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Reportagens | Novas Tecnologias
Faróis sem lâmpadas
Junho 2006

Faróis sem lâmpadas

Os leds de luz branca dão pouca despesa, não esquentam com nada e se ajeitam em qualquer lugar

Por Marcelo Moura
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Thomas Edison dizia que a genialidade é feita de 1% de inspiração e 99% de transpiração. Talvez estivesse se referindo ao desconforto de virar a noite no laboratório iluminado de perto por seu mais famoso invento, a lâmpada incandescente. Elas esquentam bastante, e isso é um desperdício de dinheiro. Primeiro, porque esse aquecimento (que chega a 80 ºC) consome energia elétrica. Segundo, porque as peças em volta da lâmpada são mais caras do que deveriam, para suportar altas temperaturas. Dois bons motivos para entender o otimismo em torno do uso das lâmpadas de led (do inglês light-emiting diode, "diodo emissor de luz") nos faróis dos automóveis. O pioneiro no uso da tecnologia é o Audi A8, apresentado no Salão de Genebra de 2004, no qual cinco leds cumprem o papel da lanterna.

Países escandinavos exigem que os carros andem de lanternas acesas durante o dia, na Alemanha é facultativo e outros países da Europa pensam em seguir esse caminho. O uso intensivo da lanterna, que requer baixo consumo de energia, é hoje a vantagem mais clara do led. O gasto é significativamente menor - uma economia de 40% para a mesma luminosidade, em comparação com lâmpadas a filamento, afirma Udo Ruegheimer, porta-voz da Audi na Alemanha. Essa frugalidade possibilita usar baterias menores (menos nocivas à natureza e mais leves) e carros ligeiramente mais econômicos - para gerar eletricidade, o motor consome gasolina.

O apetite moderado do led tem vários motivos. O primeiro deles é que o facho de luz é naturalmente voltado para a frente. O índice de perda varia entre 10% e 20%, segundo a fabricante dos leds, a Lumileds, enquanto lâmpadas halógenas ou incandescentes têm iluminação dispersa, desperdiçando de 40% a 60% do facho. "Isso permite usar globos de farol menores, que ocupam menos espaço", diz Norbert Schiermeister, porta-voz da fabricante de faróis Hella (responsável pelos faróis do A8). Os desenhistas ganham também liberdade de criar com maior ousadia. É possível fazer faróis na forma de riscos, letras ou formas geométricas.

Além de poder ser menor, o globo óptico não precisa ter acesso fácil para manutenção. O led tem durabilidade estimada em dez anos - os longos intervalos sem manutenção têm levado prefeituras no mundo todo a adotar a nova tecnologia em sinais de trânsito. Além de queimar menos, o produto é menos sujeito a quebras. Enquanto a lâmpada tem um bulbo de vidro, o led é um bloco de plástico transparente e maciço, que protege um sanduíche de semicondutores.

Mas, se é tão bom, por que o led demorou tanto a chegar ao farol dos carros? E o que faz José Roberto de Siqueira, vice-presidente de iluminação da Philips na América Latina, afirmar que o led não chegará aos carros médios em menos de cinco anos? O led branco demorou a chegar aos faróis porque simplesmente não existia. Cada cor é resultado de uma receita química diferente. O led vermelho é velho conhecido, figurinha fácil em equipamentos de som, mas a receita do branco ninguém dominava. Ela foi descoberta em 2000 pelo japonês Shuji Nakamura, na Universidade da Califórnia. Uma empresa júnior foi criada para explorar o invento e se associou à Hewlett Packard (entendida em silício) e à Philips (entendida em lâmpadas). Hoje, o conjunto de leds custa de 50 a 100 vezes o preço de uma lâmpada convencional. O preço tende a cair, mas até certo ponto. "Ele dificilmente vai chegar ao preço de uma lâmpada halógena, já que a matéria-prima do led é cara", diz Siqueira.
Por trás da luz
1. refletores
Simples, pois a luz já parte voltada para a frente

2. gerenciamento
Minicomputador que recebe ordens e libera a energia

3. LEDs
Cinco pastilhas presas em uma placa impressa

Publicado na edição de maio de 2004.