Sandero e Logan superam antigos vícios com motor de 3 cilindros

Compactos da Renault ganham motor inédito, câmbio mais preciso e direção eletro-hidráulica

Após nove anos de mercado, esta é a primeira vez que o Sandero ganha um motor completamente novo. Trata-se do 1.0 12V SCe, de três cilindros, que aposenta o 1.0 16V D4D depois de 15 anos de serviço na linha Renault.

É uma evolução necessária, não apenas para se igualar aos concorrentes que estão mais potentes e eficientes, mas principalmente para atender às normativas de consumo e emissões do Inovar-Auto — que foi o que realmente motivou a rápida evolução dos motores 1.0 no Brasil.

Quanto aos números, este 1.0 12V gera 82 cv a 6.300 rpm e 10,5 kgfm de torque com etanol a 3.500 rpm. Para efeito de comparação, o anterior 1.0 16v D4D de quatro cilindros que ele aposenta tem 80 cv a 5.750 rpm e 10,5 kgfm de torque a 4.250 rpm.

Não há qualquer mudança no design

Não há qualquer mudança no design, nem mesmo um logotipo que indique o novo motor (Divulgação)

A Renault, por exemplo, abandona um motor que sequer tinha variador de fase no comando de válvulas para adotar um com duplo comando de válvulas variável (como o 1.0 da Ford e o TSI do Up!), alternador inteligente (que entra em ação apenas em desacelerações), óleo menos viscoso (0w30) e com comando por corrente. Mas que ainda mantém o tanquinho de gasolina para partida a frio. 

Tudo isso mais os componentes internos com tratamento para ter menos atrito são os grandes responsáveis por números de consumo 19% melhores do que se tinha no antigo Sandero – segundo a marca. Para o Logan, a melhoria foi de 16%.

Sandero 1.0 Sce Logan 1.0 Sce
Consumo (Urbano/Estrada) 14,2 km/l (gasolina) e 9,5 km/l (etanol) 13,8 km/l (gasolina) e 9,3 km/l (etanol)
14,1 km/l (gasolina) e 9,6 km/l (etanol) 14,5 km/l (gasolina) e 10,0 km/l (etanol)
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Motor 1.0 de três cilindros deriva da mesma família do 0.8 usado pelo Kwid na Índia (Divulgação/Quatro Rodas)

Nos cálculos da Renault, o consumo melhor representará uma economia média de R$ 600 por ano em gasolina. Mas é impossível mensurar financeiramente a redução do estresse frente ao que os modorrentos Sandero e Logan 1.0 ofereciam até agora. Houve ganho em potência e torque, mas o que realmente fez diferença foi a presença de torque em rotações mais baixas.

Grandes notícias

Tudo bem que continua sendo necessário uma leve aceleração antes de liberar a embreagem, ou o motor provocará um terremoto no interior do carro de balançar o painel. Contudo, não é difícil perceber como os hatch e sedã estão mais ágeis e como o novo motor consegue ganhar rotações mais rápido.

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Interior está intocado, mas vidros elétricos ganharam função “um toque” (Divulgação)

O câmbio ajuda nessa história: as relações são exatamente as mesmas usadas com o velho motor quatro cilindros, bastante curtas. O desempenho fica na média do segmento (a Renault fala em 0-100km/h em otimistas 13s para os dois modelos quando com etanol), mas ainda é necessário conviver com o conta-giros marcando 4.000 rpm aos 120 km/h. É muito para se comparado aos três cilindros atuais, que em média marcam 3.500 rpm.

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Mas há uma evolução no câmbio. O acionamento deixou de ser por varão (basicamente uma barra metálica que conectava a alavanca diretamente ao câmbio) e passou a ser por cabo (três cabos flexíveis que transmitem o movimento da alavanca), como em todos os concorrentes.

Além de ganhar em precisão nas trocas – ainda que os engates continuem longos -, a alavanca já não se movimenta como um João-bobo em acelerações e frenagens. A longo prazo, também diminuirá a necessidade de manutenção.

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Com a troca da direção hidráulica pela eletro-hidráulica, nota-se o volante mais leve em manobras com o carro parado, e é aí que o motor elétrico comandando a bomba da direção mostra sua vantagem, ao mesmo tempo em que reduz o consumo em 2%. Contudo, o volante continua pesado e exigindo muitas voltas em manobras como antes.

Teria sido oportuno fazer mudanças nos acertos de suspensão de Logan e Sandero. O rodar é confortável, mas nas curvas a carroceria dos dois rola muito e não apóia. Na mesma alça de acesso a 50 km/h, bastou fechar um pouco mais a curva para lembrar que as traseiras do Logan e do Sandero são bastante leves.

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A gama de versões de Sandero e Logan 1.0 continua muito parecida. A versão Authentique, que custa R$ 42.400 para o hatch e R$ 46.300 para o sedã, traz os obrigatórios airbags duplos e ABS com EBD, além de direção assistida, ar condicionado, desembaçador do vidro traseiro, brake light, rodas 15’’ com calotas, travas elétricas das portas, vidros elétricos dianteiros com one-touch e aberturas internas do porta-malas e reservatório de combustível.

Em seguida vem a Expression, por R$ 44.950 para o Sandero e R$ 48.200 para o Logan. Ela soma computador de bordo, rádio CD MP3 2 DIN + USB + Bluetooth, alarme perimétrico, computador de bordo, retrovisor na cor carroceria, maçanetas externas na cor carroceria, coluna B com acabamento em preto e volante com regulagem de altura. Central multimídia MediaNav e sensor de estacionamento são opcionais. 

Sim, há leds nos alto-falantes...

Sim, há leds nos alto-falantes, para proporcionar uma boa “Vibe”… (Divulgação)

O Sandero ao menos tem a série especial Vibe, que por R$ 47.100 soma retrovisores elétricos, sensor de estacionamento e sistema multimídia MediaNav com GPS, além de rodas de liga leve aro 15″ com pintura cinza e detalhes como o aro de leds azuis nos alto-falantes dianteiros e detalhes azuis nos bancos.

Motor 1.6 SCe a caminho

Enquanto as versões com novo motor 1.0 SCe já estão nas lojas, o novo 1.6 SCe só estará disponível nas próximas semanas para Sandero, Logan, Duster e Duster Oroch. Trata-se de uma variação do motor HR16 que a Nissan usa em Kicks, March e Versa. Porém, a Renault conseguiu maior rendimento e incluiu novos sistemas.

Enquanto o Kick oferece 114 cv e 15,5 mkgf, Logan e Sandero terão 118 cv a 5.500 rpm e 16 mkgf a 4.000 rpm e o sistema start-stop (que desliga o motor momentaneamente em paradas para economizar combustível) de série. Para Duster e Duster Oroch serão 120 cv e 16,2 mkgf de torque nos mesmos regimes de rotação, mas sem start-stop.

Linha estará completa nas lojas no final deste mês

Linha estará completa nas lojas no final deste mês

A Renault continuará oferecendo como opcional (por R$ 3.350) para Logan e Sandero o câmbio automatizado Easy´R. A novidade é que estará vinculado a controles de estabilidade e tração, e assistente de partida em rampa. 

Confira abaixo os preços dos modelos 1.6:

Sandero:
Expression 1.6 16V – R$ 49.770
Expression 1.6 16V Easy’R – R$ 53.120
Dynamique 1.6 16V – R$ 53.500
Dynamique 1.6 16V Easy’R – R$ 56.850
Stepway 1.6 16V – R$ 59.720
Stepway 1.6 16V Easy’R – R$ 63.070

Logan:
Expression 1.6 16V – R$ 52.750
Expression 1.6 16V Easy’R – R$ 56.100
Dynamique 1.6 16V – R$ 56.400
Dynamique 1.6 16V Easy’R – R$ 59.750

Duster:
Expression 1.6 16V – R$ 69.200
Dynamique 1.6 16V – R$ 75.290

Duster Oroch:
Expression 1.6 16V – R$ 69.620
Dynamique 1.6 16V – R$ 74.120

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  1. Antonio Carlos Roseira Teixeira

    É uma pena saber que a mal está nos planos da Renault utilizar o câmbio CVT, com fez parceira Nissan. Acredito que seria um ótimo negócio no Logan e Sandero.