Teste: Hyundai Creta, utilitário e esportivo

Hyundai Creta vai além do porte e da versatilidade de um SUV compacto: anda bem e é bom de dirigir

Plataforma do Elantra e motor flex 2.0 do ix35

Plataforma do Elantra e motor flex 2.0 do ix35 (Pedro Bicudo)

SUVs são como jeans: sabendo usar, servem para qualquer ocasião. Para ir ao shopping, ao sítio ou ao parque. Ninguém reclama do tamanho e da altura, mas os SUVs não encolhem com água quente. São os carros da moda, os modelos que 36% das pessoas veem como ideais para si, segundo pesquisa da QUATRO RODAS com 3.000 entrevistados.

A Hyundai sabe muito bem que SUVs estão em alta. É dela uma das maiores gamas do segmento: além de duas carrocerias de Santa Fe, vende três gerações do Tucson (incluindo o ix35) na mesma concessionária. Só estava devendo um SUV compacto, justamente o que mais se vende hoje.

É aí que o Creta entra na história. Com motores 1.6 e 2.0 e preços entre R$ 72.990 e R$ 99.490, ele promete noites mal dormidas para todos os modelos do segmento, desde Ford EcoSport e Renault Duster até Jeep Renegade Honda HR-V.

Traseira tem linhas que remetem ao New Tucson

Traseira tem linhas que remetem ao New Tucson (Pedro Bicudo)

É o primeiro SUV compacto global da Hyundai e o primeiro vendido pela Hyundai Motor Brasil – os outros são responsabilidade da Hyundai-Caoa. Ele nasce na fábrica de Piracicaba (SP), a mesma do HB20. Mas sua plataforma é diferente, vem do Elantra e do Kia Soul, e 33% de seu aço é de ultrarresistência, algo importante para quem busca por bons índices de segurança (mas a marca não divulgou nenhuma avaliação em crash tests).

O design não é arrebatador, mas tem imponência – mais até do que os vendidos na Rússia e Índia. Nosso Creta tem grade maior (com borda cromada nas versões automáticas) e para-choque com linhas mais elaboradas. Até lembra o Santa Fe de frente.

A traseira, com lanternas horizontais e placa na base da tampa do porta-malas, tem muito do New Tucson. Só no Brasil as lanternas têm a lente transparente para seta, luz de ré na base (não no meio), a régua da placa é cromada e o para-choque traseiro tem refletores na parte sem pintura.

Os iniciados em Hyundai sentirão algum déjà-vu ao entrar no Creta. Simétrico, o painel tem o rádio no centro, ladeado pelas saídas de ar. O ar-condicionado fica em nicho próprio, como no New Tucson.

Revestimento de couro é sempre marrom

Revestimento de couro é sempre marrom (Pedro Bicudo)

Olhando no espelho

O irmão maior também parece ter servido de inspiração para a qualidade da montagem e da costura dos bancos, que não são irregulares. O New Tucson também tem plásticos duros, mas os do Creta brilham ao sol como os de um HB20. Além dos reflexos no para-brisa, afetam a percepção de qualidade.

Computador de bordo com controle de funções é item de série na Prestige

Computador de bordo com controle de funções é item de série na Prestige (Pedro Bicudo)

Comandos no volantes estão disponíveis em todas as versões

Comandos no volantes estão disponíveis em todas as versões (Pedro Bicudo)

Para o motorista, há volante com ajuste de altura e profundidade e banco com grande variação de altura. Para os passageiros do banco de trás, espaço correto para as pernas e assentos bem anatômicos. O túnel central é baixo e há três encostos de cabeça e cintos de três pontos, mas quem se sentar no meio poderá reclamar de espaço para os ombros.

Para o motorista, há volante com ajuste de altura e profundidade e banco com grande variação de altura

Para o motorista, há volante com ajuste de altura e profundidade e banco com grande variação de altura (Pedro Bicudo)

Bom espaço interno e há saída de ar-condicionado para o banco traseiro

Bom espaço interno e há saída de ar-condicionado para o banco traseiro (Pedro Bicudo)

Por chegar tarde ao segmento dominado por Honda HR-V e Jeep Renegade, a Hyundai se esforçou para ter algo diferente no Creta. São as saídas de ar para o banco de trás e banco do motorista ventilados, raros até entre os SUVs médios. Bem, paga-se o preço de um para ter isso: a versão topo de linha, Prestige 2.0, custa R$ 99.490 – R$ 500 a menos que um ix35 básico – e também é a única com central multimídia e couro.

Versão Prestige é a única com central multimídia e câmera de ré

Versão Prestige é a única com central multimídia e câmera de ré (Pedro Bicudo)

O motor 2.0 é exatamente o mesmo do ix35, com 166 cv e 20,5 mkgf no etanol. Mas o 1.6 é diferente daquele do HB20: no Creta, tem duplo comando de válvulas variável (Dual-CVVT), o que melhora o desempenho, ainda que não se traduza em tanta potência: são 130 cv e 16,5 mkgf, só 2 cv a mais e o mesmo torque máximo, com a vantagem de estar disponível às 4.500 rpm, não em 5.000 rpm. Tanto o 1.6 como o 2.0 têm partida a frio sem tanquinho e start-stop, com funcionamento bem discreto por sinal.

Motor 2.0 flex é o mesmo do ix35

Motor 2.0 flex é o mesmo do ix35 (Pedro Bicudo)

Completa, a versão Prestige é a mais pesada. Ainda assim, com 1.399 kg, é 101 kg mais leve que um ix35. O motor 2.0 tira de letra, e o Creta embala rápido até demais. Seja delicado com o acelerador ou o câmbio fará trocas só entre 3.500 e 4.000 rpm. Melhor deixar que antecipe as trocas para reduzir as rotações do motor. Os ouvidos serão gratos: o isolamento acústico é bom até as médias rotações, mas não consegue conter o ruído do motor em regime elevado.

Estradeiro

Potência e torque que sobram na cidade ajudam na estrada. O motor tanto trabalha em confortáveis 2.500 rpm a 120 km/h quanto garante boas retomadas. O câmbio faz sua parte: reduz as marchas rápido, sem as segurar por muito tempo após uma ultrapassagem, por exemplo.

Na versão Pulse 1.6 automática, não dá para dosar tanto o pé. O câmbio explora ao máximo as primeiras marchas nas acelerações, mas a terceira é a mais utilizada em trajetos urbanos. Não sobra força, mas há o suficiente para não se estressar.

O motor 1.6 (que utiliza o mesmo câmbio automático de 6 marchas do 2.0) só mostra alguma limitação na estrada, em retomadas e acelerações – principalmente depois de romper a barreira dos 100 km/h. Se não tivesse dirigido o 2.0 antes, isso nem seria tão evidente.

Porta do Creta é igual ao do velho Tucson

Porta do Creta é igual ao do velho Tucson (Pedro Bicudo)

Se você já teve a oportunidade de dirigir um HB20, não espere por uma dinâmica parecida. O Creta não tem aquele rodar seco. Pelo contrário: surpreende pela suavidade. As suspensões, do tipo McPherson na dianteira e de eixo torção na traseira, filtram irregularidades de um calçamento de pedras e não deixam os passageiros sentir o impacto seco com uma lombada, mas são firmes o suficiente para não permitir que a carroceria incline demais em curvas.

A direção elétrica é leve em manobras, mas pesada em alta velocidade. Passa segurança, mas parece artificial demais. É a pegada que se espera de um hatch esportivo, mas não em um SUV que nem borboletas para trocas sequenciais tem.

O desempenho é bom, mas equipamentos importantes estão restritos às versões mais caras (veja o descritivo de todas as configurações mais abaixo). Ainda assim, a Hyundai espera ver entre 3.500 e 4.000 Creta ganhando as ruas por mês. Se ela está certa, saberemos depois.

Porta-malas conta com 431 litros

Porta-malas conta com 431 litros (Pedro Bicudo)

Veredicto

Dinâmica a hatch médio é o grande destaque do Hyundai Creta, junto do esperto motor 2.0. Mas limita muitos equipamentos importantes à versão mais cara.

Teste de pista (com gasolina)

  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,8 s
  • Aceleração de 0 a 1.000 m: 32,1 s
  • Retomada de 40 a 80 km/h (em D): 4,4 s
  • Retomada de 60 a 100 km/h (em D): 5,8 s
  • Retomada de 80 a 120 km/h (em D): 7,4 s
  • Frenagens de 60 / 80 / 120 km/h a 0: 16,7 / 28,3 / 64,3 m
  • Consumo urbano: 8,2 km/l
  • Consumo rodoviário: 12,7 km/l

Ficha técnica – Hyundai Creta Prestige 2.0

  • Preço: R$ 99.490
  • Motor: flex, diant., transv., 4 cil., 1.999 cm3, 16V, DOHC, CVVT, 166/156 cv a 6.200 rpm, 20,5/19,1 mkgf a 4.700 rpm
    Câmbio: automático, 6 marchas, tração dianteira
  • Suspensão: McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)
  • Freios: discos ventilados (diant.) / tambor (tras.)
  • Direção: elétrica
  • Rodas e pneus: 215/60 R17
  • Dimensões: comprimento, 427 cm; largura, 176, cm; altura, 163 cm; entre-eixos, 259 cm; peso, 1.399 kg; tanque, 55 l; porta-malas, 521 l

 

A cara do Creta 1.6

Sem mimos, o 1.6 tem faróis sem leds

Sem mimos, o 1.6 tem faróis sem leds (Pedro Bicudo)

A versão 1.6 traz painel preto, bancos em tecido, rádio simples com Bluetooth, ar-condicionado manual e quadro de instrumentos mais simples

A versão 1.6 traz painel preto, bancos em tecido, rádio simples com Bluetooth, ar-condicionado manual e quadro de instrumentos mais simples (Pedro Bicudo)

Motor 1.6 utiliza o mesmo câmbio automático de 6 marchas do 2.0

Motor 1.6 utiliza o mesmo câmbio automático de 6 marchas do 2.0 (Pedro Bicudo)

Versões e preços do Hyundai Creta

ATTITUDE 1.6

Manual: R$ 72.990

Automático: R$ 69.990*

Start-stop, direção elétrica, travas elétricas, volante com ajuste de altura eprofundidade, retrovisores externos elétricos e repetidores de seta, rodas de liga de 16″, monitor de pressão dos pneus isofix.

* Versão exclusiva para portadores de necessidades especiais (PNE)

PULSE 1.6

Manual: R$ 78.290

Automático: R$ 85.240

Soma controles de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa sensor de estacionamento traseiro. A versão automática ainda ganha piloto automático e rodas aro 17 diamantadas.

PULSE 2.0

Automático: R$ 92.490

Adiciona faróis com projetor e DRL de leds, faróis com iluminação lateral (Cornering Light), saídas de ar-condicionado para o banco traseiro e abertura e fechamento dos vidros elétricos pela chave.

PRESTIGE 2.0

Automático: R$ 99.490

Única com couro (marrom), seis airbags, banco do motorista ventilado, ar automático digital, computador de bordo mais completo, retrovisores rebatíveis eletricamente, faróis automáticos, central com GPS e câmera de ré.

 

Confira abaixo a visualização em 360º do interior do Creta Prestige:

 

Comentários
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  1. Lucas Santos

    Bom, porque o banco do motorista não tem o compartimento para revistas?

  2. Wilsinho Bruzadelli

    Todos as outras revistas o Creta fez de 0 100km abaixo de 10 s só aqui aqui que bateu 10,8s onde está a verdade?

  3. Henrique Rodriguez

    Quatro Rodas realiza seus testes com gasolina, não com álcool.

  4. EDUARDO MARTINS DOS REIS

    Desde a primeira vez que foi anunciado, acho que faz uns 2 anos, sempre achei que fosse um solução requentada do Soul por causa da semelhança com coluna “A” de ambos.

  5. Sergio Bertoni

    Olha até acho que vai vender, mas daí comparar com hrv e Renegade fica complicado.

  6. Raphael Sato

    Esse interior tá simples demais para um carro de 100 mil reais. Nas versões de entrada ate da pra engolir, mas a topo de linha merecia uma faixa de couro no painel como faz Bicos e Trazer. Ou talvez um painel todo em espuma como o Renegade. Li em outro site que os botões das janelas não tem bem iluminação, é verdade isso?

  7. Djalma Andretta

    Os fiateiros piram!

  8. Lauro Agrizzi

    Muito completo ,mas muito caro para concorrer com o HR-V. Não vai concorrer com o Renegade pois é muito urbano. Além do mais a versão completa é muito cara.

  9. Igor Sant Anna

    No. De dirigir mas custa quase 100 mil reais. A Hyundai podia parar de fabricar o HB20 e vender apenas o Creta em versão única da prestige 2.0 por 75 mil: seria um bestseller.

  10. Igor Sant Anna

    O Hyundai Creta parece ser um SUV bem acertado, conseguiu reunir o melhor dos mundos. Acho apenas salgados os preços. A Hyundai poderia vende-lo em versão única, a Prestige 2.0 com preço entre 70 e 80. Com certeza seria um best seller.