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REPORTAGENS
Sonhos de metal
Dezembro 2009

Sonhos de metal

Outrora brinquedos de criana, automveis em miniatura so destaque em reunio de gente grande

Por Fabiano Pereira | Fotos: Christian Castanho
Lista de matrias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

No Puma GTE Spider, detalhes como tomadas de ar do capô traseiro e aerofólio. O Willys Interlagos chama atenção pela pintura azul-metálico. Diferentes modelos de Fusca mostram a evolução do veículo. E ainda há Ford Galaxie, Corcel e F-100, Simca Chambord, Aero-Willys, Rural, Jeep, Chevrolet Brasil, Romi- Isetta, Karmann Ghia, Kombi… Não se trata de mais um encontro de carros antigos, mas de uma coleção de miniautomóveis criados para crianças. Mas não se engane, não são simples brinquedos. Eles podem ter motor, freios e pneus, tudo como no modelo original. Os miniveículos estão estacionados na sala de estar do designer Sérgio Campos, um acervo particular com mais de 2000 itens antigos, entre eles alguns carrinhos a motor, de pedal, bate e volta, a fricção, de lata ou madeira, que refletem os primórdios da indústria automobilística no Brasil. A coleção começou no início dos anos 70, ainda com carrinhos de chumbo e brinquedos de madeira que ele, hoje com 48 anos, tinha desde pequeno.

No centro dessa coleção está o Puma Spider branco. Preparado pela Alexandre Veículos, é um protótipo do modelo que chegou ao mercado com motor estacionário (do tipo do que faz caldo de cana, como os dos atuais minibugues), uma marcha só e acabamento mais simples. O de Sérgio tem motor de Lambretta e três marchas. “O brinquedo introduz a criança no mundo dos adultos”, diz o colecionador. Entre seus oito carrinhos com motor, ele ainda guarda um Karmann Ghia, da Gurgel, e está restaurando um mini-Uirapuru.

Para encontrar essas preciosidades, ele vai a feiras de antiguidades e garimpa muito pela internet para achar peças como seu favorito, um Interlagos de pedal, um carrinho mais acessível, até pela simplicidade de sua propulsão acionada pelos pés. A frente do primeiro esportivo nacional com carroceria de fibra de vidro é fielmente reproduzida e até seus faróis acendem.

Sem tantos detalhes, mas com forte apelo saudosista, são os Fusca de pedal. Sérgio tem Fusquinha, com faróis funcionais, piscas e buzina, e Fuscão, reconhecível pela saída de ar distinta do motor. Também fazem parte da “frota” um Jeep com faróis que funcionam e scooters e versões um pouco mais estilizadas de carros de corrida ou de modelos americanos dos anos 50 e 60.

Os demais carrinhos que reproduzem automóveis nacionais são brinquedos de mão, alguns do tipo bate e volta, outros de controle remoto. O colecionador possui algumas das caixas em que eles vieram, o que valoriza os itens. A Metalma, fabricante de brinquedos, produziu vários dos Karmann Ghia e Kombi de tamanho próximo à escala 1:18. Dela também são os Corcel e DKW-Vemag de lata a fricção. Também de lata são os Fusca, Aero-Willys e Galaxie que a Brinquedos Estrela fez, este último mais detalhado e caro. A mesma empresa também produziu um Romi-Isetta de plástico duro, assim como a Mirim, fábrica que vendia seus brinquedos em lojinhas de bairro, quitandas e feiras. Já a Mapla criou um mini-Simca Chambord, também de plástico duro, que era dado de presente a quem comprasse o carro de verdade.

Manter essas relíquias bem conservadas não é tarefa das mais fáceis. Na Inglaterra, há mão de obra especializada e com tradição para isso, enquanto no Brasil ainda não. Segundo Sérgio, os hospitais de brinquedos servem mais para bonecas e produtos novos. Ele leva os pedal-cars e carrinhos maiores a um restaurador de scooters. Nos minicarros, Sérgio põe a mão na massa ou leva a um pintor e restaurador de peças elétricas de decoração, que repara modelos elétricos também. “Recuperar um pedalcar inclui funilaria e pintura”, afirma. “Chego a usar três unidades para conseguir salvar um, com os outros dois só doando peças, do mesmo jeito que os colecionadores de carro antigo fazem”, afirma.

Com esse hobby isolado, sem os encontros típicos do antigomobilismo, Sérgio quer reunir todas as fases da industrialização do brinquedo no Brasil, que teve início com a Metalúrgica Matarazzo (mais tarde Metalma), nos anos 20. Dois de seus carrinhos, calhambeques de lata, são desse fabricante e época. Dos anos 90 para cá, muito do elo entre carros brasileiros e nossos brinquedos industrializados se perdeu entre inúmeros produtos importados. É sobre a tradição anterior a essa fase que o colecionador está escrevendo um livro em que haverá entrevistas com diretores dos ex-fabricantes, ex-funcionários e depoimentos de quem já teve os mesmos itens de sua coleção. Pesquisa séria. Afinal, quando o assunto é brinquedo, Sérgio não está para brincadeira.

 



GALAXIE

 


Produzido só no Brasil, o modelo de controle remoto era um dos brinquedos mais caros da Estrela. Havia também versões a pilha e fricção

CAMINHÃO DE LOJA


Peças promocionais, como este caminhão Chevrolet de madeira da extinta loja de departamentos Mappin, são visadas pelos colecionadores

SIMCA


A marca presenteava os filhos de quem comprasse um Chambord com uma miniatura da Mapla. Esta foi comprada nova, ainda na caixa

KOMBI


A miniatura da Metalma era oferecida como brinde a quem comprasse a Kombi na concessionária Marcas Famosas

PAPA-FILA


Carretas para passageiros eram os “Papa-Fila” dos anos 50. Nestes exemplares de madeira, os cavalos são reproduções de caminhões FNM da série D





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