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Renault R8 Gordini: o sedã francês que fez Fittipaldi campeão aos 19 anos

O pacato sedã familiar ganhou fôlego suficiente para formar uma geração inteira de pilotos, até mesmo no Brasil

Por Felipe Bitu 10 abr 2021, 11h04
Este R8 deu a Emerson Fittipaldi sua primeira vitória
Este R8 deu a Emerson Fittipaldi sua primeira vitória Fernando Pires/Quatro Rodas

Apresentado ao público em maio de 1962, o Renault R8 foi uma grande evolução frente ao Dauphine, de quem herdava a configuração com motor e tração traseiros. A carroceria de três volumes e quatro portas tinha pouco menos de 4 metros de comprimento, com ampla área envidraçada e linhas retilíneas assinadas por Philippe Charbonneaux e Gaston Juchet.

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Prático e versátil, o R8 era dotado de estilo contemporâneo e espaço interno adequado para quatro adultos, mas a direção rápida, a alavanca do câmbio no assoalho e os pedais perfeitamente posicionados para o punta-tacco evidenciavam a influência esportiva de Amédée Gordini, piloto e preparador que já havia desenvolvido versões esportivas do Dauphine.

Seu refinamento técnico era notável: foi um dos primeiros automóveis franceses a contar com freios a disco nas quatro rodas. Desenvolvido pela equipe do engenheiro René Vuaillat, o motor Sierra de quatro cilindros em linha trazia cinco mancais, comando de válvulas no bloco e cabeçote de alumínio. Com apenas 1 litro de cilindrada, rendia 48 cv a 5.200 rpm, potência suficiente para superar os 125 km/h de velocidade.

Cabeçote do motor com câmaras hemisféricas
Cabeçote do motor com câmaras hemisféricas Fernando Pires/Quatro Rodas

Como no Dauphine, o câmbio manual de três marchas era equipamento de série, ao passo que o manual de quatro marchas era opcional. O câmbio semiautomático Jaeger foi apresentado ainda em 1962 no Salão do Automóvel de Paris: era baseado no câmbio manual de três marchas e utilizava uma embreagem de acionamento eletromagnético. Outra novidade reservada ao modelo 1963 foi o revestimento interno de veludo, bem mais requintado que o vinil.

As suspensões eram independentes nas quatro rodas, facilitando a correção do sobresterço naturais do R8 em razão do motor posicionado atrás do eixo traseiro. O comportamento dinâmico equilibrado colaborou para a chegada do novo motor de 1,1 litro e 50 cv em 1964, proporcionando aceleração de 0 a 96 km/h em 14,6 segundos e velocidade máxima de 138 km/h. Esse motor era equipamento de série na versão topo de linha Major.

Aletas na tampa do motor favoreciam a refrigeração
Aletas na tampa do motor favoreciam a refrigeração Fernando Pires/Quatro Rodas

Em setembro do mesmo ano, surge o R8 Gordini, caracterizado pela pintura azul Bleu de France e duas faixas brancas longitudinais no lado esquerdo da carroceria. A receita de Amédée Gordini incluía cabeçote de fluxo cruzado e dois carburadores Solex horizontais de corpo duplo para render 95 cv a 6.500 rpm, suficientes para acelerar de 0 a 96 km/h em 11,7 segundos. A velocidade máxima era de impressionantes 164 km/h.

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A versão Gordini recebia molas mais curtas, suspensão dianteira reforçada e dois amortecedores por roda no eixo traseiro, medidas imperativas para manter os finíssimos pneus diagonais 135 x 380 em contato com o solo. A caixa de direção, por sua vez, ficou ainda mais direta, com 3,25 voltas entre os batentes.

A potência máxima chegava a 6.500 rpm
A potência máxima chegava a 6.500 rpm Fernando Pires/Quatro Rodas

A versão Gordini rompeu a barreira dos 100 cv em 1966, quando o motor teve a cilindrada ampliada para 1,3 litro. Era alimentado por dois carburadores Weber 40 DCOE e chegava aos 103 cv a 6.750 rpm. A potência específica de 79,2 cv/l era altíssima para a época. Um novo câmbio de cinco marchas ajudava na performance: com aceleração de 0 a 96 km/h em 10,9 segundos e máxima de 175 km/h.

Presidente da Renault, Pierre Dreyfus declarou que o R8 Gordini era destinado a satisfazer entusiastas sem cobrar muito caro por isso. Foi a porta de entrada para inúmeros pilotos no mundo todo, incluindo o bicampeão de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi. Foi com este R8 1965 importado pela Willys-Overland do Brasil que ele venceu sua primeira competição oficial, aos 19 anos de idade.

Esportivo que era barato e veloz
Esportivo que era barato e veloz Fernando Pires/Quatro Rodas

“O Emerson teve a emoção de reencontrar o carro em uma homenagem que foi feita a ele em 2018 no Concours d’Elegance de Amelia Island”, conta Maurício Marx, comerciante de automóveis antigos e proprietário do R8 mostrado aqui.

Os pilotos da lendária equipe Willys
Os pilotos da lendária equipe Willys Fernando Pires/Quatro Rodas

“A Willys trouxe dois R8 Gordini para o Brasil, muito preparados, já com motores de 1,3 litro e 130 cv, e câmbio de cinco marchas”, relata Bird Clemente, primeiro piloto profissional do Brasil e egresso da equipe homônima. “Era um automóvel de última geração, muito equilibrado e, apesar do motor menor, não fez feio frente aos Alfa Romeo da equipe Jolly e aos BMW da equipe Cebem, ambos com motores de 1,6 litro.”

O R8 foi sucedido pelo Renault 12 de tração dianteira, tecnicamente similar ao Ford Corcel brasileiro. Mais de 1,2 milhão de unidades foram comercializadas em 14 anos: a produção francesa foi encerrada em 1973, mas ele continuou em linha na Espanha até o ano de 1976.

Ficha técnica: Renault R8 1965 Gordini

Motor: 4 cilindros em linha de 1,1 litro
Potência: 195 cv a 6.500 rpm
Torque: 9,99 kgfm a 5.000 rpm
Câmbio: manual de 4 velocidades, tração traseira
Carroceria: fechada, 4 portas, 5 lugares
Dimensões: comprimento, 399 cm; largura, 148,6 cm; altura, 130,8 cm; entre-eixos, 227 cm; peso, 853 kg
Desempenho: aceleração de 0 a 96 km/h: 11,7 segundos; velocidade máxima de 164 km/h

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