Seu comparativo
TOP 10 QR
Os carros mais procurados da semana no site Quatro Rodas
  • Novo Corolla
  • Up
  • Logan
  • HB 20
  • Prisma
  • Novo Ka
  • Golf VII
  • Focus
  • Tracker
  • New Fiesta
  • | A-Z |
Newsletter
Assine a Newsletter QUATRO RODAS
PUBLICIDADE
REPORTAGENS
Vou de elétrico
Agosto 2012

Vou de elétrico

A experiência de motorista e passageiro num dos dois Nissan Leaf que circulam como táxi em São Paulo

Por Isadora Carvalho | fotos: Fabiano Cerchiari
Lista de matÉrias por data:

TAMANHO DA LETRA  

Quem já não teve vontade de dar um passeio nos famosos táxis amarelos de Nova York ou mesmo nos Black Cabs, os charmosos Austin FX4 que circulam pela capital britânica? Quem reclama da falta de algo mais em nossos brancos táxis paulistanos já tem motivos para comemorar. Por enquanto, dois. Esse é o número de modelos do carro elétrico Nissan Leaf, importados do Japão e cedidos pela marca a empresas frotistas, que acabaram de ser incorporados à frota de táxis da cidade de São Paulo.

A iniciativa faz parte do projeto piloto de Táxi Elétrico que nasceu, com o objetivo de disseminar essa modalidade, de um convênio entre a prefeitura, a Nissan, a AES Eletropaulo e a Associação de Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo (Adetax) e prevê mais oito elétricos até o fim do ano, bem como a instalação de cinco pontos de carga rápida em concessionárias Nissan, capazes de recarregar 80% das baterias dos elétricos em meia hora.

"Investimos 1 milhão de reais na instalação desses sistemas porque acreditamos na popularização dessa tecnologia", diz Paulo Pimentel, gerente de tecnologia da distribuição da AES Eletropaulo, que será responsável pela manutenção dos postos e inspeção da rede de energia dos locais que receberão os sistemas de recarga convencional, com tempo estimado de recarga total de 6 horas.

Para essa primeira etapa de testes, foram selecionados dois motoristas experientes de duas empresas associadas à Adetax, a Alô-Táxi e a Táxi Sampa. "Os motoristas foram treinados por um técnico da montadora e terão contato direto com a Nissan para reportar as principais dúvidas e dificuldades no uso diário de um carro elétrico", diz o diretor de marketing da Nissan Brasil, Murilo Moreno, que também esclarece a intenção da marca com a iniciativa: "A ideia é criar um movimento popular em torno do carro elétrico, que ainda está distante do Brasil".

Em junho de 2011, a marca firmou acordo com a prefeitura para eletrificar a frota da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O plano esbarrou na necessidade de abrir concorrência pública para a compra dos veículos, o que inviabilizou o negócio, já que o carro elétrico no Brasil custa mais caro, cerca de 200 000 reais no caso desse modelo japonês.

O prefeito Gilberto Kassab acredita que os carros sustentáveis podem ficar acessíveis à população. "A tecnologia vai baratear quando for ampliada. Outro ponto importante é o governo diminuir a carga tributária, que é absurda", afirma Kassab.

Com autonomia de 160 km, os carros sustentáveis atenderiam bem a qualquer paulistano, que roda em média 50 km por dia. Mas, para aqueles que fazem do carro seu próprio negócio, essa autonomia pode ser pouca. "Se a média de quilometragem ultrapassar esse limite, os postos de recarga rápida resolverão", diz José Antonio Nunes, 67 anos, um dos escolhidos para pilotar a novidade.

Ele disse estar satisfeito com o comportamento do novo veículo e já estranha o barulho do motor quando entra em seu Renault Logan: "Além da economia, o carro é muito confortável e possui motor equivalente a um 2.0. Assim que tiver preço acessível, vou correndo comprar um". O taxista gastava 50 reais por dia com combustível e agora vai desembolsar apenas 8 reais, uma economia de 84%, sem falar na manutenção, também menor em relação a modelos com motor a combustão.

Acompanhamos a primeira saída de um táxi elétrico do ponto localizado na avenida Paulista, na esquina com a rua da Consolação. Curiosamente, a primeira passageira foi uma colombiana que está há três meses no país. Consuelo Sacristan se surpreendeu ao saber que tinha acabado de entrar em um carro 100% elétrico e logo ficou preocupada em saber se o preço da corrida seria mais caro. Informada da não alteração das tarifas, ela aprovou a iniciativa. "O importante é que é ótimo para o meio ambiente e um belo exemplo para a América Latina", disse. Pelo fato de ter sido a primeira passageira, não pagou a corrida até a Alameda Lorena.

O elétrico atraiu a atenção de todos por onde passou. O atendente Robson Figueiredo correu para ver o motor do Leaf de perto quando o motorista abriu o capô: "Jamais pensei que uma tecnologia tão avançada chegaria aqui tão cedo". Em Nova York, nos Estados Unidos, por exemplo, o projeto do táxi elétrico da Nissan já conta com seis Leaf, que são abas- tecidos em três estações de carregamento.



Economia na tomada



A quilometragem média de um táxi normal em São Paulo é de cerca de 160 km diários, exatamente a autonomia do Leaf, que proporciona economia de até 81% em relação ao gasto com gasolina. O quadro compara os gastos diários e mensais entre os táxis movidos a gasolina ou etanol e os elétricos.



O pioneiro no país



Projeto experimental da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), em parceria com
a Itaipu Binacional, a Fiat e o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento, o primeiro táxi elétrico do Brasil circulou na região de Curitiba durante seis meses para avaliar o impacto dessa tecnologia e verificar a aceitação do público. O veículo, uma Palio Weekend, teve seu ponto no Aeroporto Internacional Afonso Pena. Houve uma limitação no número de corridas diárias, já que a autonomia do carro era de 120 km. A recarga total levava 8 horas, ainda que o eletroposto instalado no aeroporto permitisse cargas rápidas de 30 minutos. De outubro de 2010 a março de 2011, foram 553 corridas e um percurso total de cerca de 20 000 km. O custo do quilômetro rodado
do elétrico foi cinco vezes menor que o de um carro com motor a gasolina.





» FOTOS


Publicidade