QUATRO RODAS - O robô roubou o assento
SEU COMPARATIVO
CLASSIFICADOS
A


GUIAS ONLINE
RUAS »
RODOVIÁRIO »
Reportagens | Novas Tecnologias
O robô roubou o assento
Fevereiro 2008

O robô roubou o assento

Máquinas já substituem o homem na hora de avaliar o desempenho dos carros nas pistas de teste. E fazem melhor

Por PAULO CAMPO GRANDE
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Nas linhas de montagem eles já são veteranos. Agora os robôs prometem invadir as pistas de teste das fábricas de automóveis, assumindo funções antes reservadas a engenheiros e pilotos experientes.

A empresa inglesa AB Dynamics apresentou recentemente um sistema batizado de Autonomous Vehicle Testing (AVT) que é capaz de dirigir um carro e realizar praticamente qualquer ensaio feito por motoristas de carne e osso. Basta que os engenheiros programem o tipo de manobra e as condições em que ela deve acontecer para o sistema cumprir todo o procedimento à risca.

A vantagem dos robôs sobre o ser humano é a precisão com que fazem as manobras. Com eles, os engenheiros podem estudar o comportamento dos carros com mais clareza e rapidez, realizando menos ensaios, o que significa economia de tempo (e dinheiro) no desenvolvimento. Os robôs trabalham por horas a fio sem se cansar e ainda aumentam a segurança nos campos de prova, evitando que os pilotos se arrisquem em manobras perigosas.

O sistema AVT é tão competente que, no caso de o engenheiro não possuir a programação do teste, ele pode simplesmente instalar o robô no carro e fazer a manobra uma vez com o robô ligado no modo Learn (aprender). As outras passagens serão realizadas sem a necessidade de motorista. O AVT só não testa carros com transmissões manuais, porque ainda não tem o dispositivo para mudar as marchas. Mas isso é só uma questão de tempo. Segundo o fabricante, até meados deste ano, o AVT já terá adquirido essa capacidade.

No Brasil, duas empresas já têm robôs entre seus colaboradores: a Mercedes-Benz, que os usa nos testes de ônibus, e a General Motors, que lhes confia o volante de seus utilitários, como o Hummer H3, desenvolvido no país.


SINTONIA FINA


O sistema pode realizar testes de aceleração, consumo, slalom, frenagem, durabilidade e até o famoso teste do alce, que consiste na dupla mudança repentina de faixa, com grande exatidão. O gráfico da esquerda mostra o teste do alce feito por um piloto experiente e o da direita, o mesmo ensaio conduzido pelo robô. Pode-se ver que o piloto fez vários traçados diferentes entre si, enquanto o robô repetiu o mesmo percurso várias vezes.


EM PARTES


1. Direção
Consiste de um volante, instalado no lugar do original do carro, que se movimenta com o auxílio de um motor elétrico (a estrutura à volta é para fixação). O sistema monitora a força aplicada ao volante durante a manobra, o ângulo e a velocidade de esterço.
2. Acelerador
Existe para colocar e manter o carro em movimento. Tratase de um atuador elétrico que controla a velocidade durante o teste.
3. Freio
Permite o acionamento preciso, no momento e com a carga determinados para o ensaio. Pode funcionar em conjunto com outros instrumentos que forneçam informações como pressão na linha e temperatura das pastilhas.


CENTRO NERVOSO


Controlador
O sistema é gerenciado por uma central que envia os comandos para os atuadores e recebe informações do carro, por meio de sensores e outros sistemas agregados. Essa central é alimentada por conversor elétrico, que é ligado à bateria do carro.
Laptop
É a interface do robô com o homem. Através dele, é possível escolher o teste desejado arquivado em um menu e também checar os resultados dos ensaios.
GPS
Conjugando sinais de satélite e de rádio, o sistema consegue guiar o carro de forma que as rodas passem pelo mesmo ponto na pista (orientado pela latitude e pela longitude) quantas vezes forem necessárias. Segundo a AB Dynamics, a precisão é de 2 centímetros.





» FOTOS