Teste de pista: Hyundai New Tucson GLS 1.6 T-GDI

Tucson, ix35 e, agora, o New Tucson. A Hyundai segue com a sua estratégia local de trazer novos SUVs sem tirar de linha os antigos

Grade hexagonal no New Tucson: um clássico da Hyundai

Grade hexagonal no New Tucson: um clássico da Hyundai (Christian Castanho)

Este é o New Tucson. Para nós, brasileiros, uma grande novidade. Para o restante do mundo, uma nova geração do ix35, que, por sua vez, nada mais é do que a segunda geração do velho Tucson.

Essa salada fica ainda mais interessante quando se entra no showroom da Hyundai. A aposta acumulada da marca nos SUVs é nítida: Tucson (R$ 69.990), Creta (R$ 72.990), ix35 (R$ 99.990), New Tucson (R$ 138.900), Santa Fe (R$ 177.276) e Grand Santa Fe (R$ 199.990).

Embora seja a evolução do nosso ix35, o New Tucson – fabricado no Brasil – parece pertencer a uma categoria superior. Com seus 4,48 metros decomprimento, 1,85 de largura e 1,66 de altura, ele é maior que o ix35 (respectivamente, 4,41 metros, 1,82 e 1,66). Ao vivo, as formas dão uma presença muito mais impactante ao New Tucson.

Linha ascendente confere ar mais dinâmico ao perfil

Linha ascendente confere ar mais dinâmico ao perfil (Christian Castanho)

Na dianteira, a grade hexagonal – principal elemento da assinatura visual da Hyundai – segue destacada. A parte superior une os faróis horizontais,que, na versão mais equipada, é do tipo full led, com projetor. No centro, a mais alta das três barras vazadas sustenta o H característico da marca. O capô segue a atual tendência de invadir as laterais, se integrando ao topo dos para-lamas.

Faróis contam com projetor do tipo canhão e led

Faróis contam com projetor do tipo canhão e led (Christian Castanho)

No perfil, molduras de plástico sem pintura nas caixas de roda conferem robustez à carroceria, que, por sua vez, se livrou do excesso devincos notados no ix35 e ficou mais elegante. Na traseira, lanterna bipartidas com proporção invertida: agora, a parte maior fica na tampa do porta-malas.

Lanternas de led invadem a tampa do porta-malas

Lanternas de led invadem a tampa do porta-malas (Christian Castanho)

Por dentro, o New Tucson também tem muitas novidades em relação ao ix35. Apesar de exibir a mesma distribuição básica de saídas de ventilação verticais com tela do sistema multimídia ao centro, o painel é mais moderno, com seus dois andares bem definidos. Mas também há críticas a fazer. Quadro de instrumentos e teclas com iluminação azul têm visual um tanto simplório.

Painel em dois andares, couro e volante multifuncional

Painel em dois andares, couro e volante multifuncional (Christian Castanho)

Quadro de instrumentos e teclas com iluminação azul têm visual simples

Instrumentos de visual simples, com tela do computador de bordo ao centro (Christian Castanho)

O painel poderia ser emborrachado, como no Renegade e no Compass, a dupla de SUVs da Jeep. Mas é preciso ser justo: apesar de rígido, o plástico tem toque e visual agradáveis. Além do que, a montagem é excelente, sem cantos vivos, espaços irregulares ou vibração.

Diferente do New Tucson que andamos em Portugal e que estrelou a capa da edição de julho de 2016, a versão vendida no Brasil não terá, de acordo com o material de divulgação da Hyundai, freio de estacionamento eletrônico. No nosso New Tucson, o acionamento é feito por pedal.

Ar-condicionado é digital com duas zonas em todas as versões

Ar-condicionado é digital com duas zonas em todas as versões (Christian Castanho)

No console central os passageiros tem a disposição, entrada USB, auxiliar e duas tomadas 12V

Na parte inferior do console central há duas tomadas 12V (Christian Castanho)

A versão que aparece nas fotos é a intermediária, GLS, de R$ 147.900. Há ainda a GL, de entrada, de R$ 138.900 (sem teto solar e com faróis, lanternas, computador de bordo e acabamento mais simples), e a Top, de R$ 156.900, que oferece ainda bancos dianteiros com ventilação e aquecimento, moldura cromada nos vidros, assistente de estacionamento e retrovisores externos com detecção de veículos em pontos cegos.

Desde a configuração básica, há seis airbags, controles de tração e estabilidade e faróis automáticos. Sobre o mix previsto, a marca diz que a intenção é trazer apenas 30 unidades da Top e que a procura deverá se concentrar na intermediária GLS.

Bancos dianteiros possuem ajustes elétricos; na top de linha, há aquecimento e refrigeração

Bancos dianteiros possuem ajustes elétricos; na top de linha, há aquecimento e refrigeração (Christian Castanho)

Espaço para os passageiros de trás é generoso, com saídas de ar-condicionado dedicadas

Espaço para os passageiros de trás é generoso, com saídas de ar-condicionado dedicadas (Christian Castanho)

A oferta de espaço é boa tanto na dianteira quanto na traseira, onde o túnel baixo facilita a acomodação dos visitantes. Saídas de ventilação dedicadas ampliam ainda mais o conforto. E se todos exagerarem na bagagem antes de viajar, o porta-malas de 513 litros de volume muito provavelmente dará conta do recado.

Teto solar bi-partido a partir da versão intermediária GLS

Teto solar bi-partido a partir da versão intermediária GLS (Christian Castanho)

O mais interessante, não por acaso, ficou para o final: o powertrain. Tanto motor como câmbio do New Tucson são inéditos no Brasil. Sob o capô, o quatro cilindros 1.6 pode fazer com que os desavisados digam: “Não é um motor muito pequeno para um carro tão grande?”.

Seria, caso ele não tivesse o auxílio de turbocompressor e injeção direta de gasolina. São 177 cv depotência e 27 mkgf de torque (queima apenas gasolina), bem mais, portanto, do que o também estreante Jeep Compass, com seu 2.0 flex de 166/159 cv e 20,5/19,9.

Motor 1.6 com turbo e injeção direta rende mais que o 2.0 flex do Compass

Motor 1.6 com turbo e injeção direta rende mais que o 2.0 flex do Compass (Christian Castanho)

Com o New Tucson parado e em rotação de marcha-lenta, confesso que precisei olhar no painel algumas vezes para conferir se o motor estava ligado, de tão silenciosa e isenta de vibração que estava a cabine.

O câmbio também merece destaque. Trata-se de uma caixa automatizada de dupla embreagem e sete marchas, com opção de trocas sequenciais por meio da alavanca seletora. Rápida e silenciosa, ela extrai o melhor do 1.6 turbinado. A aceleração (0 a 100 km/h em 8,8 segundos) e as retomadas são vigorosas, mas quando o ímpeto é controlado, as mudanças de marcha são suaves, quase imperceptíveis.

E o melhor: o consumo fica empolgantemente baixo: 11,1 km/l na cidade e 13,9 km/l na estrada – o Compass flex, dono de um 0 a 100 km/h em 12,3 segundos, apontou consumo urbano de 8 km/l e rodoviário de 11 km/l.

O porta-malas conta com 513 litros

Porta-malas acomoda bons 513 litros, e pode ter os bancos rebatidos (Christian Castanho)

Mesmo assim, o New Tucson GLS tem um grande desafio pela frente: ele quase empata com os R$ 149.990 do Jeep Compass Trailhawk com motor 2.0 turbodiesel, câmbio de nove marchas e tração 4×4. Aí fica difícil.

Veredicto QUATRO RODAS

Bonito, espaçoso, bem-acabado e eficiente, o New Tucson é caro. O Jeep Compass é o alvo a ser batido.

 

Teste de pista (com gasolina)

  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 8,8 s
  • Aceleração de 0 a 1.000 m: 30,1 s – 176,2 km/h
  • Retomada de 40 a 80 km/h (em D): 3,6 s
  • Retomada de 60 a 100 km/h (em D): 4,5 s
  • Retomada de 80 a 120 km/h (em D): 5,8 s
  • Frenagens de 60 / 80 / 120 km/h a 0: 17,1 / 29,5 / 67 m
  • Consumo urbano: 11,1 km/l
  • Consumo rodoviário: 13,9 km/l

 

Ficha técnica – New Tucson GLS 1.6 T-GDI

  • Preço: R$ 147.900
  • Motor: gas., diant., transv., 4 cil., 1.591 cm3, 16V, 177 cv a 5.500 rpm, 27 mkgf a 1.500 rpm
  • Câmbio: automatiz., dupla embr., 7 marchas, tração diant.
  • Suspensão: McPherson (diant.) e multilink (tras.)
  • Freios: discos ventilados (diant.) / sólidos (tras.)
  • Direção: elétrica
  • Rodas e pneus: liga leve, 225/55 R18
  • Dimensões: comprimento, 447,5 cm; largura, 185 cm; altura, 166 cm; entre-eixos, 267 cm; peso, 1.609 kg; tanque, 62 l; porta-malas, 513 l
  • Equipamentos de série: ar digital, controles de estabilidade e tração, teto solar panorâmico elétrico, banco do motorista com ajustes elétricos, airbags laterais e cortina
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  1. A comparação com o Compass flex é totalmente descabida. Na verdade, talvez concorresse com as versões diesel do Compass, mas vai comer poeira.

  2. Henrique Guimarães

    Gostei muito dos números deste motor, vale um teste drive, espero não me decepcionar como ocorreu com o diesel do renegate. Por falar em teste drive, fiz no subaru forester xt. Demais, 240 cv num CVT perfeito…

  3. Luciano Schmitz

    Parece ser um carro excelente! Mas o preço é surreal, ainda mais considerando que tem tração apenas dianteira…
    Apesar disso, vai vender, porque o consumidor brasileiro tem suas “peculiaridades”: se paga mais de 100mil num Corolla (com aquele pacote de equipamentos mais do que franciscano e motor aspirado…), vai pagar sorrindo 150mil num Tucson.

  4. Daniel Saraiva

    Excelente matéria, faltou especificar todos os itens de série, mas sem dúvidas um ótimo carro. Ah, se a Hyundai ainda tivesse a política de preços da época de Azera 3.3 e do lançamento do I30…