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Dossiê de sete lugares até 120 mil reais

Entre minivans, crossovers e SUVs, as opções do mercado para as famílias numerosas

Por Paulo Campo Grande | Fotos Marco de Bari e Diego Cardoso 18 fev 2014, 15h11
comparativos

Não faz muito tempo, para conseguir transportar a turma toda, as famílias grandes eram obrigadas a optar por versões de passageiros de veículos comerciais. A VW Kombi era a alternativa mais conhecida. Mas as coisas mudaram – ainda bem. Nos últimos anos, minivans, SUVs e crossovers passaram a atender esse público com vantagem em relação a estilo, conforto e desempenho. Aqui reunimos as ofertas do nosso mercado, com destaque para os oito modelos com preços de até 120 000 reais – mas no fim apresentamos também as opções mais caras. As alternativas são muitas: da estreante chinesa Rely Link, por menos de 50 000 reais, ao Mercedes-Benz GL 500, que custa quase meio milhão de reais.

Rely Link 1.3 16V R$ 47 990

Quem vê a Rely Link por fora duvida que essa minivan tenha tanto espaço interno. A fábrica fala em oito lugares, embora sete seja uma conta mais realista. Mas, mesmo assim, essa é uma capacidade maior do que o porte da minivan sugere. Só abrindo uma das portas laterais para conferir. A falsa impressão ocorre porque a Link tem comprimento de hatch compacto, cerca de 4 metros, mas distância entre-eixos de sedã médio, de 2,62 metros. Além disso, sua cabine dedica todo o espaço para pessoas. Nada sobra para o porta-malas. Se quiser levar bagagem, o motorista pode rebater os bancos da terceira fila, mas eles não são daqueles que somem no piso. Rebatidos, ainda ocupam um bom volume na cabine. Os assentos da segunda fila são deslizantes e ajustáveis em distância.Além de facilitar o acesso à terceira fila, permitem aos ocupantes negociarem o espaço para as pernas entre fileiras. A posição de dirigir é típica de minivan: o motorista viaja como se estivesse sentado em uma cadeira.

Equipada como motor 1.3 16V de 83 cv, a Link vai bem no dia a dia, tendo só o motorista a bordo, mas sofre quando carregada. Em nossa pista, acelerou de 0 a 100 km/h em 16,6 segundos e fez as médias de 9,6 km/l na cidade e 11,8 km/l na estrada, com gasolina. Entre os itens de série, traz ar-condicionado (com comandos individuais na traseira), trio elétrico, rádio com MP3 e entrada USB, ABS com EBD, duplo airbag, faróis de neblina, alarme e sistema keyless para travamento e destravamento das portas. Os cintos de segurança são de três pontos para todos os ocupantes, menos para quem viaja na posição central da

segunda fileira.

Prós

• Espaço interno

• Garantia de três anos


• Preço

Contra

• Suspensão

• Frenagem

• Não é flex

VEREDICTO

O visual é esquisito e falta robustez à suspensão. Mas, apertando, leva oito e seu preço é o mais convidativo do segmento.

Nissan Grand Livina 1.8 R$ 54 990

A Nissan Grand Livina nunca foi exemplo de vanguarda. Atualmente, porém, ao conservadorismo juntou-se o peso dos anos. Destinada a mercados emergentes, a Grand Livina foi lançada na China em 2006 e chegou ao Brasil três anos depois. Em 2013, uma nova geração foi apresentada na Indonésia, mas a versão fabricada no Brasil segue sem alterações. Apesar de desatualizada, a Grand Livina tem atrativos para quem procura um modelo de sete lugares. O preço é um deles. Ela custa 54 990 reais, na versão 1.8 S manual, e 59 990 reais, na 1.8 SL automática.

A versão mostrada aqui é a automática.Além do câmbio, traz revestimento que imita couro, chave presencial e detalhes no painel como diferenciais. Os demais equipamentos que aparecem nas fotos são de série nas duas versões.A lista inclui ar-condicionado, rodas de liga leve, som, duplo airbag e ABS com EBD e BAS. Como a Rely Link, a Grand Livina tem bancos deslizantes na segunda fileira de assentos, para permitir o acesso à terceira fila. O destravamento é feito por meio de alças de náilon e eles podem ser rebatidos quase que totalmente. Os bancos da segunda fileira rebatem em dois estágios (o assento primeiro, depois o encosto) e os da terceira se encaixam no assoalho. Com todos os bancos rebatidos, a minivan ganha uma plataforma plana, aumentando a capacidade do porta-malas de 123 para 964 litros. O espaço para as pernas é generoso, mas na terceira fileira os ocupantes da Nissan viajam com os joelhos mais altos que os quadris. A Grand Livina agrada também pela boa dirigibilidade, assegurada pelo motor elástico, pela suspensão firme e pela direção rápida.

Prós

• Acabamento

• Dirigibilidade

• Preço

Contra

• Estilo


• Espaço na traseira

• Câmbio

VEREDICTO

Apesar do visual ultrapassado, vale a compra pelo bom comportamento no dia a dia e ótimo custo-benefício.

Chevrolet Spin 1.8 LTZ R$ 55 490 (manual)

A Chevrolet Spin veio ao mundo com a missão de substituir, de uma tacada só, duas minivans da GM: Meriva e Zafira. Os donos de Meriva gostaram. Eles ganharam uma minivan maior e mais equipada. Os da Zafira, nem tanto. Vira e mexe a gente encontra algum amigo, leitor ou taxista saudoso das qualidades da Zafira. A Spin, porém, não decepciona porque, além de ter os atrativos que agradam aos antigos proprietários de Meriva, ainda tem preço em uma faixa de mercado inferior àquela em que a Zafira era vendida.

A versão mais equipada, a LTZ, que oferece vaga para sete pessoas, custa 55490 reais com câmbio manual e 59190 reais com transmissão automática, igual à mostrada aqui. De série, as duas vêm com central multimídia MyLink, sensor de estacionamento, ar-condicionado, duplo airbag, ABS, sistema de som e trio elétrico. A automática inclui ainda cruise-control, além do câmbio sequencial de seis marchas.

O estilo da Spin divide opiniões. É mais fácil ouvir elogios quando se fala da cabine, com seu painel moderno. Os bancos são confortáveis, mas o projeto tropeça quando o assunto é modularidade. Os assentos são dobráveis e, mesmo quando rebatidos, permanecem ocupando espaço na cabine. Além disso, sua fixação é feita por meio de tiras elásticas – bem diferente do sistema Flex7 que existia na Zafira. O banco da terceira fila, que é inteiriço, rouba 157 litros do porta-malas. Dos 710 litros da versão de cinco lugares, sobram 553.

A Spin não tem o desempenho como um de seus pontos fortes. Mas isso não é exclusividade dela, é um problema comum à categoria.

Prós

• Conteúdo


• Conforto


• Rede autorizada

Contra

• Fixação do banco

• Banco traseiro

• Desempenho

VEREDICTO

Não é uma Zafira, mas tem preço mais atraente que essa antecessora e qualidades que superam as da minivan Meriva.

Fiat Doblò Essence 1.8 16V R$ 59 817

O Doblò é um estranho no ninho neste comparativo, com sua forma de caixote. Mas, por definição, ele se encaixa na categoria das minivans. O motorista viaja em posição ereta, como se estivesse ao volante de um furgão, com a certeza de que pode ser visto por todos os outros no trânsito, em razão do amplo para-brisa. A ergonomia é bem-resolvida e não faltam porta-objetos, incluindo um no teto, junto ao para-brisa, de lado a lado da cabine. Atrás, os bancos são fáceis de manusear. Na fileira do meio, ele é bipartido. Rebater os assentos é uma operação simples, basta girar uma manivela de plástico que libera ao mesmo tempo a trava que fixa o banco e o engate que solta o encosto para ser rebatido. Os dois bancos suplementares são dobráveis e ficam recolhi- dos nas laterais do porta-malas, quando estão fora de uso. Eles ocupam espaço mesmo desmontados, mas sua facilidade de armar e desarmar compensa o uso que eles fazem dessa área – a capacidade do porta-malas é de 450 litros. Além disso, como estão instalados em posição elevada, os assentos permitem que os ocupantes viajem em posição bastante confortável. A Fiat poderia caprichar mais no acabamento, nessa região da cabine.

O Doblò é oferecido em três versões: Attractive 1.4, Essence 1.8 16V e Adventure 1.8 16V. As equipadas com motor 1.8 têm seis lugares de série. Mas a opção de sete lugares só existe para Attractive e Essence. A primeira, que tem cinco lugares de série ao preço de 52 780 reais, passa a custar 54 334 reais, com sete lugares. A Essence, mostrada aqui, sai por 58 840 reais e chega a 59 917, com o sétimo posto. Pena que a garantia de fábrica seja só de um ano.

Prós

• Versatilidade


• Conforto


• Posição de dirigir

Contra

• Acabamento

• Desempenho


• Garantia de 1 ano

VEREDICTO

O estilo, que não é o seu forte, parou no tempo. Mas o Doblò transporta toda a turma com muita comodidade.

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JAC J6 Diamond R$ 59 900

Lançada no Brasil em 2011, a minivan JAC J6 não esquentou o banco e foi inteiramente renovada no ano passado. Por fora, ela ganhou retoques no visual, com a troca de grade, faróis e lanternas. Por dentro, as mudanças foram mais radicais, com a substituição de todo o conjunto do painel. No geral, a J6 ficou mais moderna e elegante, embora os estilistas tenham exagerado no uso das superfícies de plástico em padrão black piano no painel, no console e nas portas. Os bancos de veludo não mudaram. Os assentos da segunda fila são dobráveis e deslizantes e os da traseira podem ser rebatidos e retirados da cabine, liberando todo o espaço traseiro para a bagagem (embora o motorista necessite de um lugar adequado para deixar os bancos na garagem). A capacidade do porta-malas da JAC pode variar entre 120 litros (sete lugares), 710 (cinco lugares) e 2200 litros (dois lugares). Entre os equipamentos de série, a J6 conta com duplo airbag, ar-condicionado, ABS, sensor de estacionamento e trio elétrico, entre outros itens. No fim do ano passado, o Grupo SHC, representante da JAC no Brasil, lançou a série especial Movie, com duas telas de DVD instaladas nos encostos dos bancos, fones de ouvidos sem fio e entrada para controles de videogame.

Seu preço não é nenhuma pechincha, mas a relação custo-benefício é aumentada pelo prazo de garantia de seis anos e o plano de revisões com preço fixo a cada 10 000 km até os 60 000 km.

Ao volante, fica nítida a opção pelo conforto, com a direção leve e a suspensão macia. Mas, no que diz respeito ao desempenho, a J6 é tímida como a maioria dos carros deste dossiê.

Prós

• Novo visual

• Conforto

• Garantia

Contra

• Acabamento

• Desempenho

VEREDICTO

Seu preço não é uma pechincha, mas a fábrica oferece seis anos de garantia e revisões com preço fixo.

Grand C4 Picasso 2.0 16V R$ 92 400

Assim como Nissan Livina, a Citroën C4 Picasso estreou em 2006 e está em tempo de renovação.A Citroën revelou imagens da nova geração que será lançada este ano, na Europa. Ao contrário da rival, porém, a C4 se caracterizou pela ousadia visual e técnica e, por isso, ainda hoje ela parece atual.Tanto que, do ponto de vista estético, a frente em cunha, o para-brisa panorâmico e a vigia avançada (com a coluna dianteira estreita) são elementos que serão mantidos na próxima geração. E, no que diz respeito aos equipa- mentos, a lista de itens de série fala por si. A C4 Grand Picasso tem ar-condicionado digital quadrizona, piloto automático com limitador de velocidade, freio de estacionamento eletrônico, ESP e sete airbags, entre outros itens. O câmbio conta com apenas quatro marchas, mas é sequencial.

A vida a bordo é uma das melhores deste dossiê. O espaço interno é amplo, graças à generosa distância entre-eixos de quase 3 metros, e não faltam porta-trecos, sendo que, no painel, um deles é refrigerado. Os bancos são individuais e os cintos de segurança são de três pontos para todos, incluindo o passageiro da posição central. Há mesinhas, como as dos aviões, com luzes de leitura, além de persianas laterais e teto de vidro. Os bancos rebatíveis podem ser embutidos no piso, elevando o espaço para bagagem de 550 para 2 000 litros.

Apesar de o câmbio permitir trocas no modo manual, no volante, o desempenho da Picasso está longe de ser esportivo. Ela fez o tempo de 13,6 segundos, nas acelerações de 0 a 100 km/h. Em compensação, o consumo em nossa pista foi baixo: 8,6 km/l na cidade e 12,3 na estrada, com gasolina.

Prós

• Estilo


• Acabamento

• Conteúdo

Contra

• Geração nova a caminho


• Desempenho

• Câmbio

VEREDICTO

Pesa o fato de estar no fim do ciclo de vida. Mas é bonita, confortável e equipada para família nenhuma reclamar.

Fiat Freemont Precision R$ 102 920

O SUV Fiat Freemont é apresentado em duas versões, Emotion (95 570 reais) e Precision (102 920 reais), mas oferece sete lugares apenas na mais cara, que além de trazer os assentos suplementares é mais bem-equipada. A diferença de preço é de 7 350 reais, mas se justifica por um pacote de itens que inclui ar-condicionado trizona, airbags laterais e de cabeça, sensor de estacionamento, banco do motorista com ajustes elétricos (somente para o assento), bancos (laterais da segunda fileira) com elevação (para crianças acima de 4 anos), iluminação de cortesia com leds no teto (inclusive para a terceira fila de bancos) e retrovisores com rebatimento elétrico.

A relação de dispositivos se completa com os itens comuns às duas versões, como central multi- mídia com tela touch, volante multifuncional, programa eletrônico de estabilidade, piloto automático, trio elétrico e computador de bordo.

Com todos esses recursos a bordo, o Freemont é um carro gostoso de conviver, ao volante ou nos bancos dos passageiros.A fileira central de bancos é deslizante, rebatível e, junto com o par de assentos da terceira fila, encaixa-se no piso, liberando a área para bagagem. Seu porta-malas pode variar de 167 a 1461 litros. Quem viaja na terceira fila tem saídas de ar-condicionado no teto, mas o piso irregular torna difícil para um adulto encontrar uma posição confortável para os pés.

O Freemont é equipado com motor 2.4 de 172 cv de potência e câmbio automático de seis marchas, conjunto que lhe assegura desempenho satisfatório para um carro familiar. Na pista de testes, ele foi de 0 a 100 km/h em 13,1 segundos.

Prós

• Acabamento


• Conteúdo


• Posição de dirigir

Contra

• Piso na traseira

• Desempenho

VEREDICTO

Motoristas mais afoitos podem reclamar do desempenho – compensado com mais segurança e itens de série.

Dodge Journey STX R$ 119 900

A Fiat, que é dona da Chrysler (Chrysler, Dodge e Jeep), pode não concordar, mas Journey e Freemont são o mesmo carro. A marca italiana trata o Freemont como SUV, a Chrysler chama o Journey de Crossover. Mas o que diferencia um do outro é o conjunto mecânico, além de detalhes estilísticos. A Fiat, que posiciona seus carros em faixas mais acessíveis de mercado, equipou o Freemont com motor 2.4 de quatro cilindros. A Chrysler, que cultiva imagem mais sofisticada, optou por 3.6V6.

Assim como o irmão gêmeo, o Journey tem duas versões.A básica, SXT, custa 119 900 reais e a completa, R/T, sai por 132 900 reais.A mais cara se diferencia com teto solar, sistema de entretenimento para os bancos traseiros, maçanetas e rack cromados (enquanto na SXT esses detalhes são pretos), rodas aro 19 (contra rodas aro 17) e sistema de som com subwoofer. Como este dossiê dá destaque para as opções até 120 000 reais, vamos apresentar as características da SXT, embora a unidade das fotos seja uma R/T. Completam o pacote de itens de série seis airbags, ar-condidionado trizona, computador de bordo, sensor de estacionamento, piloto automático e ESP.

O espaço interno é amplo como o do Freemont, assim como a mobilidade dos bancos. E até no comportamento de sistemas como direção e suspensão eles são idênticos. Como esperado, o Journey se destaca na hora de acelerar. Enquanto o Freemont vai de 0 a 100 km/h em 13,1 segundos, o Journey faz o mesmo em 8,9 segundos. E o Dodge consegue esse desempenho sem a contrapartida do consumo. Em nossas medições, pode-se dizer que eles apresentam o mesmo rendimento.

Prós

• Imagem


• Desempenho

• Conteúdo

Contra

• Piso na traseira

• Preço

VEREDICTO

Mais caro, o Journey é uma alternativa ao Freemont, para quem busca status e desempenho superiores.

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