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Pensando pequeno
Abril 2008

Pensando pequeno

Combustível caro e poluição fazem americanos diminuir seus carros

Por Iuri Pitta e Simone Tobias
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

O maior mercado do mundo está pronto para aderir aos carros menores e menos poluentes? A pergunta que não faria o menor sentido nos Estados Unidos de uma década atrás ainda provoca polêmica, mas deixou de ser absurda e é freqüente nas reuniões das fábricas que atuam por lá, incluindo as donas da casa.

Segundo a consultoria CSM Worldwide, um em cada quatro carros vendidos nos Estados Unidos em 2008 sairá dos três menores segmentos do mercado. No começo da década, esse grupo mal alcançava os 20%. Para o instituto americano J.D. Power, especializado no setor automotivo, desde 2006 os compactos conquistam mais consumidores que grandes picapes e utilitários esportivos e estão reduzindo a diferença para os modelos de médio porte, como os crossovers. "O principal apelo dos compactos é a redução do consumo de combustível e do nível de emissões", diz o consultor Juliano Alquati, da CSM.

A alta do preço do petróleo justifica a busca por modelos mais econômicos, mas ainda há resistência aos compactos, avalia o consultor Wim van Acker, da Roland Berger. "O que existe é uma tendência de se comprar um modelo menor que o anterior: quem tinha um grande utilitário troca por um médio, e quem tinha um médio opta por um carro de passeio", diz.

Essa tendência também foi identificada por uma pesquisa recente do J.D. Power, com quase 45 000 motoristas. Segundo o estudo, apenas 11% dos americanos estão "muito dispostos" a pagar mais por um veículo menos agressivo ao meio ambiente, como os híbridos, que respondem por 2,2% do mercado. Assim, diminuir o porte do carro torna-se uma alternativa mais viável para o americano comum fazer sua parte.

GM e Toyota já oferecem com sucesso compactos como o Aveo e o Yaris, respectivamente. A segunda geração do Fit foi uma das atrações da Honda no Salão de Nova York, mês passado, e as européias Mini e Smart estão conseguindo vender seus pequenos carros premium - o ForTwo, por sinal, já está com fila de espera. A próxima marca a apostar de vez suas fichas no segmento é a Ford. A versão sedã do novo Fiesta chega aos Estados Unidos em 2009 cheia de otimismo.

O diretor de design da Ford, Peter Hornbury, acredita não só que o modelo vai vender bem como será lucrativo para a marca. "O mercado americano começa a perceber que grande não é necessariamente bonito", afirmou, em Genebra. "Os jovens sabem que um produto pequeno, como um telefone celular, pode ser bom. E isso vale também para os automóveis."


Nanicos?

Nos Estados Unidos, fazem parte do grupo dos menores carros modelos considerados de médio porte no Brasil, como Ford Focus, Toyota Corolla ou Honda Civic. A classificação oficial considera o volume do veículo. No caso dos compactos, o limite é 3,1 m³ - o Corolla, por exemplo, tem 2,55 m³.