Teste: Chevrolet S10 Advantage, simples e sem concorrentes

Com preço inicial de R$ 91.590, ela perde alguns equipamentos importantes, mas mantém a qualidade

Visual muda pouco, mas retrovisores (sem pintura) perderam os ajustes elétricos

Visual muda pouco, mas retrovisores (sem pintura) perderam os ajustes elétricos (João Mantovani/Quatro Rodas)

A General Motors tem motivos para comemorar no Brasil. Foi líder de vendas em 2016, e o Onix é o modelo mais vendido do mercado. Recentemente a fabricante apresentou outro trunfo: uma versão mais acessível da S10, que passa a ser a picape média mais barata do país. Sem delongas, a S10 Advantage chega por R$ 91.590.

Com este valor, é a única das picapes médias a custar menos de R$ 100.000. A Ranger XLS 2.5 Flex começa em R$ 103.990, a Hilux SR 2.7 Flex custa R$ 113.280, a L200 3.2 diesel, R$ 114.990 e a Amarok S/SE 2.0 diesel, R$ 126.990 (mesmo com rodas de ferro).

Nem a Fiat Toro escapa da briga de preços. Com motor 2.4, a versão Freedom sai por R$ 98.730 – mas pertence a uma categoria de tamanho menor. Já a nova Frontier por enquanto não entra na disputa: está sendo vendida apenas na configuração mais cara, LE, por R$ 166.400.

Para tirar um dígito do preço, a Chevrolet removeu equipamentos já considerados básicos no segmento, como a coluna de direção ajustável e até a regulagem elétrica dos retrovisores – temos que ajustá-los manualmente, empurrando os espelhos com os dedos, prática extinta até em carros populares. São apenas dois airbags e nada de controles de estabilidade e tração.

Porém, outros itens de conforto permanecem na lista de série, como ar-condicionado, faróis de neblina, alerta de pressão dos pneus, computador de bordo, direção elétrica, vidros elétricos com função um toque, assistência de frenagem de emergência, cinto de segurança central traseiro de três pontos e central multimídia MyLink com integração a smartphones Android e iOS, Bluetooth, USB, AUX e rádio AM/FM.

Além disso, o tão falado sistema OnStar vem com o menor pacote disponível, o Safe, que custa R$ 50 mensais e não cobre os serviços de concierge (uma espécie de assistente pessoal), navegação, emergência e métodos de localização do veículo. Há outros dois pacotes: Protect e Exclusive, que custam R$ 65 e R$ 80, respectivamente. No entanto, a S10 Advantage só pode chegar até o Protect. O Exclusive fica restrito às versões LTZ e High Country – as mais caras da gama.

Estribos e santantônio são acessórios vendidos nas concessionárias

Estribos e santantônio são acessórios vendidos nas concessionárias (João Mantovani/Quatro Rodas)

Na aparência, a S10 Advantage também não demonstra custar pouco mais de R$ 90.000. Ela tem rodas de liga leve aro 16, faróis de neblina, capota marítima e detalhes cromados na grade. Apesar disso, maçanetas e retrovisores são de plástico sem pintura e os leds diurnos nos faróis foram dispensados. Esqueça também estribos e santantônio – esses itens são disponibilizados como acessórios nas concessionárias, já que o modelo não tem pacotes de opcionais.

Por dentro, a simplicidade é (bem) maior. Há plásticos rígidos por todos os cantos e nada de superfícies brilhantes, como cromados ou piano black. O volante (de toque áspero) e o câmbio também têm aparência pobre. Porém, o que incomoda mesmo é o vazio formado no painel pela ausência de comandos do ar-condicionado dual zone e da central multimídia mais completa das versões mais caras. O volante também carece de botões e acabamento mais caprichado.

Interior simples reflete a perda de equipamentos

Interior simples reflete a perda de equipamentos (João Mantovani/Quatro Rodas)

Convivência pacífica

Felizmente, quando o assunto é o conjunto mecânico, nada mudou. O motor 2.5 Ecotec entrega 206/197 cv e 27,3/26,3 mkgf com etanol/gasolina. No caso da versão de entrada, o câmbio é sempre manual de seis marchas e a tração, 4×2. Com esta configuração e gasolina no tanque, o modelo surpreendeu nos números – mesmo considerando que desempenho não é a prioridade em veículos desse tipo.

Foram 11,7 segundos para ir de 0 a 100 km/h – mais rápido do que as versões topo de linha das concorrentes, equipadas com motorização turbodiesel. A Hilux SRX fez a prova em 13,9, a Ranger Limited em 11,3 e a L200 Triton Sport em 12,5. Mesmo considerando o câmbio manual da S10, também é necessário levar em conta que os motores turbodiesel têm praticamente o dobro de torque do 2.5 Ecotec. A S10 High Country, turbodiesel, evidencia o fraco desempenho das rivais: ela foi de 0 a 100 km/h em 10 segundos.

Apesar da ausência de câmbio automático, a picape passa longe de ser desconfortável no dia a dia. Ela tem boas respostas em circuitos urbanos – na estrada, porém, o fôlego é menor e algumas reduções são necessárias para ultrapassagens. Isso com trocas suaves da transmissão, que em nada lembra as antigas picapes manuais.  

O conforto também está na direção elétrica e na suspensão, que ignora as imperfeições do solo, quase não quica e garante uma estabilidade elogiável, inclusive na chuva. Em relação às concorrentes, a S10 é, sem dúvidas, a dona do melhor conjunto de rodagem.

Veredicto

A picape média mais barata do país quer passar longe do pejorativo termo “pé de boi”. Salvo algumas falhas graves, como os retrovisores manuais e a ausência de controle de estabilidade, a S10 Advantage é bem equipada de série e oferece um dos conjuntos mecânicos mais eficientes e confortáveis do segmento. Por R$ 91.590, não há concorrentes.

Teste de pista (com gasolina)

  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 11,7 s
  • Aceleração de 0 a 1.000 m: 32,9 s – 156,6 km/h
  • Velocidade máxima: n/d
  • Retomada de 40 a 80 km/h (em 3): 8,4 s
  • Retomada de 60 a 100 km/h (em 4): 13,6 s
  • Retomada de 80 a 120 km/h (em 5): 20,7 s
  • Frenagens de 60 / 80 / 120 km/h a 0: 19,2/33,8/77,8 m
  • Consumo urbano: 7,8 km/l
  • Consumo rodoviário: 10,6 km/l

Ficha técnica – Chevrolet S10 Advantage

  • Preço: R$ 91.590
  • Motor: flex, diant., longit., 4 cil., 2.457 cm3; 16V, 206 cv a 6.000 rpm (etanol)/197 cv a 6.300 rpm (gasolina), 27,3/26,3 mkgf a 4.400 rpm
    Câmbio: manual, 6 marchas, tração traseira
  • Suspensão: McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)
  • Freios: discos ventilados (diant.) e tambor (tras.)
  • Direção: elétrica
  • Rodas e pneus: liga leve, 245/70 R16
  • Dimensões: comprimento, 536,1; altura, 178,7 cm; largura, 213,2 cm; entre-eixos, 309,6 cm; peso, 1.808 kg; tanque, 76 l; caçamba, 942 kg/1.061 l
  • Equipamentos de série: ar-condicionado, alarme, diferencial com deslizamento limitado, faróis de neblina, capota marítima, central multimídia MyLink, computador de bordo, dois airbags, sensor de pressão dos pneus, capota marítima,
Comentários
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  1. Matheus Bonamigo

    O conjunto em si ficou bem interessante, porém esse item dos espelhos toque ao dedo precisa ser corrigido imediatamente. Estamos em 2017… Excelente quanto ao conjunto mecânico 2.5, e poderia ser disponibilizado como opcional um pacote com bancos e volante em couro, botões de áudio no volante, e maçanetas e retrovisores pintados. Seria mais interessante com isso pela faixa de 95 mil.

  2. Marco Antonio Cardoso Andrade

    Só precisam de duas coisas e manterem esse preço (quem quiser que pague a parte como opcional), colocar o comando mecânico (interno) do retrovisor e uma direção mais elaborada, não precisa ter couro. O importante é manter o preço.

  3. Sergio Augusto

    Um trambolho flex, para iludir o coitado do Brasileiro, isso ai e casamento eterno.

  4. Quatro Portas

    Com certeza a S10 e o Chevrolet Onix são os melhores lançamentos da montadora nos últimos anos. O Cruze também merece destaque, mas a dupla tem alcançado resultados melhores. http://seucarrobom.com.br/novo-onix-2017/

  5. Capricharam na economia, nem controle interno manual colocaram nos retrovisores e essa alavanca do câmbio parece das d20 do século passado. Será que terá uma automática ?

  6. Jorge Nicolau

    Uma coifa de câmbio ridícula, falta de comando elétrico dos retrovisores só dois air bags e sem controles de tração e estabilidade, R$ 50 ou 65 mensais de one star que no final do ano significa R$ 600 ou 780, praticamente o custo de uma revisão a mais, com certeza vale a pena pagar 10 mil a mais na Ranger XLS que além de tudo é mais bonita e estável sem ser molenga de suspensão.
    E corrigindo, ela não foi mais rápida que a Ranger não, pois a Ranger fez o 0 a 100 em 11,3s contra 11,7 da S10.