
Estima-se que, de cada 10 litros consumidos por um carro a gasolina, apenas 3 são usados para fazer o veículo se mover. Os outros 7 acabam se perdendo, seja em forma de calor gerado na combustão, seja no atrito de peças do motor e da transmissão, seja para acionar periféricos, como bombas de combustível e da direção hidráulica e até o compressor de ar-condicionado.
Por isso, a ordem agora nas montadoras é trabalhar para ganhar essa energia desperdiçada. O sistema de reaproveitamento energético mais conhecido e que já tem aplicação prática são os freios regenerativos, que convertem a energia cinética do movimento do carro em eletricidade, para alimentar um motor elétrico. Sim, esse conceito não é uma inovação da F-1, que adotou neste ano o Kers (sistema de recuperação de energia cinética, em inglês). O recurso já equipa os modelos híbridos, como o Toyota Prius, lançado em 1997, e será quase que equipamento obrigatório para aumentar a autonomia dos veículos elétricos que começam a chegar ao mercado a partir do ano que vem, como o Chevrolet Volt e Dodge Circuit EV.
A BMW foi mais longe e começou a adotar esse sistema em carros a gasolina, caso do esportivo M3, em que o recurso é utilizado para suprir energia para a grande diversidade de equipamentos elétricos do esportivo, que vai do sistema de entretenimento aos diversos motorezinhos que acionam regulagens de bancos ou abertura de teto solar.
Aliás, a mesma BMW trabalha numa tecnologia que permite reaproveitar parte do calor gerado na combustão para transformá-la em eletricidade, alimentando sistemas periféricos. Outra novidade que segue o princípio dos freios que recuperam energia cinética é o amortecedor regenerativo. Instalados em carros elétricos, eles absorvem a oscilação da carroceria e depois a convertem em energia elétrica, armazenando-a numa bateria e assim aumentando a autonomia do veículo. Uma inovação ideal para o asfalto irregular das ruas e estradas brasileiras.
CARGA ALTA
A Eaton criou um freio regenerativo para caminhões que não usa eletricidade. Quando o freio é acionado, a energia cinética ativa uma bomba, que libera fluido hidráulico para um acumulador que contém nitrogênio. O gás se comprime e ajuda a parar o caminhão. Mais tarde, quando se pisa no acelerador, o fluido se expande e impulsiona o veículo nas arrancadas, aumentando a economia de combustível.
FREIOS REGENERATIVOS

A tecnologia usa o mesmo princípio dos freios reostáticos dos bondes no início do século 20. Nos carros com freios regenerativos, o motor elétrico é o responsável por parar o veículo. Assim como a central dos freios ABS, o aparelho monitora a velocidade das rodas até que, numa frenagem ou desaceleração, o motor é colocado em marcha-à-ré, reduzindo a velocidade do carro. Nos Toyota, por exemplo, o sistema sozinho gera 80% da força de um freio convencional. É por isso que os carros não dispensam os freios tradicionais, que podem atuar como um complemento em frenagens mais bruscas. A cada frenagem, o movimento das rodas se converte em eletricidade, que é transmitida por circuitos elétricos até as baterias. Assim, a energia armazenada pode aumentar a autonomia do veículo híbrido ou elétrico em até 50%.
AMORTECEDORES REGENERATIVOS

A Universidade de Tufts (EUA) desenvolveu amortecedores que absorvem as irregularidades do solo e as convertem em eletricidade. Tudo graças a um gerador linear eletromagnético, que fica instalado dentro do amortecedor. Sempre que o carro fizer uma curva ou passar por um buraco ou ondulação da pista, um ou mais amortecedores serão comprimidos. Esse movimento aciona o gerador linear, que vai transformar o sobe-edesce em energia elétrica, que será enviada por meio de cabos para as baterias. Essa eletricidade ficará estocada aí, até ser requisitada pelo motor elétrico para movimentar o carro. A vantagem é maior ainda em países que têm estradas sinuosas e pisos irregulares. Segundo os inventores, esse dispositivo pode aumentar entre 20% e 70% a autonomia de um veículo híbrido ou elétrico de 1 100 kg rodando a 70 km/h.
DAQUI ELA NÃO ESCAPA

Na última edição do Salão de Genebra, a BMW anunciou um novo tipo de escapamento que vai fazer bem ao meio ambiente. Não, ele não reduz diretamente as emissões de combustível, mas dá uma mãozinha nesse sentido. O sistema funciona com um gerador termoelétrico, transformando parte do calor gerado na combustão em energia elétrica. Ela é armazenada em baterias e pode ser reutilizada para aumentar a autonomia do carro, no caso dos veículos híbridos ou elétricos. Os carros movidos a gasolina também podem usar o sistema, mas para alimentar os sistemas periféricos que roubam força do motor. A BMW promete uma economia de até 5% no consumo de combustível de carros híbridos e diz que a novidade chegará às ruas dentro de cinco anos.




