QUATRO RODAS - Agenda econômica
Seu comparativo
TOP 10 QR
Os carros mais procurados da semana no site Quatro Rodas
  • Novo Corolla
  • Up
  • Logan
  • HB 20
  • Prisma
  • Novo Ka
  • Golf VII
  • Focus
  • Tracker
  • New Fiesta
  • | A-Z |
Newsletter
Assine a Newsletter QUATRO RODAS
PUBLICIDADE
Reportagens | Novas Tecnologias
Agenda econômica
Dezembro 2005

Agenda econômica

Os planos para nossos carros até o fim da década estão na mesa: baixar consumo e emissões

Por Marcelo Moura
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

O ano que vem já é passado nos centros de pesquisa e desenvolvimento de montadoras e fornecedores. Automóveis são projetos de longo prazo e, quando chegam às ruas, já são antigos para dezenas de engenheiros. Gente como Roberto Stein, diretor de engenharia da Delphi, que mora no futuro e pode nos contar como é a vista de lá: "As cartas da indústria já estão na mesa até 2010. Não existem grandes revoluções, como foi o bicombustível, mas vários aprimoramentos. O popularização do gás natural seria uma novidade, mas o governo federal não está estimulando o uso em carros de passeio".
Algumas cartas deste baralho foram apresentadas no congresso anual da SAE Brasil, em São Paulo. Com simplicidade e custo baixo, afinal aqui não é a Europa. Todos servem para deixar o carro mais econômico. As montadoras apostam que isso ganhará importância. A volta do álcool nos motores baixou a autonomia dos carros e está fora de questão fazer tanques de 100 litros, como havia nos anos 80. Gastar menos dinheiro com combustível é sempre interessante e ainda existem as futuras exigências da lei.
Desperdício e poluição andam de mãos dadas e, para 2009, o Proconve determina que os carros de passeio deverão reduzir a emissão de certos poluentes a um terço do que é tolerado hoje. Quando algum defeito fizer a poluição passar dos limites, o carro deverá avisar ao motorista. "Sem esquecer que o Brasil já usa um combustível de origem vegetal há 30 anos", diz Fernando Damasceno, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Magneti Marelli. "O futuro de muitos países está aqui."


Detalhes nem tão pequenos

1. Flex Start
Parece problema de bateria: paramos o carro e, 5 segundos depois, o motor morreu. Pisei na embreagem e ele renasceu, como se tivéssemos girado a chave no contato. O Flex Start da Bosch existe para que o liga-e-desliga não esvazie a bateria nem aumente o consumo de combustível. O motor está quente? O carro passou de 20 km/h desde a última parada? O pedal do freio está pisado há mais de 5 segundos? Só assim o motor desliga. O benefício disso? "No ciclo urbano padrão americano, ele baixou o consumo de combustível em 5%. No nosso dia-a-dia, chegamos a 10%", afirma Fábio Ferreira, gerente de engenharia de produto da Bosch. O que muda? "Alternador, chicote e motor de partida são reforçados. O computador do carro passa a gerenciar a partida e a carga da bateria." E quanto vai custar? "Menos de 500 reais."


2. Bombas elétricas
As bombas de água e de óleo dão duro por alguns instantes (com o carro a toda ou em congestionamentos) e passam o resto do dia trabalhando pouco, roubando potência do motor (são ligadas a ele por correias). O que fazer? A Dana fez no carro o que se faz nas empresas em geral: diminu a sua equipe e contrate temporários! Os temporários, no caso, são bombas elétricas. Elas complementam a ação das bombas mecânicas nos piores momentos, sem roubar potência do motor nas horas vagas. E melhor: são mais obedientes e podem acordar cedo. Num carro comum, a bomba de óleo só começa a trabalhar quando o motor gira. Isso quer dizer que, no primeiro instante, ele acaba funcionando "a seco", protegido apenas pelo lubrificante que não escorreu para o cárter.


3. Bicos injetores aquecidos
Meio mundo vê com ceticismo a idéia de trocar o tanquinho da partida a frio por bicos injetores com aquecimento: "Gasta muita eletricidade para pouco efeito", diz Stein. A outra metade, Bosch e Magneti Marelli, aposta no sucesso: "Estimamos a economia de 15% no evento da partida; o peso disso na vida do motorista depende de quantas vezes ele precisa ligar o carro", afirma Damasceno. Como explicamos na edição de julho passado, o sistema aquece o combustível quando há menos de 15% de gasolina no tanque e o dia está frio. Nessa situação, o álcool não queima direito e o motor custa a pegar. "Nosso sistema Flex Start prevê o monitoramento da carga da bateria e o reforço do alternador. Isso afastaria o risco de esquentar o combustível e ficar sem bateria", diz o engenheiro da Bosch.


4. Câmbio automatizado
A Magneti Marelli tem planos de oferecer aqui, em 2007, o câmbio manual automatizado. Tem embreagem, mas ela é acionada eletronicamente, sem pedal. O motorista troca as marchas com toques na alavanca de câmbio ou pode selecionar o modo automático. É como um Tiptronic, só que mais barato. E mais econômico: tem cinco marchas (no lugar onde só caberia um câmbio automático tradicional de quatro marchas) e não tem conversor de torque (transmissão indireta de forças que faz o motor desperdiçar energia). "Como o câmbio automático troca as marchas no tempo certo, observamos uma redução de consumo de 9% a 11%", afirma Gino Montanari, diretor de desenvolvimento da Marelli.


5. Coletor de escapamento
"Os coletores de plástico já melhoraram o fluxo de entrada de ar para o motor. Como os de geometria variável são caros, é mais viável ganhar alguma coisa no escapamento", diz Fábio Ferreira. "Alguma coisa", no caso, é trazer o catalisador mais para perto do motor. Ele funciona quando aquece e, quanto mais rápido isso acontecer, menos o carro irá poluir. Outra novidade são os coletores de escapamento de aço estampado, em vez de ferro fundido. São mais leves, têm menor rugosidade, maior liberdade de formatos e, importante, custam menos.