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Menos pelo mesmo

O estranho caso dos modelos que perdem itens de série, mas não reduzem os preços

Por Gustavo Henrique Ruffo Atualizado em 22 abr 2021, 23h09 - Publicado em 11 Maio 2015, 15h06

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Primeiro, foi o papel higiênico: o rolo de 40 metros diminuiu para 30. Mas o preço continuou o mesmo. Depois, foram as barras de chocolate, que ficaram menores. Agora a estratégia chegou aos automóveis. O caso mais conhecido é o do VW Golf. No fim de 2014, ele deixou de vir da Alemanha e passou a ser importado do México. Com isso, perdeu freio de estacionamento elétrico, Auto Hold e ajuste automático de iluminação, antes itens de série. Mas o preço não foi alterado.

O hatch da VW não é o único caso. Recentemente, o Toyota Corolla GLi perdeu rodas de liga, som, banco bipartido e volante multifuncional. Na BMW, o 316i não traz mais bancos elétricos, pacote de conveniência, rodas de liga aro 17, sistema de lavagem de faróis, faróis bixenônio e sensor de ré. Até o Fiat Palio Fire ficou mais pobre do que já era: perdeu direção hidráulica – agora, só como opcional.

Segundo especialistas do setor, o acréscimo pode ocorrer pelo aumento da margem da montadora, mas

também pela elevação dos custos de produção. No cenário atual, inclui as altas do dólar, da inflação e da energia elétrica. “Quando a energia sobe, não dá para subir o preço do carro de uma vez. Assim, prefere-se retirar equipamentos que o consumidor não nota”, explica Paulo Roberto Garbossa, diretor da ADK Automotive.

A estratégia do empobrecimento costuma ocorrer em momentos estratégicos, que ajudam a mascarar

a perda de conteúdo. “Em geral, o comprador não percebe porque a alteração chega no momento de mudança do ano-modelo”, afirma Milad Kalume Neto, gerente de novos negócios da consultoria Jato do Brasil.

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