Impressões: Corolla Dynamic deixa esportividade na promessa

Por R$ 95.800, versão "esportivada" é bem equipada, mas perde atratividade perante os concorrentes

Corolla Dynamic

Durabilidade, conforto e bom valor de revenda são características facilmente associadas ao Toyota Corolla. Esportividade, no entanto, não está associada ao modelo. Desde sua chegada ao Brasil, em meados dos anos 90, o sedã agrada a uma clientela mais conservadora, que não coloca o design ou a dirigibilidade no topo da lista de preferências – justamente o oposto de Honda Civic e VW Jetta, dois de seus concorrentes mais distintos.

De olho nos fãs do Civic (que acaba de ganha uma atraente versão Sport), a marca apresentou o Corolla Dynamic, uma edição especial com aparência esportiva. Por R$ 95.800, traz luzes diurnas de led no para-choque frontal, capas dos espelhos retrovisores com acabamento preto, rodas de liga leve de 16 polegadas pintadas de preto e o emblema alusivo à versão na tampa traseira.

Corolla Dynamic

Por dentro, as alterações são ainda mais sutis: apenas o revestimento interno dos bancos e painéis de porta de couro sintético e tapetes personalizados são novos.

Apesar da aparência esportiva, o motor é o conhecido 2.0 aspirado de 154 cv a 5.800 rpm e torque máximo de 20,3 mkgf a 4.800 rpm, quando abastecido com etanol. Se a escolha for pela gasolina, são 143 cv a 5.600 rpm e 19,4 mkgf a 4.000 rpm. A transmissão é automática CVT (continuamente variável), com sete posições simuladas de marcha, e opção de trocas por paddle-shifts atrás do volante. Assim como nas outras versões do Corolla, há o modo Sport, acionado por um botão ao lado da alavanca do câmbio.

Toyota Corolla Dynamic 4

A maioria das pessoas pode se decepcionar com a falta de uma motorização mais forte para o Dynamic. A presença de uma versão “esportivada” na linha Corolla nem chega a ser novidade por aqui: a versão XRS, vendida entre 2012 e 2014, seguia a mesma proposta da Dynamic. Por isso, quem já dirigiu um Corolla 2.0 não precisa nem experimentar a nova versão: afinal, é exatamente igual ao sedã que já conhecemos.

Na prática, acelerações suaves e progressivas, suspensão bem calibrada priorizando o conforto dos ocupantes e um casamento harmonioso entre motor e transmissão. A direção é bem calibrada, ainda que pudesse ser um pouco mais leve nas manobras e mais firme em velocidades elevadas.

Com uma configuração mecânica idêntica à do Corolla XEi 2.0, seus números de desempenho são os mesmos: aceleração de 0 a 100 km/h em 10,2 s e retomada de 80 a 120 km/h em 7,0 s – marcas que o colocam em posições intermediárias em nossos rankings de aceleração e retomada para sedãs e hatches médios.

Corolla Dynamic

Alguns podem se queixar da falta de emoções na condução, mas o Corolla nasceu para ser confortável, e não esportivo. É por isso que poucos carros fabricados no Brasil são tão agradáveis de dirigir como esse Toyota. Mesmo que o motorista passe horas ao volante, não chegará a seu destino exausto.

Baseado no conteúdo da versão XEi, a lista de equipamentos do Dynamic inclui cinco airbags (dois frontais, dois laterais e um de joelho para motorista), GPS, ar-condicionado digital, computador de bordo, piloto automático, vidros elétricos nas quatro portas com função um-toque, retrovisor interno anti-ofuscante, ganchos Isofix para fixação de cadeirinhas e central multimídia em tela de 6,1 polegadas, câmera de ré, Bluetooth e DVD.

Toyota Corolla Dynamic 5 Atrás, Isofix, cinto de três pontos e encosto de cabeça para os três ocupantes

Bem equipado, o Corolla Dynamic aposta no visual para atrair uma clientela mais jovial e, assim, conseguir atingir a meta de 400 unidades vendidas por mês – menos de 10% do volume de vendas mensais do modelo. Não é uma meta impossível, mas será uma tarefa ingrata diante das opções mais sedutoras no mercado.

A mais atraente delas é o Chevrolet Cruze LT 1.4 Turbo (R$ 89.990), dono de um projeto mais moderno e de um motor de até 153 cv, mais disposto a agradar quem gosta de acelerar sem abrir mão do conforto.

No universo dos turbinados, há também o VW Jetta Trendline 1.4 TSI (R$ 83.876 e 150 cv) e o Citroën C4 Lounge THP manual (R$ 73.590 e 173 cv). Isso sem contar o Civic Sport, opção que mais se aproxima mais do Corolla por trazer um motor 2.0 de 155 cv (com etanol) e opção de câmbio CVT. Até no preço salgado eles se equiparam: o Honda sai por R$ 87.900 (câmbio manual) e R$ 94.900 com transmissão automática.

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  1. Para quem interessar, nem se iluda com essa altura, o carro real tem mais de duas vezes a altura da roda/para-lama do apresentado. Se colocar uma mola esportiva nele ainda fica mais alto que o da foto.

  2. Nem pra colocar rodas 17 , só foram pintadas, mesmo motor defasado, concorrentes adotam motores turbo com injeção direta, ótimo cambio, fica devendo motor, quanto mais vende corolla, menos itens oferece e maior o seu valor.

  3. A Toyota sabe o que faz! Ela sabe que o consumidor da marca, nem sabe o que são itens de segurança – na verdade, acham que segurança é cinto e freio! Falar que o Corolla é esportivo, é o mesmo que dizer que o Brasil é um país de primeiro mundo! Vende muito, principalmente devido aos concorrentes que oferecem um serviço porco e preços altos! Um carro pelado, com preço de BMW!

  4. Luiz Guilherme Vidal

    1 palavra: Vovorola

  5. Como a maioria que posta aqui, eu sou um autoentusiasta… ou quase isso. Tenho um Corolla GLi 1.8 manual 5 2011 e acabei de comprar – numa oportunidade – um XEi 2017 zero.
    Na minha opinião é um caso de histeria coletiva ou quase isso. Já tive Civic (2007) e Cruze (2012) – competidores diretos.
    Não existe nenhuma característica técnica e mesmo no pós-venda, ainda que acima da média, que justifique esse domínio; verdadeiro massacre que o Corolla impõe sobre a concorrência. Por isso o ódio que o carro desperta em muita gente que realmente gosta de carro.
    Autoentusiasta faz muito barulho mas não causa impacto volume de vendas. A Toyota foi mestre em dar ao Corolla, as características que o civil simplesmente adora: valor de revenda, robustez (tem o fator mito nisso também) e pós-venda acima da média.
    Como quem manda no mercado é o civil, a Toyota deita e rola (com méritos) com o Corolla.
    Pode-se até não gostar do carro, mas dizer que é ruim, também está muito longe da verdade. A superioridade técnica, maior desempenho e mesmo segurança, comprovadamente NÃO são argumentos suficientes pro civil mudar de idéia. Enquanto isso ocorrer o domínio seguirá, por mais que o autoentusiasta reclame. O “fracasso” do Jetta 1.4 TSI é a comprovação disso.
    O Corolla é um carro muito bom, mas confesso que falta emoção, colocar aquele sorriso no rosto do dono ao entrar mais forte numa curva ou numa acelerada mais vigorosa…
    Nessa categoria, o carro que mais gostei (no papel e no TD) foi o C4 THP… Mas o mesmo civil que adora Corolla, também decidiu que carro francês não presta.
    As palavras racionalidade e mercado não tem qualquer relação. E a frase: “Brasileiro é apaixonado por carro”, é mais falsa que nota de 3 reais.
    Não tenho qualquer pretensão de estar certo no que tá aí pra cima. Essa é apenas a minha opinião a respeito do fenômeno Corolla no nosso mercado.
    Forte Abraço a todos