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REPORTAGENS
Flanelinhas
Junho 2012

Flanelinhas

Ilegais, eles exigem até 150 reais para carros estacionarem na rua em shows internacionais

Por Isadora Carvalho
Lista de matÉrias por data:

TAMANHO DA LETRA  

Foi-se o tempo em que o motorista avistava na rua uma vaga para estacionar, era abordado por um guardador solícito para "ficar de olho no carro" e que pedia para deixar uma "caixinha, representada por alguns poucos reais. Hoje a vaga já tem dono e preço, que deve ser pago adiantado, à vista. O guardador de carros clandestino, conhecido como flanelinha, vale-se do medo do cidadão diante da violência urbana para oferecer um suposto serviço de vigilância.

A coordenadora pedagógica Deize Gansauskas pagou caro. Teve o carro arrombado e seus pertences roubados. "Fui ao show da Shakira no estádio do Morumbi e fiquei indignada com os 100 reais cobrados nos estacionamentos. Por metade do preço, resolvi parar na rua", conta. Ela e o marido permitiram que um flanelinha entrasse no carro para guiá-los até o local da vaga. "Esse foi outro erro. No percurso, ele conferiu tudo o que tinha dentro do carro para roubar mais tarde", diz ela, que considera que a questão poderia ter sido resolvida com policiamento mais efetivo. "Quando retornamos, o vidro estava quebrado e nossas coisas haviam sido levadas. Não havia guardador e nenhum policial."

A cena é frequente em grandes eventos na cidade de São Paulo, especialmente em shows de artistas internacionais, quando os flanelinhas se aproveitam dos preços exorbitantes dos estacionamentos no entorno dos locais para "inflacionarem" o preço das vagas - públicas, diga-se de passagem.

No recente show de Roger Waters, no estádio do Morumbi, os guardadores cobraram até 150 reais com a "desculpa"de que os estacionamentos custavam 300 reais. E ainda houve um arrastão após o show, apesar de só seis pessoas terem registrado queixa de furto, mesmo tendo pago os 150 reais.

No show Batman Live, no ginásio do Ibirapuera, flagramos a ação dos flanelinhas a poucos metros de um posto móvel da Polícia Militar. Eles trabalhavam tranquilos, mesmo atrapalhando o fluxo do tráfego, cobrando 40 reais ante os 30 reais do estacionamento do ginásio. Agentes da Guarda Civil Metropolitana disseram que os cavaletes colocados onde há proibição de estacionar nas ruas pela CET inibem, mas não impedem a atuação ilegal.

Mas, afinal, já que eles são considerados infratores por prática do crime de extorsão ao vender uma vaga em via pública, por que a polícia não age? "Só podemos prender o flanelinha se a vítima comparecer à delegacia para prestar queixa. E o cidadão não está disposto a perder o show pelo qual já pagou caro", diz o delegado José Sampaio Lopes Filho, da 2a Delegacia de Crimes e Trânsito de São Paulo, que acrescenta o dado de que 95% dos flanelinhas têm passagem pela polícia e, na maioria dos casos, eles mesmos roubam os carros dos "clientes". Para solucionar esse problema, o México criou em 2004 uma lei que pune os chamados "aparcacoches" com prisão e multa de 30 salários mínimos.

Em São Paulo, começa a ser discutido na Câmara Municipal um projeto de lei para criar uma Zona Azul para eventos. "Moro ao lado do estádio do Pacaembu e a ideia surgiu das reclamações que ouço, inspirada nos parquímetros de capitais como Nova York", diz o vereador Marco Aurélio Cunha (PSD), autor do projeto. Embora não deixe claro se o município será responsável pela segurança do veículo, Cunha acredita que a presença de agentes da "ZonaAzul de Eventos" já será capaz de diminuir a ação dos guardadores clandestinos. "Se o poder público cobrar pela vaga, também deve zelar pelo bem do cidadão", diz. A ZonaAzul especial funcionaria em um raio de 500 metros no entorno dos eventos. Segundo o vereador, as vagas serão vendidas por postos e agentes credenciados, e pelo preço oficial de Zona Azul, como já ocorre nas vagas no estádio do Pacaembu e no parque do Ibirapuera. No entanto, quem vai ao Museu do Futebol é abordado por guardadores que oferecem o cartão pelo triplo do preço oficial, ou seja, 9 reais.



QUANTO PODE CUSTAR A EXTORSÃO

Local | Preço cobrado

Ginásio do Ibirapuera - 40 reais
Jockey Club - 50 reais
Estádio do Pacaembu - 50 reais
Estádio do Morumbi - 150 reais



VOU DE VAN


Alugar uma van com a turma é uma solução econômica para se livrar dos flanelinhas. O aluguel inclui diária de oito horas e 100 km rodados. André Cunha é cliente assíduo: "Vale a pena até para shows fora da cidade".

TRANSFER EXPRESS (15 pessoas)
Preços: R$ 440 ou R$ 29,33
 por pessoa;
tel.: 3235-3131 www.transferexpress.com.br

LIGUE VAN SERVICE (15 pessoas)
Preços: R$ 380 ou R$ 25,33
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tel.: 2941-6400 www.liguevanservice.com.br

APOIO PONTUAL (15 pessoas)
Preços: R$ 380 ou R$ 25,33 por pessoa;
tel.: 3254-7627 www.apoiopontual.com.br





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