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REPORTAGENS
Carro em curso
Abril 2007

Carro em curso

Escola de lata: Todo ano, 17 000 alunos passam pela maior e mais bem equipada escola do Brasil, que forma desde o pessoal de fábrica até amadores

Por Erick Boccia | Fotos: Roberto Setton
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

A primeira impressão é que você está entrando em um Salão do Automóvel reduzido, com estandes de quase todas as montadoras e seus modelos recém-lançados expostos. É fácil ver a Hilux dividir espaço com o novo Palio e até com o Citroën C6. Um olhar mais atento encontrará equipamentos de última geração, como alinhadores a laser e estufas de pinturas modernas. Tudo isso é ressaltado por uma iluminação high tech e pela limpeza que lembra centro cirúrgico. Estamos na escola Conde José Vicente de Azevedo, mais conhecida como Senai Ipiranga, onde se encontra a maior gama de cursos de formação profissional para quem quer trabalhar no segmento de reparação automotiva.

Das 72 escolas Senai no estado de São Paulo, 28 oferecem cursos na área. Porém, cabe à unidade do Ipiranga disseminar tecnologia, ferramental e didática para as co-irmãs. A explicação é simples: lá, as montadoras investem pesado no treinamento da rede e na formação de mão-de-obra especializada. No ano passado, as marcas colocaram, juntas, 1,8 milhão de reais no Senai Ipiranga, e esse aporte de capital deve aumentar. E não são apenas montadoras que recorrem aos cursos. "Atendemos empresas, concessionárias de rodovias e até seguradoras que precisam de conhecimento técnico. Temos 52 empresas parceiras", conta o agente de treinamento Valdir de Jesus.

Onde há tecnologia, há novidade. Quem freqüenta as instalações do Senai depara com equipamentos e literatura (manuais de instrução) que mal chegaram às concessionárias e ainda passam longe da rede de reparação independente. O primeiro sistema My Car, do Palio, por exemplo, foi dissecado lá. Hoje, por conta da parceria com Volkswagen e Audi, os professores dominam as artimanhas do moderno motor FSI, com injeção direta de combustível, que empurra modelos como Passat e A6. É por isso que carros tratados como segredo de Estado pelas fábricas não são novidade para alunos e professores. O C4 Picasso que mostramos em dezembro estava lá desde o primeiro semestre de 2006. E o novo Sentra? Acabamos de testá-lo e na escola ele já foi até desmontado... Mas nem pense em clicar um carro desses sem ordem. Há um contrato de confidencialidade com as marcas e, se um aluno for pego, a expulsão é certa.

Durante nossa visita também pudemos ver uma equipe da rede Renault aprendendo sobre um novo equipamento de diagnóstico do sistema de multiplexagem, a central eletrônica que controla sistemas elétricos e de injeção de Clio, Mégane e Scénic. "Antes, trabalhávamos com computadores enormes, e agora, com o laptop, ficou bem mais fácil", afirma Cléber da Silva, funcionário de uma concessionária da marca em Porto Alegre. E Cléber vai ensinar aos colegas o que viu na escola sobre o equipamento? "Se o guri merecer... quem sabe?", diz o gaúcho.

Na área de funilaria e pintura, o Senai Ipiranga é uma das poucas instituições de ensino que dominam a técnica de pintura à base de água, ecologicamente correta, só que ainda pouco difundida no Brasil. "Tem gente que faz, mas é uma realidade distante do nosso mercado. Por isso não aplicamos aqui em sala de aula", diz a instrutora e engenheira química Ina Paola Rao, uma das duas professoras mulheres da escola.

No entanto, nem todos os alunos são profissionais em começo de carreira. Nos corredores do Senai Ipiranga encontra-se gente de perfil variado. Há desde profissionais experientes até curiosos que querem reparar o carro antigo recém-adquirido. Segundo o instrutor José Aílton Siqueira, as razões da procura pelos cursos são múltiplos. "Há quem não se conforme com o péssimo atendimento que recebe quando encosta o carro nas oficinas e nos procura para saber mais a respeito. Também houve o caso de uma mulher que ficou viúva e tinha uma funilaria como negócio da família. Depois de tomar prejuízos seguidos, resolveu estudar conosco para gerir a oficina", afirma.

O adolescente Alex Shirato, de 15 anos, é um bom exemplo dessa pluralidade. Ele se matriculou no módulo Noções de Mecânica - Veículos Leves por ordem da mãe. "Meu pai comprou um carro e foi enganado, então ela mandou que eu fizesse o curso para não passar pelo mesmo vexame", diz. Porém Alex decidiu que, ao terminar as aulas, vai pendurar o macacão e investir na carreira de designer de games.

Mas não é assim com todos. Victor Vasconcelos da Silva sonhava em trabalhar numa montadora por influência do pai e começou o curso de aprendiz com 14 anos. Aos 18 anos, voltou à escola para especialização em injeção eletrônica e hoje, aos 20, faz carreira na fábrica da General Motors de São Caetano do Sul (SP), onde é coordenador na inspeção final dos veículos. O jovem, que atualmente cursa engenharia de materiais, sonha alto. "Quero chegar à presidência e sempre me lembrarei do meu início no Senai."

Já o metalúrgico José Dias saiu do interior do Paraná na década de 70 para tentar a vida em São Paulo. Arrumou um emprego na Volkswagen e, 30 anos depois, se aposentou. Agora é hora de voltar a sua Loanda, distante 520 quilômetros de Curitiba. Incansável, José não quer ficar parado e decidiu aprender novo ofício. Vai abrir uma oficina e virar mecânico de automóvel. "Como trabalhava na linha de montagem do Gol, não tinha contato com a parte técnica. Então, resolvi estudar mecânica no Senai para poder tocar o meu negócio", diz. É dessa maneira que o Senai Ipiranga alimenta o sonho de 17 000 pessoas que passam pelas suas salas de aula todos os anos.


ESTRUTURA

Criado em 1942, o Senai tem 515 escolas no Brasil. Destas, 120 atuam na área automotiva (todos os estados têm ao menos uma escola voltada a esse segmento). No país, existem ao todo 312 cursos relacionados à parte automotiva.


MODERADOR DE APETITE

Às vezes, o exagero de novidades que freqüenta o Senai Ipiranga atrapalha. O desafio dos professores é segurar a ansiedade da moçada e apresentar-lhes as novas tecnologias aos poucos. Há três tipos de curso: os de aprendizagem, para jovens de 14 a 24 anos, com duração de dois anos, são gratuitos; os técnicos, também grátis, só podem ser feitos após o término do segundo grau; e os de formação continuada e curta duração, pagos e abertos ao público em geral. Os dois primeiros exigem vestibulinhos. Já os de formação, onde se ensinam desde os princípios básicos de mecânica até como tunar um carro, seguem roteiro e disponibilidade dos alunos, desde que não se pulem etapas fundamentais. Por exemplo: a escola não recomenda matrícula no módulo de injeção eletrônica sem que ter as noções básicas sobre funcionamento de motor.


OS CURSOS

-mais barato
Identificação de Procedência de Veículos: 100 reais
Duração: 3 dias
Requisitos recomendados: experiência em comércio de veículos ou curso de Noção de Mecânica - Veículos Leves

-mais procurado
Noção de Mecânica -- Veículos Leves: 220 reais
Duração: 15 dias
Requisitos recomendados: não há

-mais caro
Sonorização Automotiva -- Especialização: 870 reais
Duração: 1 mês e meio
Requisitos recomendados: preferencialmente, ter o curso do sistema de som básico

- sites
Senai Nacional: www.senai.br
Senai São Paulo: www.sp.senai.br





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