Como funciona o teste de Longa Duração da QUATRO RODAS?

Entende como são escolhidos, adquiridos, utilizados, avaliados e desmontados os carros que participam do teste de 60.000 km

Longa Duração

Criado em maio de 1973, o teste de Longa Duração é o único do gênero no Brasil. Sem se identificar como QUATRO RODAS, compramos um carro zero e o monitoramos por 60 mil quilômetros, simulando o uso da vida real por um consumidor. Avaliamos desde o comportamento do veículo no dia-a-dia até o atendimento prestado pela rede de concessionárias.

Durante estes 43 anos, o Longa Duração foi copiado por outras revistas e sites, mas QUATRO RODAS segue como a única publicação mundial a adquir os automóveis por conta própria em vez de avaliar veículos cedidos pelas próprias montadoras por um período pré-estabelecido.

Todas as ocorrências são relatadas mensalmente até o fim do teste, quando o carro é desmontado e analisado peça a peça.

Os primeiros testes de Longa Duração rodavam com os carros por 30 mil quilômetros. A distância aumentou para 50 mil e, depois, para 60 mil. O tempo médio para que cada automóvel cumpra essa quilometragem é de um ano e meio – já houve casos de uso intenso em que os 60 mil quilômetros foram percorridos em apenas um ano e um mês.

Como é feito o teste?

A escolha de um novo integrante da frota de Longa Duração passa por alguns pontos básicos, como temperatura do carro no mercado, a promessa de bom negócio, o ineditismo técnico e o nível de curiosidade.

Os veículos são preferencialmente adquiridos na rede de concessionárias homologadas pelo fabricante. Dependendo do caso, partimos para a compra em lojas independentes e até pagamos algum sobrepreço.

Apesar de a compra ser realizada em sigilo, cada veículo passa por um processo de marcação de peças logo após sua aquisição. As identificações são discretas, de forma a não despertar suspeitas por parte das revendas.

Longa Duração - Honda HR-V

Os componentes de trocas mais constantes, como filtros (de ar, óleo, combustível e cabine) e velas, são remarcados cada vez que o carro retorna de uma revisão, situação em que é feita ainda uma checagem completa dos serviços indicados como realizados pela concessionária.

Nenhuma concessionária é avaliada duas vezes no decorrer do teste. Diversos critérios são analisados a cada parada. Desde o serviço de agendamento (facilidade, plataformas e pontualidade) até o atendimento prestado pela revenda, incluindo a oferta e possível cobrança de serviços adicionais quase sempre desnecessários – a chamada “empurroterapia”.

Se isso acontece, perguntamos se há problema em fazer apenas a revisão sugerida pela fábrica, para testar a honestidade. Todos os reparos são realizados seguindo as recomendações do fabricante, utilizando apenas peças originais.

Durante o teste, qualquer problema é relatado em um diário de bordo, que precisa ser preenchido por todas as pessoas que dirigirem o veículo nestes 60 mil quilômetros. Há espaço também para observações e elogios referentes ao projeto.

Todos os carros percorrem trajetos urbanos e rodoviários e cada abastecimento (que é realizado com o mesmo tipo de combustível durante todo o teste) é relatado no diário de bordo.

Uma crítica comum dos leitores é sobre o fato de a quilometragem rodoviária ser sempre maior que a urbana ao fim do teste. Isso ocorre pelo fato de qualquer trajeto rodoviário sempre acumular mais quilometragem que um trajeto urbano. Em geral, os carros de Longa Duração rodam na cidade nos dias de semana (todos os dias) e na estrada nos finais de semana.

A sugestão de que o teste deveria ser exclusivamente urbano (para aproximá-lo ainda mais da vida real) na prática é inviável: isso estenderia a duração do Longa para até três anos, criando o risco de que, ao ser completado, o modelo já tenha sofrido modificações ou saído de linha, limitando a relevância do resultado.

Testes de pista antes e depois

Dois testes de pista são feitos durante a permanência do carro com a redação. O primeiro é realizado com 1 mil quilômetros rodados, após o período de amaciamento do motor. O segundo, aos 60 mil quilômetros, pouco antes do desmonte. Os testes seguem o padrão da QUATRO RODAS e abrangem as seguintes avaliações:

  • Aceleração de 0 a 100 km/h
  • Frenagem
  • Retomada
  • Consumo
  • Ruído interno

Os resultados de desempenho e consumo tendem a ser mais positivos no segundo teste. “A diferença é por conta do assentamento das peças”, explica o consultor técnico Fábio Fukuda, responsável pelos desmontes. “O motor geralmente melhorou sua potência e seu torque. Em contrapartida, as partes móveis da carroceria e do interior já não estão mais tão justas, e costumam fazer mais barulho”.

Após o desmonte e a análise minuciosa de todas as peças, o veículo é remontado. As peças com problema são substituídas, assim como os itens de manutenção previstos na revisão dos 60 mil quilômetros. Outros componentes – como juntas, anéis de pistão e kit de bicos injetores – também são trocados por novos.

Feito isso, o veículo é incorporado à frota de uso da Editora Abril e, dependendo do caso, acaba vendido para terceiros.

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  1. André Pedro

    Acredito que 60 mil km não atende mais ao propósito do teste. Carro com até essa KM se der problemas realmente sérios é porque é muito ruim, hoje em dia duram muito mais, inclusive os populares. Outra coisa que é importante mudar no teste, na minha opinião, é que a venda não se deve dar em concessionárias, que fazem jogo de números para avaliar usados. O ideal seria apresentar por realmente quanto seria vendido no particular, ou só venda, sem atrelamento de compra.

  2. Franco Vieira

    Desde os anos 90 se não me engano, o teste é de 60mkm. Com as novas tecnologias no processo de montagem e fabricação dos carros e seus respectivos motores, essa quilometragem ainda é suficiente?

  3. Ainda acho uma grande cagada esse Mobi no teste de longa duração. Carro que não acrescenta em nada e ainda chutou os preços do Uno lá pra cima. Se pelo menos foce o Drive

  4. Mauricio Cazelatto

    Exatamente, Franco. Esses testes perderam o sentido. 60 mil Km hoje é pouco. Nenhum carro dá problema. Além disso, o brasileiro roda muito mais que isso com o carro. Somente quem tem muito dinheiro roda menos. Acho que os testes deveriam ser, hoje, de 90 ou 100 mil Km.

  5. Só uma observação. A revista afirma que não se identifica, todavia costuma comprar carros com equipamentos e cores pouco usuais, informa o nome da concessionária onde foi feita a compra e algumas vezes o nome do funcionário que fez o atendimento. Em muitas ocasiões informa o dia e horário em que o carro passou por determinada concessionária. Isso é não se identificar? É óbvio que o fabricante avisa todas as concessionárias a placa do carro adquirido pela revista após a primeira reportagem. A revista jamais deveria escolher um veículo com configuração pouco vendida, e nunca informar a data e a concessionária onde foi feito a manutenção. Somente no final do teste postar essas informações.

  6. Luiz Fernando Quirino

    No desmonte do Renegade descobriu-se que …”nunca vi um bloco de motor tão pesado”…escreveu o técnico na análise.
    Esse motor a que se referia é tão pesado mesmo? Pesa quanto? E os outros pesavam quanto?

  7. Luiz Carlos Zonta

    Os critérios da revista não são efetivamente aplicados. Como explicar que Gol e Voyage (lançados em 2008 e 2009) não passaram pelo teste de longa duração, sendo que se trata de veículo de grande volume de vendas e o Gol foi completamente alterado (restando apenas o nome e o motor) ? E como explicar que o Smart (veículo de baixíssima relevância para este tipo de teste) participou do teste ?