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DeSoto Série K

Barato e bem-equipado, o modelo de estreia da americana DeSoto acelerou a marca em 1928 rumo ao sucesso com a rapidez de seu seis-cilindros

Por Felipe Bitu - Atualizado em 9 nov 2016, 14h40 - Publicado em 9 set 2015, 14h34
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A expressão latina “Multum pro Parvo” (“muitos em um”) escolhida pelo presidente Walter Chrysler definia o propósito da DeSoto, nova divisão da Chrysler Corporation destinada a atrair a classe média americana. Acima da popular Plymouth, ela buscava oferecer a mesma sofisticação da linha Chrysler, fazendo frente aos modelos da General Motors e Studebaker.

Homenageando o conquistador espanhol Hernando de Soto, Chrysler anunciou a nova divisão em maio de 1928, atraindo 500 concessionários interessados em representar a marca, número que triplicou até o fim daquele ano. A produção do Modelo K começou em julho, já como ano-modelo 1929.

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A aceitação foi tão grande que logo em seu ano de estreia a DeSoto comercializou mais de 81 000 unidades, um recorde que durou mais de 30 anos, superando por larga margem o de marcas como Pontiac, LaSalle e até da própria Chrysler. A receita do sucesso era relativamente simples: um motor de seis cilindros e 55 cv numa faixa acessível compreendida entre US$ 845 e US$ 955 (US$ 11 800 a US$ 13 300, corrigidos para os dias atuais). Além do possante motor (apoiado em modernos coxins de borracha), o Modelo K trazia outras virtudes, pouco comuns na época: filtro de óleo, freios hidráulicos, limpador automático de para-brisa, trava de ignição, luz de freio, painel com instrumentação completa e comando dos faróis no volante. Distribuidor Delco Remy e amortecedores Lovejoy eram fornecidos pela rival General Motors.

E havia opções para todos os gostos: sete carrocerias – Cupe Business (duas portas, dois lugares), Roadster Espanol (duas portas, conversível), Faeton (quatro portas, aberto), Sedan Coche (duas portas, fechado), Sedan (quatro portas, fechado). No topo, estavam Cupe de Lujo e Sedan de Lujo, com duas e quatro portas. Para encantar a classe média, opcionais como mala traseira, para-choques, rodas estampadas ou raiadas, monogramas pintados à mão, estepes sobre os para-lamas dianteiros, relógio, luz de cortesia, vidros temperados e até acendedor de charutos.

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O modelo das fotos é um Sedan de Lujo que pertence ao acervo do colecionador Murilo Pandolphi Brólio, de Jundiaí (SP). Foi adquirido por seu pai em 1991 e a restauração só ficou pronta após mais de 20 anos de trabalho. “Desconheço a existência de outro igual no Brasil: este modelo é raro mesmo no exterior”, diz ele.

Com seu alto padrão de qualidade, a marca de 100 000 carros foi atingida em apenas 14 meses de produção. A DeSoto até atravessou o ano de 1929 incólume aos efeitos da quebra da bolsa de Nova York. Um novo motor de oito cilindros e 70 cv passou a ser oferecido em 1930, separando a linha agora em dois modelos: Six (Modelo CK) e Eight (Modelo CF). Mas a crise de 1929 começou a mostrar seus efeitos: a produção caiu para 32 000 unidades em 1930 e 1931, este último ano marcado pelo fim da versão de oito cilindros, devido à pouca procura. Denominada New Six, a linha 1932 encerrou a primeira fase da DeSoto. O Modelo K acabava de dar início ao sucesso da marca, que durou até a sua

extinção em 1961.

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BARBA E CABELO

Vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 1925, Peter DePaolo foi contratado em 1932 para cruzar os EUA em um DeSoto Six em apenas dez dias. Após o desafio, entrou ainda em uma corrida de 300 milhas, onde alcançou a máxima de 128 km/h.

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