Grandes Brasileiros: Ford Corcel Hobby

Desenvolvido para agradar ao público jovem, o Corcel Hobby acabou tornando-se uma versão esportiva de baixo custo

Ele tinha a suspensão mais firme da versão GT Ele tinha a suspensão mais firme da versão GT

Ele tinha a suspensão mais firme da versão GT (Marco de Bari/)

Se a década de 60 foi marcada pela ascensão da indústria automobilística brasileira, a de 70 se destacou pelo surgimento da indústria de acessórios. Lojas como Rodão, Dragster e Hermes Macedo viviam abarrotadas de jovens dispostos a equipar seus automóveis com rodas de magnésio, faróis auxiliares, sistemas de som e outros itens de personalização.

Os fabricantes logo perceberam o nicho de mercado e passaram a oferecer versões simplificadas ao gosto desse público: Dodge 1800 SE, VW Passat Surf e Chevrolet Chevette Jeans combinavam visual despojado e estética esportiva com eliminação quase total de cromados e estofamento interno em cores e padrões nada discretos.

Com essa fórmula, não foi difícil para a Ford oferecer um automóvel com as mesmas características. Com linhas retas e angulosas, o Corcel II ainda oferecia sabor de novidade em 1980, oferecido nas versões Standard, Luxo, LDO e GT – esta última dotada de visual esportivo e disponível só com motor de 1,6 litro.

Assim surgiu a versão Hobby: custando apenas 8% a mais que a Standard, a Ford definiu-o como um Corcel II de alma nova, na medida certa para consumidores jovens de espírito. Para isso, o Hobby ostentava uma decoração externa similar à do GT, com molduras das janelas, maçanetas, para-choques, spoiler e rodas pintados na cor preta.

O Hobby era uma versão mais despojada: frisos pretos eram sua marca registrada no exterior O Hobby era uma versão mais despojada: frisos pretos eram sua marca registrada no exterior

O Hobby era uma versão mais despojada: frisos pretos eram sua marca registrada no exterior (Marco de Bari/)

Suspensão própria

Do GT também veio a suspensão, 1,3 cm mais baixa: molas mais duras e amortecedores recalibrados trabalhavam em conjunto com duas barras estabilizadoras (uma para cada eixo), diminuindo a rolagem da carroceria nas curvas e o desvio de trajetória em frenagens fortes. Seu comportamento dinâmico era excelente, sensivelmente superior ao das outras versões.

O acabamento era simples porém bem executado, onde se destacavam o painel com apliques aluminizado e bancos e laterais de porta com tecido quadriculado preto e branco. Os para-lamas dianteiros e a tampa do porta-malas exibiam os emblemas adesivados com o nome da versão.

Um dos trunfos do Hobby era a livre escolha dos opcionais: havia o tradicional motor 1.4 de 72 cv ou o novo 1.6 de 90 cv, com quatro ou cinco marchas. Completo, seu preço se aproximava do GT, trazendo servofreio, ignição eletrônica, conta-giros, luzes de cortesia, ventoinha eletromagnética, temporizador do lavador de para-brisa e esguicho elétrico.

Por dentro, visual espartano e poucos itens de série Por dentro, visual espartano e poucos itens de série

Por dentro, visual espartano e poucos itens de série (Marco de Bari/)

Bom de consumo

Pesando 950 kg, o Hobby 1.6 revelou desempenho mediano na nossa pista de testes: precisou de 17,95 segundos para acelerar até os 100 km/h e alcançou a máxima de 148 km/h. Mas a economia compensava: média de 12,02 km/l, mantendo as respostas imediatas ao menor toque no acelerador.

Logo vieram o motor de 1,6 litro movido a álcool e a opção do teto solar em 1981, mesmo ano em que a produção do GT foi encerrada. Sozinho no páreo, o Hobby ganhou novas rodas de aço estampado no ano seguinte, como as que equipam este exemplar, que pertence ao colecionador Ricardo Bataglia.

“Este Hobby foi adquirido há oito anos, de um amigo da família que foi o primeiro dono: precisou apenas de alguns reparos e uma limpeza interna. Um dos itens mais difíceis de serem encontrados foram os faróis originais Cibié, que não são produzidos há muitos anos. Sou parabenizado sempre que dou uma volta nele, pois é um modelo praticamente extinto”.

Produzido até 1983, o Hobby não deixou substituto: com as atenções voltadas para Del Rey e Escort, o Corcel II foi preterido pelo público e acabou saindo de linha em 1986. Relativamente raro, a versão é hoje considerada uma das mais valorizadas pelos fãs do Corcel.

Veja também

Teste QUATRO RODAS – março de 1980

Aceleração de 0 a 100 km/h 17,95 s
Velocidade máxima 148,1 km/h
Consumo médio 12,02 km/h
Preço (abril de 1980) Cr$ 202.276
Preço (atualizado IGP-DI) R$ 61.990

Ficha Técnica – Ford Corcel Hobby 1982

Motor longitudinal, 4 cilindros em linha
Cilindrada 1 555 cm3, duas válvulas por cilindro, comando de válvulas simples no bloco, alimentação por carburador de corpo duplo
Potência 90 cv (SAE) a 5 600 rpm
Torque 13 mkgf a 4 000 rpm
Câmbio manual de 5 marchas, tração dianteira
Dimensões comprimento, 446,8 cm; largura, 166 cm; altura, 133,8 cm; entre-eixos, 243,8 cm;
Peso 950 kg
Pneus 185/70 R13
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  1. Luiz Lukacla

    Adquiri um Corcel II std em fev/1978; o modelo tinha acabado de sair e, mesmo sendo o mais simples, chamava uma baita atenção. As dores de cabeça mais comuns aos modelos iniciais foram: estrutura de ferro do encosto do banco do motorista, por ser muito fraca, quebrava-se com facilidade; assim como a chapa com tubo de ferro por onde passava o cabo de embreagem, que ia do pedal para o motor. Mas, em compensação, esses carros foram pioneiros no uso dos seguintes ítens: para-brisa laminado, retrovisor interno colado no para-brisa, circuito elétrico do painel impresso em placa. Todas as montadoras copiaram as novidades. Mais tarde tive um Hobby, 2ª. mão, pouco usado: Iteratividade nas vantagens e nos defeitos (embreagem e banco).