Impressões: o destino incerto do Volkswagen Fox Track

A versão aventureira mais barata destaca os atrativos do Fox – mas também denuncia que a idade chegou para o hatch

Versão Track traz molduras plásticas mais discretas que o CrossFox

Versão Track traz molduras plásticas mais discretas que o CrossFox (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O Fox não anda recebendo muita atenção da Volkswagen, mas a sobrevida dele está garantida – no lançamento do novo Polo na Europa, a VW brasileira afirmou que ele não sairá de linha. Há inclusive a informação apurada por QUATRO RODAS de que o modelo irá sofrer um facelift no próximo ano.

Desde seu lançamento, em 2003, o Fox passou por algumas leves reestilizações e uma melhora gradual em seu refinamento para ocupar o espaço deixado justamente pelo antigo Polo. O futuro agora parece mais incerto – o modelo já deixou de ser vendido na Europa, e no Brasil terá de ser encaixado num pequeno segmento de mercado entre o Up! e o novo Polo.

Enquanto as novidades não se confirmam, a linha 2018 do compacto acaba de chegar às lojas com novos equipamentos – mas menos versões. Convocamos a configuração aventureira mais barata (menos cara?), a Track, que agora parte de R$ 52.150 (R$ 3.660 a mais em relação à linha 2017). O preço subiu, mas a lista de equipamentos também cresceu.

Posicionada entre as configurações Trendline e Comfortline, a Track vem de série com ar-condicionado, direção elétrica, faróis e lanterna de neblina, vidros e travas elétricas, sensor de estacionamento traseiro, função tilt down no retrovisor esquerdo e sistema de som com rádio AM/FM, Bluetooth e entradas para USB, AUX e SD-card. 

Como opcionais, a marca oferece sensor de estacionamento dianteiro, central multimídia com tela colorida sensível ao toque (com opção de GPS e App-Connect), câmera de ré, sensores crepuscular e de chuva e retrovisor interno eletrocrômico – todos os itens presentes na unidade das imagens.

Por dentro, ele cumpre a obrigação de transmitir uma sensação de maior qualidade em relação ao Gol e Up!. Mesmo na versão Track, a segunda mais barata da linha, o acabamento demonstra cuidado nos encaixes, além da boa aparência dos materiais (apesar das superfícies rígidas). Os bancos, sempre de tecido, são confortáveis e oferecem boa aderência ao corpo.

Central multimídia é opcional; construção tem boa qualidade

Central multimídia é opcional; construção tem boa qualidade (divulgação/Volkswagen)

Outro diferencial sobre os hatches mais baratos da VW é a cabine espaçosa. Os ocupantes ficam confortáveis tanto nos bancos da frente quanto nos de trás. O teto elevado, típico de uma minivan, permite que pessoas mais altas, com cerca de 1,90 m, possam conviver tranquilamente com o modelo – são vários os casos de motoristas com este biotipo que permanecem fiéis ao modelo.

Entretanto, ele peca no porta-malas: são apenas 270 litros, contra 281 do Fiesta, 285 do Peugeot 208 e 300 do Citroën C3. Até o Up! ganha do irmão maior, com 285 l.

Se por dentro o Fox ainda rende elogios, por fora ele já apresenta sinais do tempo, mesmo com as três leves reestilizações durante seus 14 anos de vida. A carroceria é basicamente a mesma, com exceção de faróis, lanternas e alguns vincos nas portas e no porta-malas – a última atualização foi feita em 2014.

Tudo puramente estético para disfarçar a idade. Na versão avaliada, as molduras plásticas nos para-choques e nos para-lamas dão ares mais robustos, assim como as barras longitudinais no teto. Rodas de 15 polegadas são de série.

Na era tricilíndrica

O Fox foi o primeiro VW a entrar para a era tricilíndrica, em 2013. No caso do Track, o motor é sempre o 1.0 de três cilindros aspirado com 82/75 cv a 6.250 rpm e 10,4/9,7 mkgf a 3.000 rpm, com câmbio manual de cinco marchas. 

A configuração turbo do Up! TSI seria bem vinda, mas essa estratégia não está nos planos da Volks. Com a chegada do Polo, é possível inclusive imaginar que a marca tire o foco das versões sofisticadas do Fox com motor 1.6, abrindo espaço para as configurações mais simples do novo hatch.

De qualquer forma, o 1.0 aspirado é suficiente no dia a dia e garante bom desempenho aos 1.068 kg do Fox, com acelerações e retomadas que não exigem tanto esforço como no antigo 1.0 de quatro cilindros.

Nos testes de QUATRO RODAS, com gasolina, o Fox 1.0 costuma registrar tempos de aceleração de 0 a 100 km/h na casa dos 15,5 s – um pouco mais rápido que a média dos populares do nosso mercado. O único porém fica para o câmbio, que apesar dos engates curtos e precisos típicos da marca, poderia ter uma marcha a mais para reduzir o giro do motor em velocidades mais elevadas.

Altura elevada em relação ao solo tem prós e contras

Altura elevada em relação ao solo tem prós e contras (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Tanto ao volante como para os passageiros, a principal característica do Fox continua sendo a altura, seja do teto ou em relação ao solo. A primeira, como já dito, permite que pessoas mais altas viajem com conforto. A segunda torna a convivência diária mais confortável em nosso asfalto lunar, com melhor absorção das imperfeições do solo pelo ajuste macio e transposição de lombadas e valetas sem medo de que o carro raspe.

Entretanto, as vantagens tornam-se contras em algumas situações, principalmente em velocidades mais elevadas, a partir de 100 km/h. A grande área lateral sofre pela incidência de ventos, prejudicando a estabilidade do hatch, já com tendência de ter a dianteira flutuante.

Em curvas, a inclinação da carroceria fica mais latente que em modelos mais baixos, como o Gol – lembrando que o Fox Track não tem ESP (controle de estabilidade) nem como opcional. Tudo isso acaba afetando a sensação de segurança em velocidades mais altas.

Perdido no mercado

Apesar dos números de venda ainda respeitáveis (é o 13º carro mais emplacado no acumulado de 2017, atrás apenas do Gol dentro da linha VW), o Fox vive uma situação complicada frente à concorrência. Por R$ 52.150, a versão Track tem preço equivalente ao de modelos com motorização superior, como o Ford Ka Trail 1.5, que parte de R$ 52.490.

Na linha Onix, o VW se aproxima do Onix LT 1.4, que começa em R$ 50.790. No portfólio da Hyundai, o HB20 mais próximo é o Comfort Plus 1.6, por R$ 52.380 iniciais. Todos eles oferecem vantagens no desempenho e, para quem roda mais em estradas, até mesmo consumo menor.

Na linha Fiat, Uno e Argo têm versões com preços próximos ao Fox Track: Uno Sporting 1.3 (R$ 51.080) e Argo Drive 1.3 (53.900). Até dentro de casa ele tem concorrência: o Cross Up!, sempre com motor 1.0 TSI, parte de R$ 55.600 com bom nível de equipamentos, mecânica superior, mas menos espaço interno – com exceção do porta-malas, 15 litros maior.

Veredicto

Dois fatores prejudicam o Fox em uma análise de compra racional: a idade do projeto e o preço alto. Mas o espaço para os ocupantes ainda é um dos melhores do segmento, e a qualidade de construção continua agradando. Se estivesse disponível, o motor 1.0 TSI tornaria o pacote bem mais interessante. Com a chegada do Polo, porém, é provável que o Fox lentamente caia nas sombras do mercado.

Ficha Técnica – VW Fox Track 1.0 MPI

  • Preço: R$ 52.150
  • Motor: flex, dianteiro, transversal, 3 cil., 12V, 999 cm3, 82/75 cv a 6.250 rpm, 10,4/9,7 mkgf a 3.000 rpm
  • Câmbio: manual, 5 marchas, tração dianteira
  • Suspensão: McPherson (diant.) / eixo de torção (tras.)
  • Freios: discos ventilados (diant.) / tambor (tras.)
  • Direção: elétrica
  • Rodas e pneus: 195/55 R15
  • Dimensões: comprimento, 386,8 cm; largura, 190,4 cm; altura, 158,2 cm; entre-eixos, 246,7 cm; peso, 1.068 kg; tanque, 50 l; porta-malas, 270 l
Comentários
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  1. joznildo cipriano

    Comparando no que temos no mercado local, vou continuar de FOX.

  2. Gabriel Medeiros

    Pra quem gosta de pagar caro por motor 1.0… EU não pago 53 mil pelo mesmo motor de um carro de 35 mil.