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REPORTAGENS
Restauração de carros antigos
Outubro 2011

Restauração de carros antigos

Para eles, melhor que curtir carro antigo é reconstruí-los. E não é que até ganham dinheiro com isso?

Por Isadora Carvalho | fotos: Christian Castanho
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TAMANHO DA LETRA  

O termo antigomobilista surgiu para identificar aqueles que apreciam e possuem carros antigos. Geralmente são avessos a conjugar verbos como vender, trocar ou negociar, quando se trata de objetos de sua paixão. Mas existe uma pequena classe diferenciada entre os apaixonados. São aqueles que curtem mais o processo da restauração que o próprio carro pronto. Tão logo terminam a renovação, já encaram o próximo projeto de ressurreição. "Normalmente, fico com o carro restaurado no máximo um mês e já vendo para comprar outro e começar tudo outra vez", diz o empresário Marcelo Bonfogo, conhecido como Zero. Com 22 modelos revitalizados no "currículo", Zero se especializou em modelos das décadas de 60 e 70, com atenção especial para a marca Dodge.

A mania começou cedo, aos 17 anos, época em que comprou seu primeiro Charger, um modelo 1977 branco. "Sempre gostei de Dodge. Ao todo tive dez, incluindo o que estou restaurando no momento, um Dart 1973." O empresário também já restaurou raridades como Impala, Landau e Malibu, além de um Chevrolet 1939. Até a esposa, Paula Roldão, teve que aprender a gostar de carros antigos. "Quando vejo um antigo na rua, fotografo e mando pra ele. Acabo curtindo junto", diz Paula, que também o acompanha em encontros de antigos como o de Águas de Lindoia.

O fundador do Maverick Clube do Brasil, Rodrigo Lombardi, também influenciou sua mulher no gosto pela marca americana. "Quando ele vendeu o primeiro Maverick, um 1975, chorei muito", afirma Mari Cunha. "Ele acompanhou todo o tempo do nosso namoro e acabei me apegando ao carro." O marido começou a restaurar aos 17 anos, tendo um Fiat 147 como cobaia. Já teve dois Maverick e atualmente repara um Fusca 1971, que pretende terminar em quatro meses. Em sua oficina, localizada no Alto de Pinheiros, também realiza serviços para clientes. "Para mim é uma satisfação sem igual reformar um antigo, mesmo que não seja o meu", diz ele.

Para alguns, o gosto pela restauração pode render mais que prazer. É o caso de Rafael Pagani e Antonio Marin, que decidiram transformar o que era apenas um hobby em negócio. Segundo eles, o lucro beira os 40% na venda de antigos restaurados, margem inimaginável na comercialização de automóveis zeroquilômetro. O segredo de tamanha rentabilidade, segundo os comerciantes, está em comprar antiguidades deterioradas a baixo custo e após a renovação comercializá-las como automóveis de coleção. "Esse mercado chega a girar 180 milhões de reais por ano", afirma Tiago Songa, diretor da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA).

Pagani, de 26 anos, faz coro no entusiasmo pela atividade. Ele lucra por volta de 30% em cada carro, mas há casos em que ganha mais, como a venda recente da picape Ford F100 1974 por 15 000 reais, pela qual afirma ter pago 7 000 reais e investido apenas 1 000 reais na reconstrução do motor. "Já fiz mais de 30 restaurações em dez anos. Gosto de colocar a mão na massa, aprendi sozinho a mexer na parte mecânica e na desmontagem", diz Pagani, que desde os 16 anos já se dedicava ao restauro de automóveis da década de 1970, principalmente modelos como Ford Galaxie e Dodge Dart.

No seu galpão de 600 metros quadrados na zona norte de São Paulo, Pagani realiza atualmente a restauração de três modelos, um Dart Luxo 1971, um Galaxie 500 1967 e uma picape F100 1959, e mais 17 estão na fila para ganhar vida nova. O tempo de renovação varia entre um mês e cinco anos, dependendo do estado e da dificuldade em encontrar peças. "Já fui para Recife buscar um Dodge Charger RT 1976 que, por estar há muito tempo abandonado, teve que ser desenterrado", diz.

Existem profissionais que não se limitam a reconstruir os modelos de acordo com os padrões de fábrica e que incorporam modificações. É o caso de Antonio Carlos Marin, que se especializou na restauração de hot rods. Essa categoria permite alterar o motor e promover mudanças estéticas como rodas largas e pintura com chamas. Antonio atua há oito anos nesse mercado e afirma que um hot bem feito chega a valer o dobro de um modelo totalmente original.

O empresário atualmente conta com 22 relíquias armazenadas no seu galpão, localizado na zona leste. Diferentemente de outros restauradores, Marin não põe a mão na graxa. Seu trabalho é fazer o projeto e entregar a execução a uma oficina especializada. Normalmente seus carros são cerca de 60% originais, preservando faróis, carroceria e detalhes originais. "Na maioria das vezes troco os bancos, o carpete, as rodas e, é claro, o motor", diz Marin, que parte de fotos para fazer seus projetos.

Apesar da liberdade em algumas modificações, Marin afirma ter compromisso com a fidelidade ao original e não poupa viagens para os Estados Unidos em busca de peças para modelos, como Impala 1965, Corvette 1972, Ford 1932 e Chevrolet 1931. "Como eram peças raríssimas, valia a pena ir até lá", diz.

Com um quê de alquimistas, esses aficionados transformam lata enferrujada em metal precioso. E ainda lucram com isso.





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