Um dia de piloto com o carro de rali que você pode comprar

Sentimos na pele as emoções (e os perrengues) de pilotar o Mitsubishi ASX RS – que você pode comprar e dirigir até nas ruas

Pintura branca? Sou mais em tom de marrom...

Pintura branca? Sou mais esse tom de marrom… (João Mantovani/Quatro Rodas)

Fazia mais de 30°C, mas o calor era a menor das minhas preocupações naquela sexta-feira de sol em Mogi-Guaçu (SP). Afinal, eu seria o primeiro jornalista do Brasil a pilotar o ASX RS, modelo mais barato preparado pela Mitsubishi para ralis. Sorte minha, azar de Youssef Haddad, navegador tricampeão do Rally dos Sertões e meu corajoso professor.

Apesar do privilégio, qualquer pessoa pode comprar um ASX RS. Por ele são pedidos R$ 69.000, desde que o cliente dispute sete provas da Mitsubishi Cup em dois anos – se não o preço sobe para R$ 90.000. É uma baita pechincha, especialmente porque um ASX 4×2 MT novo custa R$ 97.990. Além disso, todo carro sai da fábrica emplacado. Dá para correr e voltar dirigindo para casa.

O ASX RS é quase R$ 30.000 mais barato que a versão comum

O ASX RS é quase R$ 30.000 mais barato que a versão comum (João Mantovani/Quatro Rodas)

Todos os revestimentos são retirados, assim como os bancos – trocados por assento tipo concha com cintos de segurança de cinco pontos. Atrás, há reforços tubulares e o extintor de incêndio, e todas as portas são feitas de fibra de vidro.

Interior mescla peças originais com bancos concha, chave geral e gaiola

Interior mescla peças originais com bancos concha, chave geral e instrumentos de navegação (João Mantovani/Quatro Rodas)

As alterações mais profundas estão sob a carroceria. A suspensão recebeu reforços e o servofreio foi retirado para aumentar a sensibilidade do pedal. O motor 2.0 ganhou uma nova central eletrônica, passando dos 160 cv originais para 194 cv. Já o câmbio manual de cinco marchas teve a relação de saída encurtada em 26%, mas a caixa de transferência é original, assim como um item precioso debaixo do calor: ar-condicionado.

Gaiola entra como item de segurança obrigatório

Atrás dos ocupantes, tudo muda: gaiola de proteção, extintores, reservatórios e estepe (divulgação/Mitsubishi)

Frear para ser rápido

Do alto de minha (pouca) experiência com cursos de pilotagem, achei que não seria tão difícil domar o ASX. Ledo engano. Assim que engato a primeira marcha, ouço uma recomendação incomum. “Antes de acelerar é preciso aprender a frear”, afirmou Haddad, lembrando que os pilotos freiam para fazer a traseira se soltar e depois contornar as curvas sem diminuir a velocidade.

O veículo tinha todos os aparelhos usados em uma prova de rali, como sistema de comunicação de rádio entre os ocupantes (intercom) e um computador de bordo Pro Tune, que grava todos os dados da pilotagem.

Dentro do carro, piloto e navegador, se falam por rádio

Dentro do carro, piloto e navegador, se falam por rádio (João Mantovani/Quatro Rodas)

Abri as primeiras voltas com cautela, andando devagar para conhecer o percurso de terra e lama. Após me acostumar ao freio, comecei a acelerar mais forte nos trechos longos. Estico as marchas até os 6.000 rpm e só faço a troca quando as luzes do shift light piscam.

Já pilotei carros mais rápidos, mas nunca tive uma sensação de velocidade tão forte assim, reforçada pela passagem dos pés de cana-de-açúcar pela janela. Foram alguns deles, aliás, que atropelei ao passar reto numa curva. Isso ocorreria outras duas vezes, felizmente sem danos a veículo e ocupantes. “Pise com tudo no freio e faça a curva dosando o pé no acelerador para não perder aderência”, ensinava Youssef .

Aos poucos fui sentindo mais confiança. Algumas curvas mais longas eram feitas em segunda marcha sem frear e nos trechos mais longos alcancei 120 km/h em terceira marcha. Depois de quase uma hora, encostei nos boxes em êxtase e com uma certeza: já posso ser o piloto reserva da Mitsubishi no Rally dos Sertões. Estou só esperando a ligação…

Ficha técnica – Mitsubishi ASX RS

  • Preço: R$ 69.000
  • Motor: gas., diant., transv., 4 cil. em linha, 1.998 cm3, 16V, 194 cv a 6.000 rpm, 27 mkgf a 4.200 rpm
  • Câmbio: manual, 5 marchas, 4×4
  • Suspensão: independente nas quatro rodas
  • Freios: hidráulicos com reservatórios independentes
  • Direção: hidráulica
  • Rodas e pneus: 215/75 R15
  • Dimensões: comp., 429,5 cm; largura, 177 cm; altura, 162,5 cm; entre-eixos, 267 cm; peso, 1.367 kg; tanque, 60 litros
  • Velocidade máxima: 185 km/h
Comentários
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  1. Edson KozoYoshida

    Essa central eletrônica que eleva a potencia de 160 CV para 194 CV, está disponivel no mercado para compra, posso utilizar no Lancer GT?