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REPORTAGENS
Como funcionam os módulos
Novembro 2011

Como funcionam os módulos

A central eletrônica comanda o sistema nervoso do carro e esvazia o bolso do dono quando pifa. Mas não precisa ser assim

Por Felipe Bitu
Lista de matÉrias por data:

TAMANHO DA LETRA  

Dos populares aos superesportivos, os módulos eletrônicos garantem altos níveis de confiabilidade, precisão e regularidade de funcionamento. Verdadeiros cérebros artificiais, eles controlam o gerenciamento de motor, ABS, airbags e até de itens de conforto, como ar-condicionado ou vidros elétricos. Projetados para ter uma vida útil superior à do próprio veículo, os módulos precisam resistir a umidade, campos eletromagnéticos, oscilações de temperatura, vibrações e descargas elétricas. Mas, mesmo com a melhor das blindagens, eles estão sujeitos a panes, causadas pela perda da configuração original ou por uma avaria mais séria, que muitas vezes pode deixar o motorista a pé.

"A principal fonte de problemas nos módulos são as baterias, incapazes de se manter carregadas em veículos que permanecem inativos por longos períodos de tempo", diz Marcos Antonio Theodoro, especialista da oficina Módulos para Carros. "Quanto mais sofisticado é o veículo, maior o número de módulos e maior é a sobrecarga no sistema elétrico." Segundo Thedoro, o problema é evitado quando se coloca o motor para funcionar pelo menos uma vez por semana, por ao menos 20 minutos.

Outro detalhe importante é a vida útil da bateria. Em um popular com poucos recursos eletrônicos, a bateria pode durar mais de três anos. Já um sedã de luxo pode conter mais de 40 módulos, que consommé muita energia e encurtam a vida da bateria para cerca de um ano. "Uma bateria fraca exige mais do alternador, provocando picos de tensão que podem desconfigurar ou queimar um ou vários módulos", diz José Carlos Finardi, proprietário da JC Finardi, especializada em reparo de módulos.

Segundo Finardi, cada fabricante costuma ter um calcanhar-de-aquiles: "Os Fiat e Volks estão mais sujeitos a perda da programação por interferências eletrônicas. A linha Chevrolet apresenta um antigo problema de aterramento, o que costuma queimar o módulo. Os Ford possuem chicotes elétricos frágeis e delicados, mesmo problema apresentado por alguns importados, como Mercedes e BMW antigos."

Finardi também alerta para outros cuidados: "Para trocar a bateria de alguns franceses, como Peugeot, é preciso aguardar de 20 a 30 minutos, pois o módulo é inteligente e interpreta a troca como tentativa de furto, imobilizando o motor. A única solução é levar o carro a uma concessionária ou encaminhá-lo a um especialista que tenha acesso ao sistema de diagnose original, para destravar o módulo. O serviço custa em torno de 300 reais, valor de uma bateria nova".

Outra pane comum nos módulos é a causada pela lavagem do motor, realizada indiscriminadamente com lavadoras de alta pressão em postos de serviços e lava-rápidos. O ideal é evitar ao máximo esse tipo de lavagem, confiando a limpeza do motor a um profissional especializado e apenas em situações excepcionais. "Quando se lava o motor, a água entra pelos canais de ventilação do módulo ou pode ocorrer um choque térmico, o que ‘fecha’ o circuito em ambos os casos. A umidade também é responsável pela oxidação dos conectores, provocando falhas intermitentes de difícil diagnóstico", diz Finardi.

Seja qual for o defeito, é praticamente impossível encontrar a solução sem ter o sistema de diagnose próprio de cada fabricante. "É aqui que o bom profissional se distingue dos aventureiros", explica Theodoro. "Um serviço de qualidade exige muito conhecimento e experiência, é um trabalho que envolve bastante pesquisa e troca de informações, e cobra uma atualização constante."

Apagar a luz

Somente a partir do diagnóstico é possível mensurar a extensão do problema, o que torna difícil orçar com precisão o custo de um conserto. Os especialistas evitam ao máximo estimar valores, mas garantem que o custo do reparo é bem mais barato do que quando realizado pela rede autorizada. "O custo varia bastante, mas fica mais em conta porque as concessionárias não consertam, elas apenas reprogramam ou substituem os módulos", afirma Finardi. E é a troca de componentes que encarece os serviços. Muitos proprietários procuram os especialistas em módulos atrás de uma alternativa viável aos orçamentos exorbitantes apresentados pelas concessionárias. É comum encontrar módulos que custam um terço do preço de mercado do automóvel usado - ou até o valor total do veículo.

Foi o caso do agente de viagens Valter Prieto. Aos 72 anos, ele é o feliz dono de um Honda Accord V6 fabricado em 1995, cuja manutenção sempre foi feita na rede autorizada. Um dia uma luz de anomalia acendeu no painel. O diagnóstico da concessionária foi desanimador: o módulo precisaria ser trocado, ao custo de 5 000 reais, quase um terço do valor do carro. Foi então que ele recorreu ao especialista José Miranda, da oficina Bom Tempo, que abriu o módulo. Resultado: a inspeção identificou um capacitor queimado, que foi substituído. "O conserto não durou nem meia hora, custou menos de 5 reais e fez com que o Accord voltasse à autorizada, dessa vez para ‘resetar’ o sistema e apagar a luz", diz Miranda.

O mesmo raciocínio vale em casos de perda de uma chave. Como em geral ela conversa com o módulo do carro, pode ser necessário trocá-lo ao se fazer uma cópia. Em vez disso, os especialistas conseguem reprogramar a nova chave, reduzindo o custo para até 20% do que se cobraria na concessionária.

De acordo com especialistas, no entanto, o problema nem sempre está no custo do módulo. "Tenho visto muitos modelos de marcas conceituadas com componentes de vida útil baixíssima e ao mesmo tempo difíceis de serem encontrados", diz Theodoro. Finardi complementa: "Nos carros mais antigos, os dados e programas eram construídos dentro do próprio módulo, mas são components fora de linha e, portanto, muito difíceis de serem encontrados. Quem tem cobra o valor que quiser, pois são peças que sumiram do mercado".


 

CHUPETA


Muita atenção ao fazer a partida com auxílio de cabo de chupeta: "Ela pode sobrecarregar os módulos, mas pode ser feita desde que com cuidados: as baterias devem ficar conectadas por alguns minutos, para equalizar a tensão", diz Finardi. "Só depois é que se dá a partida no veículo de apoio, que deve manter a marcha lenta uns 20 minutos. Depois, dá-se a partida no veiculo arriado, mantendo-o em marcha lenta por 10 minutos."


 

Valter: conserto caiu de 5 000 para 5 reais.


 

CIRCUITOS DE BAIXA


Valores médios para a compra, reparo ou reprogramação de um modulo

Chevrolet Vectra 2.0

Novo: 2700
Reparo: 500
Reprogramação: 250

VW Fox 1.0
Novo: 610
Reparo: 300
Reprogramação: 180

Fiat Punto 1.6
Novo: 1160
Reparo: 400
Reprogramação: 230

BMW Série 3

Novo: 8213
Reparo: 1500
Reprogramação: -

Mercedes Classe C
Novo: 5600 a 12300
Reparo: 3500 a 7500
Reprogramação: 3000 a 4500





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