
O mercado de carros zero-quilômetro apresenta três situações nesta época do ano: modelos 2007/2007, 2007/2008 e 2008/2008. De acordo com Vitor Meizikas Filho, diretor técnico de pesquisas da Molicar, empresa especializada na pesquisa de preços e tendências no mercado automotivo, os modelos 2007 apresentam características peculiares que pedem muita atenção.
No caso de modelos 2007/2007, os lojistas costumam oferecer descontos para limpar os estoques. Mas, antes de se animar com o desconto, o consumidor deve pesquisar se o veículo escolhido não passará por uma reestilização no próximo ano. Caso isso aconteça, sua depreciação será grande e muito provavelmente não compensará o desconto oferecido.
Há ainda modelos que acabaram de sofrer alguma mudança e que por isso são vendidos com descontos maiores. É o que ocorre, por exemplo, com o Fiat Siena, que pode ser encontrado em São Paulo por um preço 15% menor que o de tabela.
No entanto, segundo Meizikas, é melhor não se empolgar demais: "Você comprou barato, mas também irá vender barato mais à frente", explica. "O negócio só vale a pena se o desconto chegar perto de 20%, para compensar a depreciação que certamente acontecerá."
Vale, ainda, a velha receita da pesquisa e negociação. O consultor de finanças Alexandre Lignos, da Consultoria IGF, lembra que os maiores interessados em limpar os estoques são os lojistas. "Os vendedores sempre vão dizer que há vários interessados ou que aquela é a última unidade disponível", diz. "Não caia nessa conversa. E a velha recomendação de pesquisar exaustivamente é mais atual do que nunca."
Em carros modelo 2007/2008, a regra é a mesma, mas vale atentar para dois outros fatores. Primeiro, em relação aos modelos 2008/2008, você terá uma pequena vantagem na hora de pagamento do IPVA do ano que vem, já que pagará o tributo de um modelo 2007, sempre mais em conta que os 2008.
Meizikas lembra que, nesse caso, os melhores negócios devem aparecer em janeiro. "Essa seria a recomendação que eu faria para as pessoas", disse. "Nesse período é possível encontrar muito mais oportunidades e um leque maior de ofertas." Se não encontrar nenhum negócio que se encaixe nas situações descritas, o analista da Molicar recomenda que o consumidor passe a pesquisar os modelos 2008/2008.
Como pagar - Até agora vimos como selecionar e escolher as melhores oportunidades que brotam no mercado nesta época do ano. Mas, mesmo que encontre um modelo que o agrade e que seja um bom negócio, não baixe a guarda. É hora de analisar as melhores opções para pagar pelo seu carro novo.
Segundo Lignos, o ideal é que se faça um planejamento de longo prazo, guardando dinheiro aos poucos num investimento, para conseguir efetuar o pagamento à vista. Além de não pagar juros, o consumidor ganha rendimentos com as aplicações, conseguindo comprar o bem em um período menor que o de um financiamento. Isso, no entanto, requer muita disciplina para aplicar, todo mês, o valor predeterminado - e poucas pessoas conseguem realizar esse tipo de projeto.
A opção preferida atualmente por 71% dos consumidores, em tempos de crédito farto no mercado, é a do financiamento. E, nesse caso, as recomendações básicas indicadas pelo consultor da IGF são:
Existe atualmente uma modalidade de financiamento de longuíssimo prazo, em até 84 parcelas (7 anos). Mas a recomendação geral de todos os especialistas é limitar o financiamento a 36 meses, no máximo.
Por fim, Lignos dá algumas recomendações práticas na hora de sair para pesquisar os carros. "Evite levar filhos ou amigos, que acabam influenciando o lado emocional", afirma, dizendo que é preciso, nesse momento, exercitar o lado racional e controlar o consumismo. "Mesmo diante de uma oportunidade que lhe pareça boa, não haja impulsivamente. Conte até dez, volte para casa e faça os cálculos antes de fechar negócio."
DÚVIDAS
JURO ZERO - Às vezes, anúncios vendem um modelo que pode ser financiado com "juro zero". Lignos afirma que, geralmente, os juros estão camuflados, pois o mesmo modelo, à vista, é vendido com desconto. Para ser juro zero, o valor financiado tem que ser igual ao valor à vista.
INVESTIR OU FINANCIAR? - Com alguns fundos de investimento rendendo mais de 50% ao ano, muitas vezes surge a dúvida se não vale a pena financiar o carro e aplicar o dinheiro, em vez de pagar à vista. Segundo o consultor, isso só é válido caso o consumidor tenha uma quantia extra, além do valor do veículo, de reserva. Como os fundos de investimento são voláteis, é possível que em determinados momentos seu rendimento seja zero ou mesmo negativo. Nesses casos, é preciso deixar o dinheiro aplicado por mais tempo para que ele volte a se capitalizar. Caso o dinheiro seja "justo", o risco das aplicações não compensa. Além disso, é preciso ter um certo conhecimento de mercado para não cair em ciladas e, no caso de quantias reduzidas, o baixo rendimento, ainda que um pouco acima das taxas de juros, não vale o risco




