Teste: Chevrolet Camaro Fifty, a preservação da espécie

Menor e mais "europeu", novo Camaro é uma evolução do anterior em todos os sentidos

Sexta geração manteve o desenho mítico

Sexta geração manteve o desenho mítico (Pedro Bicudo)

Um time de engenheiros da Chevrolet me aguardava para apresentar a nova geração do Camaro. Inocentemente, eu disse: “Não mudou quase nada”. Cada um daqueles técnicos incorporou o Camaro e me olhou com cara de poucos amigos. No lugar deles, eu teria reagido da mesma forma. Ou pior.

Apesar de num primeiro momento não parecer, esta é uma geração completamente nova do Camaro. Aliás, nova desde a base. Literalmente. Enquanto o Camaro anterior era montado sobre a plataforma Zeta, do Commodore (um sedã grande da Holden, a Chevrolet australiana), o novo deriva da arquitetura Alpha, dos Cadillac ATS e CTS.

Mas há que se respeitar um mito. Apesar da nova arquitetura de base e da virada de geração, desenho, proporções e, acima de tudo, a personalidade do Camaro foram preservados.

O que muda é a versatilidade do modelo. Esta sexta geração conta, por exemplo, com um seletor de modo de condução pela primeira vez. Alterando parâmetros de funcionamento de itens como acelerador, motor, direção e câmbio, ele se mostra quase tão suave quanto um sedã familiar e ainda mais infernal do que a quinta geração.

Painel abandonou as molduras individuais, mas ganhou tela central configurável

Painel abandonou as molduras individuais, mas ganhou tela central configurável (Pedro Bicudo)

Os quatro instrumentos no console inferior foram substituídos por saídas de ar-condicionado

Os quatro instrumentos no console inferior foram substituídos por saídas de ar-condicionado (Pedro Bicudo)

O fato é que essas mudanças podem antecipar o passeio do Camaro por novos mercados, assim como a Ford fez com o Mustang, hoje vendido na China e em alguns países da Europa – e sabe-se lá o que a Ford do Brasil está esperando para trazê-lo para enfrentar o Camaro também por aqui.

Ou seja, o novo Camaro ganhou tecnologia para agradar a outros consumidores, que não só os norte-americanos. A virada de mesa deixou o Camaro mais compacto. Comparado ao antigo, está 57 mm mais curto, 18 mm mais estreito, 30 mm mais baixo e com entre-eixos 40 mm menor. O peso também foi levemente reduzido: de 1.790, passou para 1709 kg.

DNA preservado

Se você é dono de um dos mais de 5.000 Camaro já vendidos oficialmente no Brasil (segundo dados da própria marca), não se assuste: o carro está menor, mas a impressão ao volante segue inabalada por conta do capô descomunal, cintura alta e traseira larga.

Menor e mais leve, ele ficou mais ágil ao volante

Menor e mais leve, ele ficou mais ágil ao volante (Pedro Bicudo)

No circuito de cones montado para a nossa avaliação – exclusiva, mas restrita ao campo de provas da GM–, dirigi a quinta e a sexta geração do Camaro. E aí sim deu para sentir o salto de qualidade de condução. O exemplar da geração anterior, cansativo como passear com um cão bravo, pediu muito mais trabalho de volante e pedais – mesmo assim, confesso, não impedi que ele atacasse alguns cones.

Apesar do desenho geral ter sido mantido, a plataforma do Camaro mudou

Apesar do desenho geral ter sido mantido, a plataforma do Camaro mudou (Pedro Bicudo)

Já o Camaro da sexta geração, um cachorro ainda mais feroz, só que adestrado e com pronta resposta aos comandos, manteve-se o tempo todo sob absoluto controle. No modo mais manso, então, era um dócil, inteligente e obediente labrador.

Direção com assistência elétrica fica mais pesada em modo Sport

Direção com assistência elétrica fica mais pesada em modo esportivo (Pedro Bicudo)

Interior mecla couro, camurça, alumínio e plásticos

Interior mecla couro, camurça, alumínio e plásticos (Pedro Bicudo)

Série especial

O Camaro que ilustra esta matéria é um exemplar da série Fifty, alusiva aos 50 anos do modelo e limitada a 100 unidades no Brasil – o preço inicial é de R$ 297.000, bem mais que os R$ 230.990 pedidos pela versão SS V8 oferecida anteriormente . Ele se difere dos Camaro SS normais pelas rodas aro 20 com desenho exclusivo, faixas alaranjadas no capô e pinças de freio personalizadas.

Dianteira com spoiler pronunciado diferencia a série Fifty

Dianteira com spoiler pronunciado diferencia a série Fifty (Pedro Bicudo)

Motor V8 6.2 gera 461 cv de potência e 62,9 mkgf de torque

Motor V8 6.2 gera 461 cv de potência e 62,9 mkgf de torque (Pedro Bicudo)

O motor é o imponente V8 6.2 com 461 cv e 62,9 mkgf de torque. No comando da usina, há um câmbio automático com oito marchas e opção de trocas sequenciais por meio de borboletas no volante. Painel com tela digital entre mostradores analógicos são outro claro sinal de que o Camaro está mais preocupado em agradar também a gregos e troianos, ou melhor, europeus e asiáticos.

Na pista de testes, os 55 cavalos a mais e os aprimoramentos aerodinâmicos em relação à geração anterior resultaram em melhoras no desempenho. A aceleração de 0 a 100 km/h caiu de 5,7 para 5,1 segundos. A retomada de 80 a 120 km/h passou de 3,4 para 2,9 segundos. Já o consumo – não que isso importe muito – passou de 10 par 11,3 km/l, com gasolina.

Bancos são grandes e confortáveis para um esportivo

Bancos são grandes e confortáveis para um esportivo (Pedro Bicudo)

Emblema especial na soleira e bancos com ajustes elétricos

Emblema especial na soleira e bancos com ajustes elétricos (Pedro Bicudo)

Veredicto QUATRO RODAS

A marca fez um belo trabalho: aproximou o Camaro dos motoristas comuns sem descontentar os pilotos mais experientes. E ainda manteve o desenho que o consagrou.

Teste de pista (com gasolina)

Aceleração de 0 a 100 km/h 5,1 s
Retomada de 40 a 80 km/h (em D) 2,2 s
Retomada de 60 a 100 km/h (em D) 2,3 s
Retomada de 80 a 120 km/h (em D) 2,9 s
Frenagens de 120 / 80 / 60 km/h a 0 57,0 / 25,4 / 14,6 m
Consumo urbano 7,4 km/l
Consumo rodoviário 11,3 km/l
Aferição do velocímetro a 100 km/h 95,5 km/h
Rotação do motor a 100 km/h 1.400 rpm
Aferição do volante 2,4 voltas

 

Ficha Técnica

Motor gas., diant., longitudinal., V8, 6.162 cm3, 16V, 461 cv a 6.000 rpm, 62,9 mkgf a 4.400 rpm
Câmbio automático, 8 marchas, tração traseira
Suspensão McPherson(diant.) / multilink (tras.)
Freios discos ventilados na frente e atrás
Direção elétrica
Dimensões comp., 478,4 cm; largura, 189,4 cm; altura, 134 cm; entre- eixos, 281,2 cm; peso, 1.709 kg; tanque, 72 l; porta-malas, 208 l

 

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  1. Luciano Korn

    Mais econômico que Agile 1.4

  2. Joao vinicius

    TESTE CAMARO 2016.

    Tenho 47 anos e acompanho o trabalho da revista QuatroRodas ha mais de 25 anos. Dou apreço pelos testes e comparativos que a revista publica por serem úteis e fidedignos.

    Possuo um Camaro 2016/17. Moro a 560 metros de altitude e pressão atm de 945 (media). Fiz vários testes, mas o melhor tempo com controle de estabilidade e controle de largada e em modo track (pista) manual. 0 a 100k/m em 4,2 s.

    O teste da revista Americana Caranddriver(USA) asseverou que o mesmo modelo testado 3,9 s (a 96 k/m), o que daria 4,1s de 0 a 100 km.)http://www.caranddriver.com/comparisons/2016-chevrolet-camaro-ss-vs-2015-ford-mustang-gt-comparison-test)

    A revista MotorTrend asseverou 4,2 s de 0 a 100km/h.

    Antes do Camaro possuía uma M3 2009 (Excelente Carro). Fiz o Teste drive na M4 e na C 63 AMG. Ambos parecem que andam igual ou até menos que o Novo Camaro.

    Gostaria de saber como foram coletados os dados do teste do Camaro Fifty de 20/12/2016. Ou seja, quantas tentativas, quais os modos de condução utilizados para a aferição. Qual a temperatura, altitude, p/Atm, velocidade do Vento.

    Pois a diferença é gritante para ser atribuída a gasolina ou qualquer adaptação do modelo.

    Se necessitarem do vídeo do teste no meu veículo estou à disposição.

    Reforço o compromisso com a qualidade da revista que sempre demonstrou varias reportagens excelentes sobre esportivos.

    att.