foram reforçadas seguindo patente de Junot Ricardo Ribes/Combat Armor Defense

Os vidros são baseados no nível IV de blindagem e, com 72 mm de espessura, levam poliuretano, polivinil butiral e policarbonato na composição. Além disso, outras partes vítreas, como miras e lunetas, contam com sistemas de estabilização e precisão, para que o operador possa ter maior taxa de acerto mesmo quando o carro estiver em movimento.

A angulação do para-brisas ajuda a desviar projéteis. Acima, câmeras e sensores contribuem para a inteligência da operação
A angulação do para-brisas ajuda a desviar projéteis. Acima, câmeras e sensores contribuem para a inteligência da operação Ricardo Ribes/Combat Armor Defense

Ao todo, o Predator é capaz de transportar até 3.500 kg de carga, incluindo os oito tripulantes. Além do motorista — que curiosamente dispõe de volante e câmbio idênticos à Frontier original — há espaço para o auxiliar chamado de fiel, dois atiradores frontais, logo atrás do motorista, e quatro atiradores laterais — dois em cada lado. 

Olhando só para o volante e central multimídia, nem dá para dizer que essa Frontier aguenta a guerra
Olhando só para o volante e central multimídia, nem dá para dizer que essa Frontier aguenta a guerra Ricardo Ribes/Combat Armor Defense

O Predator também dispõe de onze pontos de tiro (gun ports) e câmeras de reconhecimento facial e visão noturna quase que em 360º. E protegendo mais ponto sensível, os pneus contam com um sistema fabricado pela também brasileira Flats Over, que consiste em uma tira de borracha maciça ao redor da tala das rodas, sob o pneu.

Caso o pneu fure, essa cinta de borracha evita que a tala da roda seja danificada
Caso o pneu fure, essa cinta de borracha evita que a tala da roda seja danificada Divulgação/Flats Over

Assim, caso o pneu fure, o contato com o solo é feito diretamente por esse “cinto”, preservando as partes metálicas. A catarinense Flats Over garante que o mecanismo é seguro mesmo a 100 km/h, e com autonomia suficiente para chegar a um local adequado para manutenção.

Planos futuros

Dividida entre Vinhedo e Idaho, nos Estados Unidos, a Combat Armor está no Brasil há apenas um ano, mas já vendeu a sua blindagem intermediária à Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar de Minas Gerais, por exemplo. Batizada de Patrol, essa proteção é bem mais discreta e não altera o visual externo dos veículos, mas leva o mesmo aço do Predador na composição.

A Equinox blindada da PRF, feita pela Combat Armor Defense
A Equinox blindada da PRF, feita pela Combat Armor Defense Fernando Oliveira/Maciel Junior/Polícia Rodoviária Federal

Na PRF, a blindagem foi aplicada em 26 Chevrolet Equinox com motor 2.0 turbo e 262 cv. Entregues à superintendência paranaense da corporação em dezembro de 2019, os utilitários tiveram um custo unitário de aproximadamente R$ 176 mil.

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Esse é o projeto do Panther, que tem tudo para ser apelidado de “caveiraço” Ilustração/Combat Armor Defense

O futuro, entretanto, é grande, e já há esboços do VBTP Panther, que levará até 15 tripulantes montados sobre o chassi de um caminhão Volkswagen 11-180, capaz de carregar até 11 toneladas. 

Questionado se as dimensões do blindado seriam exageradas, Junot reforça que vê demanda para o ‘caveiraço’. “O custo das baixas policiais é muito maior que o gasto com esse tipo de proteção policial”, termina.

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