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Mercado: em queda há 10 anos, carros populares estão em extinção no Brasil

Modelos de entrada vêm perdendo participação nas vendas, mas as opções também estão sumindo

Por Henrique Rodriguez 26 ago 2019, 07h00
Fiat Mobi, Chery QQ e Renault Kwid: os carros mais baratos do Brasil Christian Castanho/Quatro Rodas

Eles são os menores e mais acessíveis que se pode comprar. Mas isso não quer dizer que os carros populares serão, obrigatoriamente, os mais vendidos.

Tanto o mercado quanto os fabricantes estão gradativamente perdendo o interesse em veículos baratos.

Em 2004, os modelos de entrada representavam 46% das vendas de automóveis no Brasil, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Cinco anos depois, em 2009, esse número já havia caído para 36% e seguiu em queda até os 17% em 2018 (veja gráfico acima). No primeiro semestre, apenas 12% dos carros de passeio vendidos eram espartanos compactos de entrada.

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Otavio Silveira/Quatro Rodas

Um dos motivos é a proximidade de preços entre carros populares, como Fiat Mobi, Renault Kwid e Volkswagen Gol, dos hatches de segmentos superiores, caso de Argo, Sandero e Polo.

Compradores dos dois exigem os mesmos equipamentos básicos (ar-condicionado, direção assistida, vidros elétricos e rádio), o que termina nivelando seus preços. Se a diferença é pequena, acaba-se optando pelo modelo maior.

A crise econômica também influencia nisso. Quem tem crédito para financiar um automóvel novo parte para modelos melhores e mais completos.

Para as montadoras, isso é ótimo: carros de segmentos superiores têm maior valor agregado, o que resulta em maior lucro. É por isso, também, que poucos fabricantes ainda investem nos populares: não há nenhum lançamento previsto para o segmento.

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